Ando numas de fazer coisinhas. Só coisinhas. Fazê-las. Escrevê-las.
Inventei que escrevo um diário também. E, veja só, isso me faz escrever mais. Coisinhas.
Numas que entro na agonia de ligar pros amigos dizendo que quando chegar no Rio quero
espalhar alguma coisa por lá. Cartazes, bilhetes, alguma coisinha pelo Rio, como
a gente fazia na faculdade, "tenham idéias, tenham idéias". E ninguém levando muita fé “tá, tá, tá, a
gente faz”. Só pelas coisinhas. Criar coisinhas. Tava quietinha lendo e imaginando
que cossitas podia fazer por aqui também, sem alegria de viagem, com aquele
sentimento de casaaindanãocasa mezzo estranho que tenho com a cidade. Coloquei pra
tocar uma música do Tom porque o Tom sabe de coisinhas. E, do banheiro veio uma
voz: “porqueee fooooste na viiiida a úúúúltima esperança”. Que momento bonito
foi esse. E eu rindo e dizendo “que momento bonito foi esse”. E, a despirocada da Eduarda cantando sem entender nada, “eu nem sei como sei essa música, bonito o quê?, tu
é maluca?”. Devo ser meio maluca. Meus amigos me fazem ser mais na maioria das
vezes. Por isso essa vontade louca de espalhar coisinhas por aí, cartazes,
bilhetes, pinturas, qualquer coisa. Pelo coração aberto. Pra abrir o coração do
outro. Colocar pra fora. Fazer com que o outro cante Tom Jobim no banheiro e
ache lindo, ou não, ache engraçado ouvir uma voz interpretando uma música
triste como se fosse karaokê e de tão engraçado bonito. Arte é outra coisa. Eu
sou humilde. Eu só quero fazer coisinhas. Eu quero meus amigos de coração
aberto. Eu quero que as pessoas que vejam coisinhas abram o coração.
5 de novembro de 2012
4 de novembro de 2012
por um domingo só disso e ócio
E eu tinha dezenas de tarefas (inclusive domésticas das mais
urgentes) pra hacer. Que difícil a vida daqueles que postergam (sempre que dá).
Embolamos tudo. Bem fazia minha mãe que servia a janta e logo já lavava os
pratos e logo já estava tudo pronto e logo já partia pra outra tarefa. Nós (os tais postergadores) nos damos mal
sempre. Passamos um dia inteiro fazendo as tarefas que poderíamos ter feito um
tantinho a cada dia. Me encontro aqui na frente de um computador que me avisa “FALTAM
AINDA MUITAS TAREFAS”. Muitos checks não dados. Me encontro sem concentração
nenhuma pra hacer absolutamente nada. Tela em branco. Música ali. Música acolá.
Andadinha pela casa. Senta de novo. Olha, o São Paulo fez gol. O pai que passou
uns dias aqui (e deu show nas teorias mais diversas) deve estar feliz. E a tela
segue em branco. Calor danado na rua, pessoas passando com mate em punho e deixei
o meu no sirviçu no pensamento de “amanhã eu pego, amanhã sem falta eu pego”. Não
tenho mate, nem inspiração. Só tenho tarefas e tarefas em um domingo calorento
onde todos os que não embolam estão na rua desfrutando de seu dom divino de não
embolar. Olha, o Fluminense fez um gol. Complicou. Mas, facilmente aceitaria um
pedido de casamento do Fred. Passarinho cantou. Pompinha passou perto da
janela. O juiz deu quatro minutos de prorrogação. E a vida passando. Nós, os postergadores
de tarefas, temos uma facilidade tremenda em aceitar prorrogações e acabamos
sofrendo no domingo. Ah, os domingos. Como são cruéis os domingos.
30 de outubro de 2012
toque de queda
Me convenci que o melhor era aceitar meu motivo justo. Saí do
trabalho, passei no supermercado, comprei vinho branco, conversei com a moça, “eles
vão conseguir, eles vão acabar com tudo, fui no Bambus e tava horrível, tu nem
sabe” (como se não tivesse comentado isso comigo umas 78 vezes e eu 78 vezes
com a mesma cara “eles nunca vão conseguir acabar com a boemia, fica tranquila”).
Comprei uma taça enorme, acho que se eu me esforçar minha cabeça entra dentro
dela e eu vou parecer um astronauta (ou um escafandrista, veja que bem tal
semelhança). No vinho tinha kiwi, maçã e laranja, coloquei pra comemorar o
verão (ou a primavera, que seja, os moços da previsão que decidam). Ficou colorido, lindo. A Duda bateu aqui preocupada. Vinho? Hoje? E a
academia? Descomplica. É terça, é dia de comemorar o verão (a prima Vera, que
seja, que piada horrível). “Ihhh, sei não”. A janela merece. O ventinho quente
que bate quando a gente senta nela, merece. “Merece, merece”. A Luísa mandou um
link: um site que combina o que estamos escutando com o drink que temos que
beber. Deu whisky, era Drexler. Tô um pouco errada. Aqui tem Drexler. E, essa
capa é uma das melhores capas de disco do mundo inteiro. Quiçá a melhor, no meu exagero. Uma cama branca, bagunçada, de quem acabou de acordar,
amar, ficar junto, só junto, acordando, bagunçando, amando, puxando pra um
lado, pra outro, puxando o outro pra um lado e pro outro. Ouvia muito esse
disco quando fazia aulas em Porto Alegre. 2010. Que ano puxado. Que inverno do
cacete foi aquele. Muitas e muitas noites na rodoviária esperando o próximo
ônibus pra Pelotas e pensando “quem dera uma cama branca, gigante, cheia de
travesseiros”. E eu nem sabia. Quem dera ficar junto, ouvindo, só junto,
acordando, bagunçando, puxando a coberta. Quem dera poder ligar pra avisar que
acabou a primeira garrafa e é preciso que traga a segunda. Traz mais uma, vai
faltar pra te ver gargalhar! Eu quero te ver gargalhar. Uno no elige de quien se enamora, ni elige que
cosas a uno lo hiere, não é mesmo? Mas, tudo bem. É verão (primavera, que seja,
que eles decidam). Acabou o vinho. Acabou tudo assim, acabado, no silêncio. Eu
que nunca soube lidar com silêncio, silencio. Da janela as pessoas foram
deixando de passar, os carros foram indo embora e o silêncio. Silencio. O
vinho, meu calcanhar de Aquiles. Talvez o nosso. La noche estaba cerrada y las
heridas abiertas. O vinho, meu calcanhar de Aquiles, mandou lembranças no
silêncio. Cualquier contrasentido hoy cobra sentido y se vuelve dilema para
este corazón anhelante. E, sem a segunda garrafa é fim. Meu motivo justo. Todos
os motivos justos. Todos voltam a sus puestos.
motivos justos
Calorão. Início da temporada de sentar na janela. Dúvida cruel se troco academia por passar no super pra comprar uma garrafa de vinho branco pra deixar gelando. Sentar na janela com o livro novo. Beber o vinho em um copo porque minha casa não tem taças. Calorão. Início da temporada de ainda ver o dia no final do dia na minha janela. Início da temporada das florzinhas roxas que ficam caindo na calçada, dos velhinhos que acordam cedo pra dar jeito na bagunça delas, no colorido que elas deixam na rua. Desisti da academia pra comemorar o início da temporada de ser feliz. Viva o calorão! Viva o vinho branco gelado na janela de uma casa que não possui taças! Viva!
26 de outubro de 2012
não tem de quê
A Rosa veio chorando pela rua. Que Rosa que chora, como chora essa Rosa. Chegou aqui era só orvalho. Ô Rosa. Explica, Rosa. Fala, Rosa. "E por isso não vale chorar", Rosa. Tanto choro era culpa do moço? Era culpa da Rosa? E a Rosa chorando segurando o coração apertado. Fala, Rosa. Conta pro moço, Rosa. Conta pra ele da prova de amor. Conta pra ele, Rosa. Conta pra ele que prova de amor é fazer com que o amor não exista. Conta pra ele que prova de amor é podar o amor. Conta pra ele que prova de amor é cortar o amor pela raíz. Conta pra ele que Rosa que corta o amor pela raíz vive à Deus dará.
ei você aí
Perdi o cartão magnético que me autoriza a entrar no prédio do "serviço". Uma vez a Camila Morgado, que é chata, mas numa boa entrevista pra Lola disse: se a gente fala "serviço" sai o encanto e entra a vida real (eu não lembro na verdade, mas era algo assim). Perdi como perco várias coisas pela vida. Como já perdi celular, brincos (mais um dos vários motivos que me fizeram parar de usar brincos), dinheiro. Pratico o desapego todos os dias com as minhas colinhas de cabelo, por exemplo. Perdi. Fiquei usando um provisório porque pra conseguir um novo preciso pagar uma nota. Ainda bem que os porteiros me chamam pelo nome e nunca deixam de dizer "bom descanso, Lanna". Hoje acordei cedo, tomei banho, botei pra tocar o Letuce que tinha gostado, deu até tempo de secar um pouco o cabelo. Desci as escadas e em cima da minha caixinha do correiro tava o tal cartão magnético. Ele é todo branco e não tem nome e eu não sei quem foi a pessoa que o achou, nem onde, nem como colocou em cima da caixinha do correio, nem se essa pessoa sabia que eu era atrapalhada e que perco coisas. Só sei que eu fiquei feliz. Ah, e os porteiros também. Obrigada pessoa boa que fez questão de ajudar o próximo. O carma bom vem em dobro!
22 de outubro de 2012
sobre a Luli e pecados
Quando a gente era adolescente, com uns catorze, quinze anos, por aí, a Luli tinha um apartamento que nós transformamos em um ninho. Era diferente. Ela morava com a mãe e a mãe dela nunca parava em casa. Isso fazia com que a gente tivesse a total liberdade de colocar música muita alta e de nos alimentarmos muito mal. Nuggets, quase sempre. Só ouvíamos as mesmas músicas e os vizinhos cultivavam um grande rancor por aquela baderna. Principalmente o síndico gordo e suado, que era um cara mau. Ficávamos alternando entre o dvd do Tribalistas e Los Hermanos (e a gente se orgulhava muito que "só a gente no mundo inteiro" gostava de Los Hermanos, porque éramos meio imbecis nesse sentido). Desenhávamos nas paredes, escrevíamos poesia, discutíamos sobre amor e sofríamos, sofríamos, sofríamos por amor, mas na maioria das vezes inventávamos só pra poder sofrer mais um pouquinho porque achávamos bonito. Eu até desenhava, veja só. A Luli sempre foi artista. Com a Luli eu aprendi que algumas pessoas simplesmente nascem com a arte no coração, outras não. Acho que nunca disse à Luli o quanto sinto falta de ir chorar no colo dela, me enrolar no edredon da Pocahontas e pedir "Luli, arranca isso de mim". Eu sinto falta, Luli. Eu sinto falta de um tempo que a gente inventava isso pra criar mais bonito, pra chorar ouvindo Los Hermanos. Eu sinto falta. Faz alguma coisa, Luli.
Falados os segredos calam
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu
Pecado é lhe deixar de molho
E isso lhe deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus
E isso lhe deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus
Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render
16 de outubro de 2012
a descomplicada do Bonfa
Eu gosto da Duda porque a Duda simplifica. A Duda é minha vizinha de porta. A gente mora porta-com-porta. Quando me mudei pro prédio demorei a ver que a Duda morava no apartamento da frente. Um dia cheguei do trabalho e peguei no sono, acordei assustada, atrasada pra um show e sem um puto pra pegar um táxi. Vesti o primeiro vestido que encontrei e bati na porta da Duda pedindo dinheiro emprestado. O que me faltou de vergonha na cara sobrou na Duda de boa vontade. Desde lá era isso, abridor de vinho pra cá, bilhete agradecendo um favor pra lá e de vizinha a Duda passou a ser a Duda que simplifica tudo. Quando a Duda sente vontade de alguma coisa, ela fala, simplifica. Discursa alto, reclama, anda pra lá e pra cá segurando um cigarro, "hoje preciso de um cigarro, só hoje", conta dos casos capengas de amor e faz piada, ri da maioria deles. Quando a Duda quer alguma coisa, segura a Duda. Mas, ela simplifica. Ela não complica. Subindo as escadas teoriza: sim, é lucro, não, continuo na mesma e a minha mesma é boa. A Duda não complica. A Duda me descomplica. E, desde que a Duda virou a Duda que me descomplica, toda vez que vou complicar a Duda abre a porta e diz: só vê se não complica. E, até tento orgulhar a Duda porque ela fala alto e com muita ênfase. Descrente, a Duda que me descomplica as vezes perde as esperanças em mim: tu vai complicar né? Vira, resmunga e bate a porta: vou até fumar um cigarro. Eu gosto da Duda porque a Duda simplifica, mesmo que não consiga.
14 de outubro de 2012
ora pois
Acabei de receber um email de uma amiga que está em
Portugal. Que coisa. Amigos espalhados pelo mundo. Que saudade dos meus amigos
todos juntos, todos na mesma cidade, mesmo que nós não nos víssemos todo dia. Que
coisa. Que pensamentinho de gaiola. Foi o mundo, então, que cresceu? A gente
cresceu. Ela estava feliz, impressionantemente feliz. Imaginei as ruas
que ela descrevia, os prédios, ela toda artista fotografando, se inspirando,
vivendo, criando, embelezando o mundo. A maioria dos meus amigos embelezam o
mundo. Deve ser por isso que tenho tanto orgulho deles. Deve ser por isso que
tenho tanto orgulho dela lá. Ela que sempre disse que ia e foi. E só avisou, “to
indo”. Que coisa. Que lindo. Ser livre assim. Que lindo ser livre assim, que
lindo crescer assim, que lindo embelezar o meu dia com um email assim, que lindos são os emails longos. Que lindo. Que linda!
13 de outubro de 2012
tudo sobre minha mãe
Desde que sai de casa
passei a ter saudades antigas (porque existe a saudade nova, aquela de tempo
recente). Não tenho muitas saudades do meu quarto (que virou quarto de
hóspedes), por exemplo. Nem dos vinis do meu avô que ficavam espalhados nas
paredes, nem dos quadros da Audrey, nem de sentir medo de ir até a cozinha porque tinha que
andar o corredor inteiro. Não. Minha saudade ecoa em coisas específicas, como a
mão da minha mãe. A minha mãe tem a mão mais bonita que já vi. E sei, porque
reparo em mãos. Muito. A minha saudade propagou nas mãos da minha mãe fumando Benson
Mentolado, nos tempos em que ainda era bonito fumar. Meados de noventa. Tenho a
cena gravada. Unhas compridas, esmalte sempre clarinho, dedos finos e longos, o
tal Benson Mentolado. Quando ela se expressava gesticulava com a mão bonita segurando
o cigarro entre os dedos e acabava ficando numa moldura de fumaça. Minha mãe
fumava bonito quando ainda era bonito fumar porque o fazia devagar e porque
tinha a mão mais bonita que já vi. Todos na sala ficavam olhando pra ela. Os
dedos compridos. O esmalte clarinho. Quando lembro dessa cena sinto falta do
cafuné da mãe mais bonita que eu já conheci. Sinto saudade da mão da mãe mais
bonita que já conheci. E é quando não aguento de saudade e acabo dormindo no
quarto de hóspedes.
11 de outubro de 2012
conselhos da moça loira do salão
- Tem que ser queridinha, mas não muito, senão acostuma mal. Tem que se mostrar braba também, mostrar quem manda. Sem essa de ficar sempre fazendo as vontades. Te faz de difícil, mesmo que as vezes tu queira fazer alguma coisa, te abstêm de fazer só pra mostrar que não tá aí, esperando. E, não, nunca, jamais, liga. Se ele quiser vai ligar. Se tu quiser vai ficar esperando. Mas, eu não te diria pra ficar esperando, se tiver esperando, por favor, finge que tá ocupada. Isso serve pra mensagens também. Por sinal, não esquece da regra da comunicação: máximo duas tentativas. Podem ser duas ligações, ou duas mensagens, ou uma mensagem e uma ligação. Se ele tentar se comunicar com mais de duas tentativas, minha querida, é chato. É batata. Daqueles grudentos, pegajosos, eca. Sai fora. Ele precisa ter bom senso. E tu também. Bom, daí se ele se comunicar tu manda uma mensagem. Ele responde. Mas, não dá muita bandeira. Responde o básico. Não te mostra desesperada e nem conta os problemas do teu dia. Sem problemas, os problemas são teus, não dele. Senão vira aquele tipo de mulher problemática que senta na mesa do restaurante e já sai logo contando um problema. Homem odeia problema. Ah, importante, sempre tenha os reservas, eles são essenciais. Valoriza os reservas. Uma conversinha aqui outra acolá. Que daí dá pra fazer um ciuminho. E fica sempre bonita, né gata?, unha feita, cabelo arrumado, rímel, depilação em dia. Faz uma academia também, né, porque... por favor. Mas, assim, te coloca sempre em primeiro lugar. Tem que se valorizar.
- Depois de ser queridinha eu tinha que fazer o que mesmo?
8 de outubro de 2012
"e o próximo instante, eu sei, é quase lá"
Insoniazinha desgraçada que apareceu por aqui. Fazia tempo
que não tinha uma insônia dessas. Andei pela casa, abri a geladeira oito vezes
e nada apareceu, não gostei do filme que passava na Globo, quis escrever pra
alguém, desisti de tudo. Resolvi ler as coisas que eu escrevia há um tempo.
Acho que uma das melhores ideias que eu tive na vida foi fazer o blog. Se dependesse
da maneira como eu guardo as coisas que escrevo, certamente não teria mais
nenhuma lembrança em papel. Onde será que foram parar os meus cadernos? Será
que alguém os leu? Será que reciclaram? Será que eles viraram novos papéis e
agora alguém escreve neles? Bonito, seria bonito. Daí que me dei conta de que a
maioria dos meus dilemas envolvia TEMPO. Eu tinha dezesseis e falava sobre a
dor do tempo passar. Que paranoia com o tempo e eu nem compartilho dos medos
femininos de ver o tempo passar em mim. Fiquei atordoada com essa grilhice de
tempo passar, de perder o tempo, tempo, tempo, mano velho. Me dei conta também de que,
em 2012, temi os vinte e dois. Loucura com o tempo. Eu deveria ler alguém que
me tirasse da cabeça essa coisa. Ou deveria pintar um quadro com um relógio
derretendo e fingir que sou Dali e provar pra mim e pra todo mundo que odeio
relógios. Se nesse quadro o relógio tivesse um inimigo esse inimigo seria o
amor. Vai ver é isso. Vai ver eu era uma adolescente que não gostava do tempo
porque ele era o inimigo do amor. Vai ver eu era uma adolescente que pensou demais
nisso e bebeu cerveja de menos. Eu devia ter bebido mais cerveja pra não
prestar atenção no tempo, pra pensar menos no amor. Eu deveria ter deixado eles
se entenderem sozinhos.
7 de outubro de 2012
"votar sou eu querendo ser nós"
Lá em casa todo ano de eleição era bem agitado, com direito
a muita discussão, carreata, comício, bandeira, adesivo, atenção no horário
eleitoral, meu pai voltando com alguma novidade que escutou na esquina do Café
Aquários. Nos tempos de eleição eles ficavam mais cheios de vontade, minha mãe
ficava mais ocupada e meu irmão fumava mais. Nos domingos de eleição todos nós ficávamos
na sala esperando a contagem dos votos, eles tomavam cafezinho, ansiosos e eu,
no meio, desejava ter dezesseis anos pra poder participar daquilo. Por vezes
tinha festa da vitória com choro emocionado, por vezes eu ficava triste porque
via meus pais desesperançosos. O que eu via era esperança e entendia o que
aquilo representava. Mal sabia de qualquer coisa da vida, mas entendia. No meu
olhar infantil tinham os malvados e os bonzinhos (os quais transformariam o
país em um lugar melhor pra se viver). E, claro, os meus pais estariam ao lado
dos bonzinhos, sempre. Um dia eles desistiram. As bandeiras foram desaparecendo,
os adesivos foram deixando de ser colados e assim por diante. Depois de um
tempo consegui perceber que foi um sentimento que envolveu muita gente. Não só
lá em casa. O que incomoda mais.
Hoje é domingo. Dia de eleição. Tive que justificar meu voto, o que doeu, a sensação foi de colocar toda a esperança em uma sacola de lixo e assinar. Não tem todo mundo na sala esperando a contagem de votos, não tem cafezinho, não tem festa da vitória, não tem partido, não tem lado, não tem malvado e não tem bonzinho. Tem um fiozinho de esperança nos meus grandes amigos que entraram na política e nos meus amigos que se esforçaram em permanecer atentos nas eleições de Pelotas e que, em sua maioria, me pareciam firmes na ideia de mudança. Tem um fiozinho de esperança naqueles que nem conheço, mas que levantaram a bandeira do amor em São Paulo. Tem um fiozinho de esperança na nossa geração. Fiozinho de esperança que, pelos meus pais e pela vontade de ver a melhora do país que sempre vi nos olhos deles, espero nunca perder. O Galeano disse e nesse domingo vou ficar mentalizando: “Esse mundo de merda está grávido de outro”.
Hoje é domingo. Dia de eleição. Tive que justificar meu voto, o que doeu, a sensação foi de colocar toda a esperança em uma sacola de lixo e assinar. Não tem todo mundo na sala esperando a contagem de votos, não tem cafezinho, não tem festa da vitória, não tem partido, não tem lado, não tem malvado e não tem bonzinho. Tem um fiozinho de esperança nos meus grandes amigos que entraram na política e nos meus amigos que se esforçaram em permanecer atentos nas eleições de Pelotas e que, em sua maioria, me pareciam firmes na ideia de mudança. Tem um fiozinho de esperança naqueles que nem conheço, mas que levantaram a bandeira do amor em São Paulo. Tem um fiozinho de esperança na nossa geração. Fiozinho de esperança que, pelos meus pais e pela vontade de ver a melhora do país que sempre vi nos olhos deles, espero nunca perder. O Galeano disse e nesse domingo vou ficar mentalizando: “Esse mundo de merda está grávido de outro”.
12 de setembro de 2012
a falha de Toninho
Eu pego uma roupa emprestada e derrubo mostarda, compro um colar e perco uma pedra, tento fazer um andar sensual e tropeço. Essa sou eu e já aceitei. Deve ser por culpa desse jeito que nunca soube lidar muito bem com quem faz o tipo "jogo de sedução" (nome de música de pagode) ou com pessoas que não são simpáticas logo de cara. É que se eu fizer logo amizade posso ficar suja de mostarda, perder uma parte do colar e tropeçar que não vou me sentir mal. Fica tudo em casa. Toda essa falta de coordenação se reflete em qualquer tipo de relação amorosa. Aceitei, não levo o menor jeito pra isso. Tentei. Vai ver daqui um tempo eu aprenda, ou sei lá, eu posso adotar gatos. E o mais hilário é que nasci no dia de Santo Antônio. Tá perdoado, Toninho, sei bem como é ser atrapalhado.
Quando eu morrer não quero choro, nem vela. Apenas peçam ao Selton Mello pra fazer um filme engraçadinho da minha vida.
4 de setembro de 2012
fé no tempo
Tentei escrever, mas me dei conta de que qualquer palavra se voltaria contra mim e explodiria aqui dentro e meu coração se despedaçaria em tantos pedaços que nem a cola do tempo colaria e, aí sim, tava tudo perdido. É melhor tentar criar pra fora. Que isso tudo exploda em outro lugar. E eu... fico aqui quietinha esperando passar.
http://180cartazesprasairdafossa.tumblr.com/
http://180cartazesprasairdafossa.tumblr.com/
30 de agosto de 2012
pois o menino voltou
-Eaí, me conta.
-Já te deram um "caldinho"?
-Um "caldinho"?
-É, um "caldinho", quando alguém tenta te afogar de brincadeira. Coisa de irmão, bobagem.
-Ah, já, claro.
-Uma vez o meu irmão me deu um "caldinho" sem noção. Eu engoli muita água e saí cambaleando do mar. Tossi, cuspi água, foi foda. Fiquei mal pra caramba.
-Tá, eai?
-Quando as pessoas tentam te dar um "caldinho" tu só tem um objetivo que é voltar a respirar. Tudo isso foi uma mistura de volta de "caldinho" com soneca que se estende até umas 21h e a pessoa acorda perdida e quando a gente faz uma coisa no modo automático - tipo quando tu fecha o carro, entra em casa, volta na rua pra ver se fechou o carro mesmo e já tinha fechado. Eu voltei a respirar ainda meio perdida e preciso aceitar oito meses de vida levada no modo automático.
-Entendo, as vezes eu me sinto assim em festas, só que daí eu tô bêbada. Diz aí, tá feliz?
-Tô bebassa de felicidade.
27 de agosto de 2012
e não me venha com a Simone
Quando eu tinha uns 17 curtia muito a Martha Medeiros (eu também li vários livros do Paulo Coelho com 14 e tô aí, vivona). Eu curtia tudo o que ela falava, me identificava, o Divã era feito pra mim, nossa, a Mercedes tinha problemas amorosos como os meus e tal e coisa. E eu sofria e chorava e escrevia e-mails longos e o meu blog tá aí pra provar a minha chatice. Foi importante pra mim. Importante mesmo. Textos legais organizando o pensamento de uma quase mulher querendo ser mais mulher do que era. Daí o tempo foi passando e eu fui abrangendo a lista dos livros da vida, e gradativamente fui deixando a Martha de lado. Desculpa, Martha, e obrigada por tudo. O lance é que tenho visto as Marthas se multiplicando. Várias Marthas em vários blogs só seus, com liberdade de expressão pra serem exatamente quem são. Mulheres REAIS, com problemas REAIS, que SOFREM quando querem SOFRER e CHORAM quando querem CHORAR. Em caps porque elas são mulheres incisivas e decididas e comandam suas próprias vidas e são donas do seu próprio nariz e zzzzzzzzz. Tá. Daí eu comecei a olhar pra isso com um olhar mais crítico. As novas Marthas têm sempre uma "urgência de viver", pra elas a vida é muito "intensa", pra elas ou "mulher nenhuma precisa de homem" ou elas vivem o maior amor da vida e sofrem muito por isso. Elas são meio parecidas. Ao que me parece, as novas Marthas tão vivendo o auge dos seus 17 só que lá pela casa dos 30. Engraçado, o melhor texto que li nos últimos tempos falava que só os malas ficam dando opiniões e juro que não tô opinando sobre as Novas Marthas Blogueiras de Sucesso. É mais um questionamento. Se o nosso universo cresceu tanto, por que as autoras que tão fazendo mais sucesso são aquelas que falam sobre os mesmos dilemas que a gente tinha, quando adolescente? Sei não. Tô precisando de alguma outra autora pra dar uma organizada nos meus pensamentos.
dane-se o cavalo branco e os grilos
horto sessions #5_nina becker & marcelo callado from horto filmes | clara cavour on Vimeo.
Quando penso nele vem a imagem de um chão de parquet claro e o sol entrando pela janela. Que doidera isso de pensar em alguém e ver imagem de coisa. Faz tempo que tô com essa imagem fixa de casa que se misturou com os pensamentos que envolvem ele. Tô chegando a conclusão que depositei nele toda essa vontade de ver o sol entrando pela janela e batendo no parquet claro de uma casa com poucos móveis. Acho que sempre que eu pensar nele essa ideia e esse sentimento de salvação vão me atormentar. Ele chegando de camiseta do Botafogo e deitando do meu lado no chão, no parquet, me salvando de todos os males e esmagando a agonia desse interlúdio interminável. Nos meus pensamentos eu seria muito feliz nesse lugar. Eu sorrindo e o sol batendo. O sol batendo e eu sem sofrer porque não teria lugar pra despedida, só chegada. Quando penso nele me imagino sorrindo.
Não tem parquet e chove. A minha memória me prega peças e o tempo sacaneou com tudo. Já não sei mais quem é aquele que existe, aquele que existia, aquela bola verde que por vezes manda notícias e o homem do parquet claro com sol batendo. Meu príncipe do parquet claro e sol batendo. Por onde andas?
("Descanse um pouco e amanheça aqui comigo...")
Quando penso nele vem a imagem de um chão de parquet claro e o sol entrando pela janela. Que doidera isso de pensar em alguém e ver imagem de coisa. Faz tempo que tô com essa imagem fixa de casa que se misturou com os pensamentos que envolvem ele. Tô chegando a conclusão que depositei nele toda essa vontade de ver o sol entrando pela janela e batendo no parquet claro de uma casa com poucos móveis. Acho que sempre que eu pensar nele essa ideia e esse sentimento de salvação vão me atormentar. Ele chegando de camiseta do Botafogo e deitando do meu lado no chão, no parquet, me salvando de todos os males e esmagando a agonia desse interlúdio interminável. Nos meus pensamentos eu seria muito feliz nesse lugar. Eu sorrindo e o sol batendo. O sol batendo e eu sem sofrer porque não teria lugar pra despedida, só chegada. Quando penso nele me imagino sorrindo.
Não tem parquet e chove. A minha memória me prega peças e o tempo sacaneou com tudo. Já não sei mais quem é aquele que existe, aquele que existia, aquela bola verde que por vezes manda notícias e o homem do parquet claro com sol batendo. Meu príncipe do parquet claro e sol batendo. Por onde andas?
("Descanse um pouco e amanheça aqui comigo...")
15 de agosto de 2012
notícias da janela
Estão mudando a cor do prédio que fica na minha janela. Era amarelo. Agora é branco. Não sei se é uma base pra ir outra cor em cima, mas por enquanto é um grande prédio antigo e branco. Eu ia gostar se ficasse assim. Tá bonito. O mesmo velhinho curioso segue na porta do prédio ao lado, segue também com a cara de ranzinza. Não deve estar entendendo o porquê dessa balbúrdia toda. Garanto que logo ele toma alguma providência. Mais informações sobre esse capítulo em seguida.
(aqui toca Mautner)
(aqui toca Mautner)
10 de agosto de 2012
8 de agosto de 2012
cadê a aventurice?
Hoje li uma frase que dizia: "cadê a aventurice?". Comecei a pensar sobre isso. Eu achava que se eu dissesse: VEM VAM'BORA! Receberia uma resposta do tipo: PARTIU, SIM'BORA! A VIDA É CURTA POR ISSO CURTA A VIDA! (tinha isso escrito com errorex no banheiro do meu colégio e eu achava incrível). Só que não é assim. Eu esqueci que o tempo passou e que agora as respostas demoram horas pra chegar. Esqueci que agora eu sou "Lanna". Será que a gente virou bunda? Careta? Que medo. Era o meu maior medo. Sempre foi, eu acho. Virar bunda. Vou ficar com isso na cabeça. Vou olhar um casal bunda e pensar que preferiria morrer a olhar assim pra gente. Vou olhar pra eles e pensar: se ele quisesse pular daquela cachoeira de novo, dessa vez eu deixaria, pularia junto, sei lá, não brigaria com ele porque ele pulou de uma ponte só com uma corda na cintura. Porque ele sempre foi meio maluco e se a gente virou bunda a culpa foi toda minha. A culpa foi toda minha. De tudo. Mas, põe aí na mochila grande toda nossa aventurice e vam'bora.
26 de julho de 2012
25 de julho de 2012
24 de julho de 2012
café pra um
Tem uma música da Nina Becker que fala de saudade e que diz "meu café tem gosto horrível". Eu também descobri que o meu café é horrível e eu não consigo lembrar qual era a marca que tu comprava, nem quantas colheres tu colocava, nem quanto tempo tu deixava passando. Eu não sei no que eu tava prestando atenção em todas as vezes que tu passou café, mas devia ser alguma bobagem. Acho que pro resto da vida eu vou tomar "café do padre" (vou seguir levando todos os ingredientes à mesa nos almoços de domingo lá na mãe) e a minha casa não vai ter cheirinho de café passado. Ou, pode ser que um dia eu, simplesmente, consiga. Vai ser um grito de independência. Vou te mandar uma mensagem: "hoje tenho certeza que tô sabendo me virar sozinha". Mas, ainda não sei se vai ser um dia bom ou um dia ruim.
23 de julho de 2012
18 de julho de 2012
take it easy my brother
Quando eu cheguei aqui não pensei muito sobre a logística de certas coisas. O plano era o seguinte: eu acordaria atrasada, colocaria meus fones, me despencaria pro trabalho, no caminho amaria a cidade mais um pouco, na volta passaria no super, iria pra casa, colocaria água nas plantas, escreveria umas bobagens, faria umas comidinhas e viveria a minha vidinha. Tava tudo feito, tava tudo perto e não tinha muita chance de erro (porque se tiver que dar errado vai dar errado comigo, é meu estilo de vida). Só que domingo ocorreu o choque da desordem. Eu fiquei doente. Em seis meses eu tive a minha primeira grande crise de gastrite. Daquelas. Pra acabar comigo. Pra dar um tapa na cara da ordem da desordem da minha vida. Fazia tempo que isso não acontecia. Acho que eu aprendi a viver com a gastrite e ela aprendeu a viver comigo. Eu fumava, eu tomava café e coca-cola. Ela me dava um alô quando eu ultrapassava no nervosismo. E, "assim íamos vivendo em paz". Desde domingo ela rompeu comigo como uma Amélia enfurecida. E agora... eu não sabia o que fazer. O Omeprazol não bastou, a Magnésia não bastou, comer de hora em hora não bastou, dormir igual um caracol não bastou, deitar no chão da sala e acender incensos não bastou. Fui pro google procurar por "hospitais", perguntei aos amigos, fiz o auê necessário. "Onde tem pronto atendimento nessa porra?". A essa hora eu já odiava tudo que fugia do meu controle e, em transe, me imaginava arrancando a cabeça do segurança da Unimed que me avisava: "aqui fecha às 19h, moça". Daí, eu chorei. Chorei porque "queria a minha mãe", chorei porque eu, em sonho, podia sentir o Omeprazol+Buscopan entrando na minha veia com sorinho e cama de hospital e chorei porque o ônibus tava demorando pra cacete. Passei no super, comprei pão, voltei pra casa, coloquei água nas plantas e em forma de caracol escrevi umas bobagens. No meio disso tudo eu dormi. Acordei hoje sem dor. Atrasada. Mas, sem dor. No meio disso tudo... passou. Acho que era um aviso. "Take it easy my brother". Eu prometi que passaria a semana sem café e não fumo há exatos 13 dias. Voltamos a nos dar bem. Voltamos a viver em paz. E, hoje no caminho pro trabalho voltamos a amar a cidade.
9 de julho de 2012
hay que llorar y jamás perder la ternura
Quando tô cansada eu choro. Não brigo com ninguém, não xingo ninguém, não reclamo pro vizinho que ele não tranca a porta do prédio e, de olhar marejado, sigo batendo papo com a caixa do supermercado que ouve meus problemas amorosos. Entro no banho e choro. Sento na cama e choro. Dobro algumas roupas e choro. Mas, passa rápido. É um choro só pra extravasar mesmo, só pra sensação de "dor do mundo" (que eu inventei) ir embora de mim. Daí a dor vai embora e fica só o sono mesmo. Durmo, acordo e nem lembro porque tô com a maquiagem borrada. Acho que se as pessoas aderissem a essa terapia nós teríamos um mundo com menos acidentes de carro e atendentes de loja de mal com a vida. Taí, vou lutar por um mundo em que as pessoas chorem mais.
6 de julho de 2012
2 de julho de 2012
sobre poesia e sorte
"Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi"
O Oswaldo de Andrade disse isso e eu fico pensando: o que será que ensinei pra vocês? Porque eu poderia ficar só ouvindo e aprendendo. Tenho vontade de ficar invisível pra ver como vocês tão levando a vida sem a gente, numa casa sem grito, sem bagunça, sem cabelo no chão e com um neto. Queria ficar olhando e aprendendo durante um tempão. Queria olhar e aprender como é levar essa vida torta e sem projeto que, entre tangos e barrancos, rega a felicidade há tanto tempo. Porque alguém que nasceu do maior amor do mundo deveria ser só aprendizado. Tenho vontade de sair de fininho e deixar um bilhete: "Aprendi com vocês que a poesia é a descoberta de todas as coisas que vi aqui". E, com uma nota de rodapé: "Espero que os meus filhos tenham a mesma sorte".
29 de junho de 2012
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