
Aceito doações de estômagos.

Eu não tenho ossos de vidro, não sou de açúcar, aprendi a cair, levantar, me decepcionar e acordar no dia seguinte com a cútis em perfeito estado. Já errei muito, já quebrei a cara, falei o que não devia, já fui forte, mimada, sensível e birrenta. Mas, nunca, nunca perdi minha essência, minha personalidade, nunca me deixei de lado, inclui sempre meus defeitos – e pô, algumas qualidades! -.
Passei a noite pensando nisso. Quieta. Muda. Olhando para cima como se esperasse uma resposta dos céus. “Ei, me solta!”, era o que queria dizer a essa barreira invisível e abominável que me cercou durante esses dias.
Se tudo der errado a gente conserta, se o pneu furar a gente troca, se o dinheiro acabar a gente ri, se o sono bater a gente toma café, e dorme, lógico. Se a música arranhar a gente lembra dela mais ainda, se o barco afundar a gente nada, se os pêlos do braço se arrepiarem a gente se rende.
Não quero ter “esse medo infantil de ter pequenas coragens”, quero largar o mulherengo Vinicius, e ser Chico, “agora eu era um rei, e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz”. Quero ter, além de todos os prazeres, a certeza de que se a história borrar, apagamos tudo e desenhamos mais uma vez.
“Eu gosto é do estrago”, e no final, assim imenso, quero apenas, pelo cabelo, pela pele, pelo pescoço, pela boca, tua, minha, ser fiel a nós, e a nossa vontade. Saltei. Segura o tranco.
Talvez eu leia Martha Medeiros há anos porque ela diz exatamente aquilo que eu pensaria dizer, e é muito mais fácil quando alguém organiza nossos pensamentos – acredito que é esse o motivo da legião de fãs, feministas, autoritárias, “loucas e santas” que lêem também).
Pessoas que me fazem pensar? A pessoa que me faz pensar? Eu diria que é o ponto máximo que alguém pode fazer-se notar. Vai além do rímel, do batom, do vestido bem escolhido, do jeito como ela o trata, do bom filme que ele viu, do tênis que ele soube usar ou o bom cd que gravou.
Ele faz ela pensar. Basta. “Royal Straight Flush” . Nada é mais interessante do que raciocinar, uma centena de dúvidas, pensamentos, “uma provocação de estranhamento”, “uma alegria no dia”, é como a arte, é como a poesia, é como uma intervenção, lembra?
Tu és antimonotonia, que espanta o tédio, inspira loucuras, me liberta, faz eu atravessar a rua, tu és arte e poesia, és uma intervenção na calçada, é algo que faz modificar meu dia, tu me faz pensar... E isso... Isso sim é um encantamento.
E como já dizia a Martha: “Esses são os melhores amores...”

“Você sonhava acordada, um jeito de não sentir dor, prendia o choro e aguava o bom do amor”
Eu só conheço mulher louca. Pensa em qualquer uma que você conhece e me liga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.
Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: Só sendo louca de pedra.”
Ela é rude, mas aprendeu com o tempo que todos têm seu valor.
Ela é simples, no jeito de se vestir. No jeito de calçar os sapatos. No modo como usa seu all star velho e amarra os cadarços com lentos lacinhos.
No entanto, mesmo assim, ela é tão sofisticada. Discursa tão bem e tão bonito. Convence qualquer um. De suas loucuras, de seus temores.
É intensa. Profundamente enriquecedora. Culta. Inteligente.
Uma mulher do século XXI, com os princípios de uma princesa medieval.
Ela é meu cérebro. Meu ponto de partida e de chegada. É minha irmã. Minha cúmplice. Minha consciência. Minha festa. Meu alvoroço. Meu silêncio.
São tantos os vocábulos que te definem. É tão profundo meu sossego quando penso em nossa amizade.
Tu és uma mãe. Uma filha. Um livro. Um copo de leite. Tu és um abraço apertado, uma alma que entende minhas loucuras, meus fascínios, minhas aventuras, meus erros e meus acertos. És única.
Te admirar se tornou um hábito. Desde as primeiras poesias que escrevias na nossa infância. Já eras tão decidida, enquanto eu mal sabia o que eram rimas. Agora és uma futura jornalista, e eu, eu que mal imaginávamos em uma faculdade. Dou-me de cara com o tempo ultrapassando todas as barreiras.
É mais uma fase que estamos juntas. E mais. Muito mais. Somos o exemplo perfeito da cumplicidade, da amizade verdadeira, do afeto, do carinho. E, posso sim, me gabar disso.
Fazes 18 anos... E um silêncio toma conta das minhas letras. Eu mal sei onde termino e tu começas. Sei exclusivamente que somos a dupla exata. Com muitos sorrisos, muitas histórias para contar aos nossos filhos – que serão primos de sangue imaginário -, com muita sorte, com muito charme, muito xuxexo, e claro, muito sarcasmo. Afinal, o que seria de mim sem as tuas gargalhadas.
Esse é o nosso tempo. Essa é a nossa juventude. E agradeço aos céus, por alguém ter feito meu caminho cruzar com o teu, amiga.
Eu te amo muito
Um beijo enorme e um abraço de urso, daqueles.
Ontem teve show de uma das minhas bandas favoritas, Mundo Livre SA. Esperava menos, muito menos. Menos gente, menos bocas cantantes, menos calor humano.
Recebi muito mais. Um astral do tipo Porto Alegre, muita gente, muitas vozes e um show digno de pagar cem reais.
E digo mais. Digo que, ouvir e ter ao meu lado um fã de Slayer, dizendo: Esses caras são bons. Não tem preço.
Não tem mistério
Não é do bicheiro
Não é do malandro
Não é canarinho
Não e verde e rosa
Não é aquarela
Não é bossa nova
Não é silicone
Não é malhação

E X C U R S Ã O
Retorno – dia 1º/08/08 ao término do Congresso
*35 lugares

Eu aderi ao “ser mutável”. Uma mulher deve ser tudo. Coisinha que não me agrada, é ser essa coisa tal, de blasé. E o pior é que a modinha pegou. Eu gosto mesmo é de falar. “Oi, tudo bem?”
Gosto de arte. Aliás, aprendi a gostar mais de arte na faculdade. Eu faço Design. Pensei em ser advogada, mas essa coisa toda de justiça não me serve. Pensei em ser engenheira, arquiteta, modista. E acabei fazendo Design Gráfico. Sorte a minha que acertei em cheio.
Passei anos da minha vida só ouvindo Los Hermanos e bossa nova, adversa a qualquer cultura inglesa que poderia aderir as minhas entranhas auditivas. Já fui meio revolucionária também. Abri mão da política faz tempo, talvez como um interesse de criança que vai embora com o amadurecimento. (Hoje em dia, escuto Beatles enlouquecidamente.)
Eu sou ciumenta, e descobri isso a pouco. Quando os Hermanos eclodiram fiquei frustrada. Quanta ignorância. É bem coisa de brasileiro achar que quando algo faz sucesso fica ruim. Coitadinho do Camelo. Continuou com as mesmas habilidades de sempre. Talvez os meus ouvidos é que tenham se desenvolvido para apreciar outros costumes. E até achar a língua inglesa bonita.
Sempre odiei inglês. Na escola só colava da minha melhor amiga. Ela é fera. Faço Francês e acho lindo. Com biquinho. Tenho até boininha. Um dia vou a França, como em toda a Europa. De mochila, vou fazer Design de Automóveis. Um sonho clichê. Mas é meu, e tenho muito carinho por ele.
Tenho crises de auto estima como toda menina. (Não sei se o termo correto é “menina”, mas ainda me considero a filhinha do papai, e acho que se encaixa.) Choro, esperneio, faço regimes com maça e leite. Porém, não abro mão do Vanilla Expresso depois de uma boa festa. Por sinal, AM/PM para mim são uma tentação.
Posso ser legal, quiçá eu seja comum, meio idiota, simplória e viva falando bobagens. Mas acredito que ser livre de padrões me faz bem. Eu não quero me encaixar em nenhum grupo de traços típicos. Se der vontade encarnar a Cory Kennedy, tudo bem. Ou quem sabe, Audrey cheia de classe e glamour? Posso sair de um táxi, ouvir Moon River, tomar um café da manhã na Tiffany's de sapatilha.
Eu gosto de ler, gosto de futilidades, gosto de política, gosto de música, gosto da minha coleção de óculos escuros, gosto de comprar bugigangas, aliás, eu amo comprar bugigangas. Gosto de tantas coisas, que por mim, fazia vestibular até acabaram-se as profissões. E gosto de ser assim. Apaixonada. Bobalhona. Sonhadora. Eu não quero ser blasé ou tagarela. Já passei da fase de querer montar uma imagem para ser vendida.
Agora, eu tenho a real convicção que ser “banal” não está nos amigos, nas roupas, na maquiagem, nem no cabelo. Ser comum é ser igual a onda dos outros. Eu gosto é de misturar.
E bicho, eu sou psicodélica.



O resumo de todas as palestras foi: Seja meio maluco e arranje um pé de meia para começar um negócio. (Meio caminho andado).
A palestra da AG2 foi legal e hilária. Tudo bem que o moço disse apenas: “Pensem nos próximos 10 anos”. Tudo bem que isso durou uma hora e meia. Tudo bem. Certeza que ele deve ter perdido a hora. Se designer da AG2 fosse eu, diria: -Oi. E pediria cachê.
Tempo é pixel. E pixel é dinheiro.
Para ganhar um cd (com um jogo, um tanto quanto, lento), pergunto eu:
AG2man - Quantos anos tu tem?
Lanna - (Ã?)
Lanna - Dezessete.
AG2man - Pensa daqui a 10 anos.
Valeuz/ae!
Momento interessante da aula:
“A Associação dos Designers Gráficos surgiu porque nunca sabíamos como explicar para mãe e para sogra como poderíamos nos sustentar. Fizemos uma bienal e mostramos nosso trabalho”.
“Desde quando acordamos ao nosso redor há Design. A pasta de dente, o café, a embalagem do leite. O nosso mundo é desenhado. E as pessoas acham que isso vem de onde, da natureza?”

