9 de abril de 2007

Uma rua chamada pecado


Nunca soube muito bem empregar os olhos, seus movimentos são lentos, continuamente rudes. Seu caminhar de quem desconfia demonstra o quanto sente-se estremecido com as oscilações a seu redor, é atencioso e preocupado. Utiliza de sua força quando lhe é permitido, quando lhe parece imperioso. Sua amabilidade é mútua à quem a merece, igualmente, seu despeito. Aprendeu a falar cedo, instruir-se de que deveria calar-se também precocemente, preferiu ficar só por um milhão de vezes, não modificou sua idéia em qualquer delas.
Definiu-se bem como o labirinto das emoções outra vez ocultas, seu coração, ao final desse, assemelha-se a um troféu. A batalha vencida contra sua inteligência, os milhões de caminhos vagos que o faz distante de nós.

8 de abril de 2007

Depois faz frio


Um homem sábio em determinado lugar do mundo um dia disse que estar só é estar em paz consigo mesmo. Discordo.
É nestas horas que me descompasso, que me desfaço, me arrebento. Entro em desavença, desafino, mudo de vontades, perco o rumo. Minhas idéias tornam-se ponto de encontro aos pensamentos desesperados jogados na sarjeta.
Estar só à mim significa os gritos de uma mente em parafusos, um coração as avessas. Não podendo fugir, preso a certeza de que é baldio estar entre almas penadas, abarrotadas de vento e magnificência inútil. Solidão, qualquer que seja, é a guerra entre coração e cérebro.

7 de abril de 2007

Sobre Amelie



Entre tantas coisas inúteis que circulam pela internet, é difícil encontrar alguém que faça algo tão banaca quanto esse vídeo. Não sou muito adepta ao mundo cibernético, no entanto fiquei alegre e ganhei um sorriso.
Fica a dica!

http://www.youtube.com/watch?v=axDy20SY6Yc

6 de abril de 2007

Sobre José



Tudo aqui cheira a mofo. O cigarro amassado no bolso traseira da velha calça jeans rasgada demonstra o quanto sente-se impotente, fraco, sujo. Sentado na cadeira esquerda da esquina mais escura do bar, levanta seu copo como quem pede perdão por uma vida vazia, abarrotada de tudo. Observa seus pés sórdidos de barro, pede perdão em telepatia, a ela, que neste momento devaneia sobre amor. Ele não pode compreender. Seus pensamentos percorrerem outros planos, engolindo lágrimas para dentro do peito, um vadio sentimento nulo dentro de si. Debaixo 40 W de luz inatingível, a escuridão conservar-se dentro do pobre homem que nunca poderá entender o sentido daquelas palavras. O que é o amor para José? Não enlouqueça José. Não enlouqueça.

5 de abril de 2007

Lixo Limpo


Tenho me sentido fora de órbita. Um quão grandemente conduzida por um ânimo triste, algo que não tenho o conhecimento. Almejo momentos de insanidade para me descobrir por acolá, me sentir tola novamente, ser chichê, borrar a maquiagem. Estragar tudo, pedir desculpas, sentir meu corpo doer. Aparentar birutice, para me sustentar em um novo eu, esse velho quero colocar fora. Quero sentir, sentar, na lata de lixo.
Bebel e Chico - A mais bonita
"Não solidão, hoje não..."

4 de abril de 2007

O médio amor do mundo

Mesmo tendo como opinião inalterável de que o filme que vi não tenha um roteiro capacitado para o nível dos atores que o encenam, esse me fez pensar um pouco além. Em mim, o que permaneceu destas cenas, foram exclusivamente perguntas a desígnio do destino. Resta em mim, a só, inútil certeza de que por mais ousados que sejamos, tudo sempre vira poeira.
Fica a dica “O maior amor do mundo”, vale a locação. Repito: A locação.

27 de março de 2007

A face do que vejo


“Há a conclusão de que se não existisse quem escrevesse, ninguém conheceria as mulheres, por mais belas que tivessem sido.”

Há quem duvide. Há quem diga que esta não esta correta. Há quem escreva sobre a mulher de sua vida. Há quem a tem em pensamento.
No entanto, há quem apenas a crie em personagem, quem prende-se somente na intenção poética, no papel. E o que acontece com a mulher real?
Aquela que não é culta o bastante, mas que o faz sorrir, que o alegra, que entende como ele possa estar estressado com os problemas do dia-dia (e de alguma forma mágica os extermina). Aquela que não é bela o bastante, porém sabe como agradá-lo, além disso possui um jeito excepcional de tira-lo do sério de uma forma tão linda que encanta.
Onde há espaço para a mulher real? Que cozinha de avental vermelho, suja as mãos de farinha e sabe passar roupas?
eu – lírico que conheça?

26 de março de 2007

Brancalhone

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu....”
Odeio dias cinza. Senti-me impotente, estúpida e irresponsável. O fato de o vestibular estar ali, no final deste ano, faz-me tremer, sabendo que todo o esforço não é válido diante das contas e fórmulas.
Pergunto-me então se é falta de QI ou/e nervosismo, não entendo como pode alguém ser tão estúpido em relação a algo tão imbecil.
No entanto, como, pergunto (á primeira alma de interesse) faz-se para passar em Medicina e mesmo assim, saber que esta não é a escolha que me faz ter certeza. A certeza de que eu estou no caminho certo, à opção correta para uma vida inteira. Se para esta existem fórmulas, fórmulas para não decepcionar meus pais e não seguir sendo como quem não tem “capacidade”. Senti-me limitada, menosprezada e além de tudo, sozinha.

E agora José?
Eu quero um abraço...

Aos livros!

22 de março de 2007

Arrepio

Eu que tantas vezes falei de amor, hoje mudo o repertório.
Por um momento sinto vontade de explicar o inexplicável, como quando sentimos os olhos de alguém aspirando os nossos, como quando a mão torna-se a pluma.
São estes, os pequenos detalhes, que me tornam um tanto quanto observadora.
Há quem repare em coisas banais, há quem importe-se com beijos. Já a mim interessa o jeito de sorrir, o magnetismo que existe entre as pessoas, se ele esta olhando, ou não. E então, o que importa são apenas os arrepios que estão por vir, e são estas pessoas que nos fazem penar, são estas que tiram-nos o chão. Das formas mais simples.
Peço atenção ás ocasiões deixadas para trás, e ao movimentos dos pêlos, todos, agradecendo por existir naquele momento.

No fone, o volume no máximo Coldplay

11 de março de 2007

Maria


"Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz

E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
Agente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
"


Chico - João e Maria

Sobre o acaso



Assumo total responsabilidade
Vou ouvir apenas com as mãos e reparar em qualquer tom do silêncio;
Faço um pacto de sangue – com o medo. Desejo que este me acompanhe até o final dos dias, na juventude e na velhice, para que assim ressalte toda e qualquer glândula sudorípara e me faça penar.
E se for por descaso do tempo que o faça parar - renego. E volto a fita.
Volto-o.
Ou me escondo.

10 de março de 2007

E tira o som dessa tv, pra gente conversar...

Logo após ter entrado em estado de liquidificação com o calor acordo com um certo “friozinho”. Estes dias foram feitos por livros, plano para que passemos a tarde os acompanhando. Neste momento encontro-me com Drummond, fazendo de meu sábado um tanto quanto cheio de vida. Cheio de poesia.
Leitura obrigatória para o vestibular fez-me pensar além. Fiquei preocupada com a vida dos meus futuros filhos, e confesso que também com a minha. Como serão as coisas daqui a um certo tempo? Onde, entre mundo cibernético e fast-food, terão espaço os amores, as flores e as dores?
(Meu chá esta esfriando)
Restará lugar para as conversas de boteco, chimarrão no pôr-do-sol e desenho animado? Assim como eu, meus filhos trocarão a tv pela bicicleta? Brincarão de playmobil ao invés de Barbie? E como será a Barbie daqui a um tempo? Terá peito de silicone?
Complicado, tudo agora é tão banal, que talvez nem existirão brinquedos. Todos virão com cérebro já de opinião formada e com botões.
Bom, vou voltar ao chá enquanto ainda posso não enferrujar.

“Os beijos não são importantes.
No teu tempo nem haverá beijos.
Os lábios serão metálicos,
Civil, e mais nada, será o amor
Dos indivíduos perdidos na massa
E só uma estrela
Guardará o reflexo
Do mundo esvaído
(aliás sem importância).”

Drummond

7 de março de 2007

Não precisa ser Moraes, nem Camelo...

É quase “necessário” encontrar um homem diferente. Não seria, assim, a agulha do palheiro, no entanto deveria se destacar entre os demais do “grupo”. E não apenas por atitudes dramáticas, romantismo excessivo, matrimônio imaginário, mas sim por me fazer estremecer.
Onde encontrar, então, um homo que cozinhe, não abuse da inteligência, nem queira se sobre sair? Necessitaria apenas fazer “leite com Nescau”, conversar sobre livros (de preferência os meus), ver futebol no domingo e ser machista quanto ao tamanho do vestido. Necessitaria ser ciumento, fazer cara de bravo e acabar cedendo a todas as vontades, desejos repentinos e agüentar a tpm.
Onde encontrar aquele que não grite em público, goste de maquiagem borrada e arrisque uma surpresa todo final de tarde? Fazer dos dias todos recreação, dar risada, dizer que estou linda (mesmo de pijama e cara de sono), sentar na grama, rabiscar um bilhete. Não exijo explicações científicas, rosas, telefonemas exagerados. Não exijo cartas, compromisso e Niestchz.. Exijo que entenda todo não que vale por sim, todo dengo, toda saudade, todo carinho. Exijo carinho, muito carinho.
Há aqui muita vontade de saber onde encontrar quem vá rir de minhas besteiras e ter coragem de enfrentar todas as brigas.
Não seria apenas “um homem diferente”, teria que ser o melhor de todos, mesmo sendo o pior. Teria jogo de cintura, saberia a hora de fazer planos, de adia-los, e principalmente de fazer-me irritar. Pois, acredite, as mulheres mais interessantes pertencem aos homens mais atrevidos (e me desculpe as feministas de plantão).

23 de fevereiro de 2007

Goodmorning Sunshine


Nascer do sol, Praia da Ferrugem
Verão 2007

Eu já deveria ter me acostumado a isso: O ano só começa após o carnaval. Principalmente quando nasce-se brasileiro. Antes disso tudo ainda esta legendado como “verão”, “descanso”, “tempo”, até mesmo “ano novo”. E é então chegada quarta feira de cinzas, toma-se conhecimento de todas as responsabilidades e atos que farão deste “ano novo” velho e é então que espera-se outro “ano novo”, e outro, e outro...
Não ter preocupações as vezes é chato, o habito de férias torna-nos um tanto quanto fúteis e sedentários, avantaja-nos o sono e diminui-nos o cérebro. Porém faz bem. Todos voltamos diferentes. Mais maduros, menos maduros, há até quem arrisque um novo corte de cabelo, uma dieta, novas amizades.
O carnaval faz de nós foliões sem noção de tempo, lugar, todos viram amigos e os amigos viram irmãos do peito, temos dinheiro para pagar bebidas a todos. E fim, terminada a moleza.
Começamos o ano com a sensação do dever comprido, cabeça “limpa” e na minha parte, muita sede de rotina, a mudança faz de nós brasileiros. Afinal, precisamos de uma boa sacudida para colocarmos em nossos devidos lugares.

8 de fevereiro de 2007

The Horizon

São três e meia da madrugada. Entre amigos e shampoo espero amanhecer para ir ver o sol nascendo no morro, até mesmo arriscar um surf. Falta pouco para o trabalho acabar, o dinheiro também, até mesmo os dias de sol rainte, a mochila volta mais cheia, o coração mais vazio e tudo volta ao seu "normal", seja ele qual for. Todos tem uma casa, não é mesmo?

"Ela é linda com dor de barriga, ela é linda dormindo e até quando acorda cheia de remela. Ela é linda chorando e mais ainda sorrindo. Ela é linda passeando e linda quando pára diante do espelho. Linda penteando o cabelo e linda fazendo batata frita. Ela é linda nas palavras, nas idéias, nas mãos (sempre quentinhas), nas roupas bagunçadas no armário. Linda nos livros que ficaram na estante, linda nas músicas que gosta de ouvir. Linda na escova de dentes que ficou perdida. Linda de salto alto e linda de pés descalços. Linda quando briga comigo, quando dá gargalhadas e linda quando fica de beicinho. Linda nas fotos que não paro de olhar. Ela é linda quando me faz sentir uma saudade deste tamanho. Simplesmente, linda."
Lara Collares.

Minha autora favorita. Também estou com saudades mana, do tamanho da via láctea, já volto!

1 de fevereiro de 2007

Acredito

Mesmo estando entre as mais bonitas paisagens sinto-me arrepiada toda vez que ouço falar sobre amor. Sentei-me aqui por alguns minutos voltando um pouco á civilização, revendo meus e-mails, colocando a conversa em dia com os amigos, deparei-me com um texto especial. Uma das melhores definições sobre tal:

“Eu ouvi dizer que o melhor de nós são clichês. E logicamente eu assinei embaixo.Por mais que a gente costume criticar os clichês, sempre vamos de encontro a eles.Seja o amor, seja a arte, seja até a própria imaginação. Ou tu consegues pensar em algo que seja exatamente novo?Na intenção de impressionar quem gostamos utilizamos velhas poesias, canções já ouvidas, batidas e que fazem parte do repertório de consquista há muitos anos. "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." Imitamos cenas de filmes, nos inspiramos em contos, nos livros.Praticamente tudo já foi pensado. A moda, por exemplo. Observe as vitrines hoje. São bolinhas, listras, nada que não nos arremese direto aos anos 60. Ou que seja, ao maleiro da tua mãe.E eu aposto minhas moedas, que nem por isso tu não irás dizer: "Nossa, a coleção dessa estação está linda. " E tu vais desejar aquele vestido vermelho com branco rodadinho e as pulseiras plásticas coloridas. Vai achar que a "nova" moda está toda criativa, bloqueando assim aquela parte do teu subconsciente que diz que as prateleiras das lojas hoje são cópias perfeitas do seu armário de ontem.A mesma coisa a música. Você não levará um susto se perceber um CD da Jovem Guarda em meio aos "Psy Trance" (independete de tu saberes que diabo seja esse cidadão de nome estranho, mas supõe que seja um bom músico devido a quantidade de discos que "ele" já lançou) do teu filho.Menos ainda pensará que voltou no tempo ao flagrar o mesmo fazendo uns passinho ridículos no meio da sala no ritmo de um yeah, yeah, yeah.Tu já te acostumou com essas retomadas. E particularmente acha tudo isso uma delícia.A moda é velha e conservou seu glamour. A jovem guarda fez sucesso e continua sendo apreciada.Para EU TE AMO a mesma conclusão. A frase aí não vai sair de moda. Ninguém dirá que amor hoje está mais que demodê. Seja ela em, francês, italiano ou inglês. O fato é inegável. Entra ano e sai ano, o amor está ali. Nas menores causas. No recado brega de batom escrito no espelho. Vestindo, despindo, soando, arrepiando, fazendo arte, história, dramas, sendo o único imortal e até matando.Não é mesmo uma questão de banalização. É combustível. É necessidade. Simplesmente não existe viver sem.O amor sem dúvida é o que há de melhor em nós. Em todos nós, acredite.”
Fernanda Gava

Saudade de amor...

Santa Catarina, Praia de Garopaba
Verão 2007

31 de dezembro de 2006

Junte cinco sorrisos e leve grátis

Não deixei de falar sobre amor. Que bobagem.
Tenho guardado para mim minhas controvérsias, minhas divagações, minhas baboseiras. Não deixo, simplesmente, de falar sobre amor. Tudo tem virado tão banal que me assusta.
Tento me encaixar a modernidade das coisas, deixar de lado esse peso que carrego nas costas, essa preocupação.
Por que quem se importa? Nós tropeçamos no amor. Quando menos esperamos recebemos uma flor, um convite, um presente. Quando nem sequer lembramos de sua existência, quando damos gargalhadas, quando estamos leves.
O amor não procura tristeza, lágrimas e pessimismo. Amor não se encontra, pois não se esconde de nós, ele existe para quem quiser ver. Ele é um plus da felicidade.

30 de dezembro de 2006

Terceira pessoa do singular

Antes de Lanna nascer tudo já era programado. A mãe pediu uma “pretinha”, pós dois filhos claros de olhos verdes. Alguém escutou.
Com cinco anos brincava de Playmobil, tinha os cabelos escorridos pelas costas e as bochechas escondiam seu nariz. O irmão teimava em dizer que por isso só respirava pela boca.
Cresceu ouvindo as músicas do pai, suas histórias, suas brincadeiras. Lendo seus livros, procurando ser algo semelhante, ter um pinguinho de sua cultura, sua sabedoria sobre mapas.
Fez-se jovem e já sabia o que queria da vida. Mandar-se daqui para longe, ser livre.
Passou por diversas “fases”, por diferentes amores, difíceis momentos. Aprendeu com o pouco de experiência que tinha que pessoas mentem, pessoas são boas, pessoas vão embora e pessoas ficam, aprendeu que feridas cicatrizam e que delas só tiramos bom proveito (há quem goste de comer as casquinhas, não é mesmo?).
Aprendeu tarde a arriscar, a largar tudo, soltar as mãos, fechar a porta. Aprendeu que tudo isso era necessário, tanto para ela quanto para os que delam careciam. Aprendeu a desconexar tudo, misturar os sentimentos em uma salada de frutas, com muito chantilly.
Mesmo que tardio aprendeu a não voltar aos velhos tempos de si, aprendeu apenas a reconhecer novas Lannas dentre as que a formam. Suas fases se abastecem destas, cada qual com seu momento: Lanna sensível, Lanna forte, Lanna sentimental, Lanna sem vergonha, Lanna braba e tantas outras.
Aos dezesseis anos de idade ouviu o pai cantarolar uma canção, parou por um momento. Jogou os argumentos e princípios no lixo e mudou mais uma vez. Seu bom senso de estética a fez observar melhor ao seu redor, rever a situação, calcula-la como uma boa jogadora de truco.

Sempre foi apaixonada por Reveillon, este a traz em sua mais nova versão, em mais novo estilo e forma, novo conhecimento de mundo e estatísticas. Esta permite ousar e colocar para fora de seus pensamentos o que sempre quis para si. O inigualável.
2007 vem de puro roxo, vermelho, zebra, onça, dourado e o escambal. Vem repleto do estrago, eles têm razão, vem sem medo e sem tempo.

Boa sorte

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

(Seu Collares cantando Chico – Bom conselho)
Bom conselho mesmo Sábio

10 de dezembro de 2006

Sorvete de pistache

Por onde andaram os pensamentos desta menina? Ninguém entende porque é tão perdida e atrapalhada, ela não vive entre nós. Sobrevoando a cada passo com suas pernas aladas, ela não deixa brecha para preto, cinza e mau humor.
Em seu mundo todo dia é dia de sol, toda noite é noite de ver estrelas e todo o sorriso é feito de amor. A menina não vê maldade nas pessoas, não tem medo de palhaços e sabe cozinhar. Ela é feita de fita mimosa, flores nos cabelos e seus olhos são tão verdes quanto sorvete de pistache. Neste mundo poderíamos comer apenas algodão-doce e beber suco, neste mundo não haveria regras de trânsito, nem mesmo livros de direito.
E quando a ela chamam a atenção fica triste. Não entende como podem não aceitar sua vida, suas regras e o modo em seu mundo não permite realidade.

É difícil te ver fazer aniversário minha irmã, pois a cada ano que tu completas mais menina tu te tornas, esta luz cresce, a luz que todos nós deveríamos ter. Tu vais ser a eterna criança que um dia conheci, mesmo quando estivermos velhinhas fazendo tricô e 5 Marias. Continuemos para sempre com a alegria envolvente de nosso lustre, nossa casa, nosso porto seguro.
Minha fada, minha irmã, minha melhor amiga, parabéns por estes 23 anos sendo a estrela dos palcos da tua vida, todo e qualquer lugar onde fazes da tua presença um espetáculo. Eu te amo.

“Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem” (Chico)

(09/12/2006)

5 de dezembro de 2006

coerente

Era como de quem já vai indo, era como de quem não sabe o que faz. Poderia saber momentos antes, momentos após. Poderia desejar por horas, anos até mesmo, no incansável silêncio atrevido; ter tido todos os homens do mundo, não ter dado o braço a torcer.
Ela ficara na ponta dos pés, o segurara para que não partisse. Ele e seu coração. Fechara os olhos, respirara fundo e afastara-se.
Ele então de braços ao vento a deixa ir. Como quem também não sabe o que faz. Como quem soubera momentos antes e após.

“Coerente sua imaginação. Pretensioso o gesto que pratica ao rezar piedade. É cúmplice do outro em você, e sabe disso...” (Heitor Pires)

4 de dezembro de 2006

Achados e Perdidos

(Não há quem não tenha resquícios de vidas passadas, pequenos papéis, bilhetes, cartas, desenhos, objetos, cada qual com sua singularidade. Hoje na arrumação do quarto...)

“Essa aula tem me deixado confusa. Estas parábolas para cima, parábolas para baixo. Bolinha pintada, bolinha sem cor. E que me importa? O que fariam estas se sentimentos tivessem? Não iriam embora?
Quem me dera não encontrar letras em Matemática. Porém, para tudo há uma boa interpretação.
Que graça há de ter em se seguir um Plano Cartesiano? Que graça há de se seguir qualquer plano?
Bom mesmo é saber para onde se quer ir, ter em mente objetivo traçado e mesmo assim mudar de idéia a cada passo, alternar a rota de chegada quando for necessário. Planos tornam o caminho sem cor, é como ter uma parábola traçada para cada um de nós, nossos sinais de positivo e negativo, nossos futuros certos.
É como ser uma bolinha. Talvez, pintada, talvez, não. Mas assim, dominadas pela matemática exata dos homens e deles suas passagens sem riscos. Os eternos covardes com explicações para tudo”.

(Risos)

19 de Abril de 2005

3 de dezembro de 2006

Sobre Maria e Ginkobiloba

Ao andar por aqueles caminhos deixara pequenas lembranças para quando resolvesse voltar. Não deixara pedaços de pão, nem doces, não arrastara uma corda, nem mesmo comprara um mapa. Somente aqueles pequenos momentos a transportariam.
O sonhar a faria conhecer a estrada para casa, mesmo tendo encontrado o habitat da Bruxa, mesmo em perigo.
Porém, quando estas memórias da menina são roubadas não existe mais caminho de volta, não existe mais saber, não existe mais casa. Tudo então vira passagem, tudo então fica perdido. Acuada, criará seu novo ponto de partida, criará sua nova avenida e quando decidir voltará a sua casa. E qual das tantas será?

“Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar”
(Los Hermanos)

28 de novembro de 2006

E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância



Tempos destes encontrei entre caixas empoeiradas e traças livros da minha infância. Uma porção deles. Só a pouco voltei a abri-los e o escolhido foi Antoine de Saint-Exupéry em sua inesquecível fábula sobre o menino em seu planeta desabitado.
Era como voltar a ser criança, ter novamente medo de ser comida por uma Jibóia e convencer-me de que sim, flores falam.
Tenho vontade de passear por esta Via Láctea, o desconhecido chama-me atenção. Seria assim como flutuar, ir de par em par, fazer novos amigos – todos diferentes. Seria como fugir ao inatingível.

“Se tu vens, por exemplo, ás quatro da tarde, desde as três horas eu começarei a ser feliz” (O Pequeno Príncipe)

Silêncio

Os segredos de amor. Não há no mundo segredos maiores como o infinito diálogo dos apaixonados. Estes têm entre si uma conexão invisível, é estar discutindo a variedade de sensações no silêncio do passar das mãos, é estar apenas de mãos dadas e saber exatamente onde se quer estar.
Estes mistérios nunca são compartilhados com meros mortais; eles não entenderão. Ficarão perdidos em seu mundo comum e suas vidas medíocres - repletas de orações compostas e marmotas. Chamarão de tolos e loucos, marionetes do sentimento, para pior. Eis os que raciocinam demais. Acabam por perder o melhor de tudo.
O homem desde sua criação sonha com máquinas supermotoras e alta tecnologia para descobrir o que exatamente o outro pensa. Há quem arrisque feitiçaria, há quem olhe fixamente para os olhos. Bobagem. É preciso apaixonar-se para saber, deixar-se levar, ficar bem quietinho, ir sentindo devagarzinho e então ouvir o coraçãozinho da menina sussurrar: Morrerei em sua nuca.
Mesmo que o menino esteja adormecido.

“E só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificar” (Cazuza)

Dos olhos d'água



Tão somente menina, adornada de laços nos cabelos e sapatilhas apertadas nos pés. Aladas, com jeito de voar para onde fosse, mesmo que somente em seus sonhos. Seus olhos negros contrastavam com as águas calmas daquele velho lugarejo, a pequena praia escondida entre as montanhas de seu pensamento. Acompanhavam as ondas como sinfonia dos silêncios, poderia até mesmo escutar a voz de seu amor. E este sussurrava no coração da pobre menina:
-Terra a vista Marujos!
Todos o dias traçava o mesmo caminho pela areia branca, repleta de bichinhos que a menina faziam companhia, todos os dias ficava a olhar o mar e esperar. Dia este que nunca chegava. Desvanecida de amor não perdia suas esperanças, fitava as ondas, fitava o céu, olhava para dentro de si e nada avistava.
Cansada da longa espera resolveu mudar seu rumo e caiu. Um abismo tão profundo e intenso. Lá não havia ar, nem cor, nem bichinhos para se conversar. Tudo era cinza, feito de concreto e aço, como um grande e feio monstro.
Acordou assustada, olhou imediatamente para seus pequenos pés e neles não encontrou suas asas, olhou em sua volta, fechou os olhos almejando voltar a adormecer, abriu-os novamente e deparou-se com uma vida inteira a esperar por seu amor, não mais em sua nuvem, mas em seu mundo real.

“Morena dos olhos d'água, tire os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho
pra lhe dar". (Chico)

27 de novembro de 2006

Blogs"popular"

Situação engraçada ontem. Ao estar entre amigas surge a pergunta:
- Lanninha és tu quem escreve teu blog mesmo?
(Deparei-me uma porção de vezes com textos meus publicados em orkut e etc, engraçado, penso. Fico um tanto lisonjeada por fazer com que alguém se identifique com minhas besteiras e sentimentos mal expressados. Ao mesmo tempo fico chateada por ver se tornar algo tão banal, “perfis” de pessoas desconhecidas. Minhas mil vírgulas, minhas características, tão bobas e tão minhas. Como tudo, seus dois lados.
É legal. Mundo cibernético, sabe como é...)
- Sim Pampers, sou eu quem escreve tudinho.

13 de novembro de 2006

E acorda babando

Descobri.
Já sei.
É um conversível que quero agora. Vermelho ou preto, porém é necessário um som muito potente. Quero recuperar meu cd do Aerosmith, ele combina especialmente com este carro.
A passagem de cada placa o sentimento de liberdade vai aumentando, o longe das coisas materias, de um porto, mesmo no chão sentindo-se nas nuvens, como se houvesse asas gigantescas. O vento nos cabelos parece arrancar os males, leva-los embora, deixar somente a esperança de encontrar diversão, falta de monotonia, o Diferente.
É necessária à distância de nosso ponto fixo para pensarmos onde realmente estamos, onde realmente queremos chegar. E o que fazer com tudo “isso”.
Um milhão e sete coisas para se fazer neste momento, muitas escolhas, estudos e chatices, deixa para lá. Eu vou terminar de ouvir minha música.

E depois... Aperto play novamente.

9 de novembro de 2006

O real mundo imaginário

Esta é a história real sobre o mundo imaginário da menina que odiava esperar.

Nasceu careca feito macaco, a família (de loucos) acreditava que fosse um Sagüi. Vingança de Deus, ou não, virou só cabelos. Pretos feito feijão.
Sua impaciência tornara-se característica principal de sua personalidade, e claro, o modo como não conseguira parar de mexer o pé. Não descansava, e seguindo na controvérsia era extremamente sonolenta.
Reza a lenda que em um dia de sol esperou seu pai. E esperou. E esperou. Ela odiava esperar. Ela odiava perder seu precioso tempo, mesmo que o tivesse pela vida inteira. Mesmo que desse não tirasse proveito, porém o era dela, e dela ninguém o poderia tomar.
Furiosa estava a menina, pensando em um milhão de formas para reverter a tal situação. Foi levada ao dentista. “Estes lugares brancos dão calafrios”. Esperou por sua consulta. Leu revistas. Bateu trezentas e sete vezes com sua unha no braço da cadeira. Observou as atendentes, cada qual com seus detalhes, o batom vermelho na boca da moça e seus dedos correndo rápido pelo teclado da máquina, pensou por um segundo na vida e desistiu. “É chato pensar na vida”.
Esperou para ir embora. Perdeu-se entre as ruas da pequena cidade, foi para onde nem Deus sabe o nome. Esperou para gravar um filme. Esperou para ver filmes. Esperou que novamente buscassem-na.
Quebrou a pequena cabeça. Como poderia fazer com que ganhasse seu tempo perdido? Como poderia fazer com que o tempo voltasse? Como viver seus momentos mais desejados sem nem mesmo sair daquela posição?
A menina usou seu artifício mais precioso: a imaginação. Entre estrelas e nuvens brancas criou seu próprio relógio. Viajaria pelo tempo quando quisesse.
Passou a noite olhando o céu, viu o nascer do sol, dormiu segura. Acreditou que a partir deste dia não “perderia” mais o tempo. Descobriu que este a pertencia, e somente a ela, sempre o encontraria e sempre se entenderiam. Pois ela o cria.

E nunca entendem porque a menina se atrasa tanto. Ou porque deixa de ir a certos lugares, deixa de viver certos momentos. Ela tem seu próprio tempo. Ela faz seu próprio tempo. Ela mora perdida em seu mundo de sonhos, porém, segue odiando esperar e vai sempre reclamar da lentidão das pessoas normais...

17 de outubro de 2006

Bem que minha mãe chamava: LILI

Overdose de Mario Quintana.
Confesso que o lia muito, e adorava, agora posso me considerar uma de suas maiores fãs.
Tenho sorrido demais nos últimos tempos, suas poesias tem me transportado a um mundinho encantado, como ao ler ouvisse as palavras doces de uma criança.
É mágico, divertido e bonito (mesmo que eu não acredite na palavra “bonito”), é doce e talvez insensato, o que torna interessante e ao mesmo tempo desleixado, como se não desse bola.
É motivo de graça meu jeito de criança, a voz fina e manhas, porém tenho me identificado muito com a que leio, as coisas nas quais encontro beleza (estranhas, tudo bem) e dessa forma querendo morar naquelas histórias.
Espero que a criatividade dos que me cercam e nossa força de vontade orgulhe o Passarinho que estará nos vendo do melhor ângulo, e que desta forma façamos a melhor apresentação que esta escola já viu, ENCANTADA, como o tema que levamos a passarela.

8 de outubro de 2006

Pode soltar?

“Os franceses, por natureza, são mais arrogantes do que valentes; e no primeiro ímpeto de quem pode resistir à sua ferocidade, tornam-se humildes e perdem o ânimo" (Maquiavel)


A covardia faz do homem tolo, peça secundária do xadrez das emoções. É quando deixam seus prazeres de lado procurando concentrar-se em um só objetivo, permanecer intactos quanto a forças exteriores, e quem sabe, até mesmo proteger-se de si.
A covardia alimenta-se de vontades, destruindo não somente o homem, mas a quem o cerca, como um grande vendaval. E neste apresenta-se das mais variadas formas, em lugares nunca vistos antes. Levando a falta de ideais e causando o impacto descontrolado da alma, a perda do “eu”.
Há quem duvide de seu poder, pobres arrogantes tentando imaginar-se superiores, mesmo sabendo que esta já pode destruir reinos e romances, estes não possuem valor algum, pois não passam de mentirosas marionetes da fraqueza.
Após ter levado a tranqüilidade e dignidade a covardia leva também o amor aos demais, em um rastro de lamentação profunda, transformando o homem em bicho egoísta querendo cuidar apenas de si.


É quando aterrizamos...