4 de dezembro de 2006

Achados e Perdidos

(Não há quem não tenha resquícios de vidas passadas, pequenos papéis, bilhetes, cartas, desenhos, objetos, cada qual com sua singularidade. Hoje na arrumação do quarto...)

“Essa aula tem me deixado confusa. Estas parábolas para cima, parábolas para baixo. Bolinha pintada, bolinha sem cor. E que me importa? O que fariam estas se sentimentos tivessem? Não iriam embora?
Quem me dera não encontrar letras em Matemática. Porém, para tudo há uma boa interpretação.
Que graça há de ter em se seguir um Plano Cartesiano? Que graça há de se seguir qualquer plano?
Bom mesmo é saber para onde se quer ir, ter em mente objetivo traçado e mesmo assim mudar de idéia a cada passo, alternar a rota de chegada quando for necessário. Planos tornam o caminho sem cor, é como ter uma parábola traçada para cada um de nós, nossos sinais de positivo e negativo, nossos futuros certos.
É como ser uma bolinha. Talvez, pintada, talvez, não. Mas assim, dominadas pela matemática exata dos homens e deles suas passagens sem riscos. Os eternos covardes com explicações para tudo”.

(Risos)

19 de Abril de 2005

3 de dezembro de 2006

Sobre Maria e Ginkobiloba

Ao andar por aqueles caminhos deixara pequenas lembranças para quando resolvesse voltar. Não deixara pedaços de pão, nem doces, não arrastara uma corda, nem mesmo comprara um mapa. Somente aqueles pequenos momentos a transportariam.
O sonhar a faria conhecer a estrada para casa, mesmo tendo encontrado o habitat da Bruxa, mesmo em perigo.
Porém, quando estas memórias da menina são roubadas não existe mais caminho de volta, não existe mais saber, não existe mais casa. Tudo então vira passagem, tudo então fica perdido. Acuada, criará seu novo ponto de partida, criará sua nova avenida e quando decidir voltará a sua casa. E qual das tantas será?

“Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar”
(Los Hermanos)

28 de novembro de 2006

E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância



Tempos destes encontrei entre caixas empoeiradas e traças livros da minha infância. Uma porção deles. Só a pouco voltei a abri-los e o escolhido foi Antoine de Saint-Exupéry em sua inesquecível fábula sobre o menino em seu planeta desabitado.
Era como voltar a ser criança, ter novamente medo de ser comida por uma Jibóia e convencer-me de que sim, flores falam.
Tenho vontade de passear por esta Via Láctea, o desconhecido chama-me atenção. Seria assim como flutuar, ir de par em par, fazer novos amigos – todos diferentes. Seria como fugir ao inatingível.

“Se tu vens, por exemplo, ás quatro da tarde, desde as três horas eu começarei a ser feliz” (O Pequeno Príncipe)

Silêncio

Os segredos de amor. Não há no mundo segredos maiores como o infinito diálogo dos apaixonados. Estes têm entre si uma conexão invisível, é estar discutindo a variedade de sensações no silêncio do passar das mãos, é estar apenas de mãos dadas e saber exatamente onde se quer estar.
Estes mistérios nunca são compartilhados com meros mortais; eles não entenderão. Ficarão perdidos em seu mundo comum e suas vidas medíocres - repletas de orações compostas e marmotas. Chamarão de tolos e loucos, marionetes do sentimento, para pior. Eis os que raciocinam demais. Acabam por perder o melhor de tudo.
O homem desde sua criação sonha com máquinas supermotoras e alta tecnologia para descobrir o que exatamente o outro pensa. Há quem arrisque feitiçaria, há quem olhe fixamente para os olhos. Bobagem. É preciso apaixonar-se para saber, deixar-se levar, ficar bem quietinho, ir sentindo devagarzinho e então ouvir o coraçãozinho da menina sussurrar: Morrerei em sua nuca.
Mesmo que o menino esteja adormecido.

“E só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificar” (Cazuza)

Dos olhos d'água



Tão somente menina, adornada de laços nos cabelos e sapatilhas apertadas nos pés. Aladas, com jeito de voar para onde fosse, mesmo que somente em seus sonhos. Seus olhos negros contrastavam com as águas calmas daquele velho lugarejo, a pequena praia escondida entre as montanhas de seu pensamento. Acompanhavam as ondas como sinfonia dos silêncios, poderia até mesmo escutar a voz de seu amor. E este sussurrava no coração da pobre menina:
-Terra a vista Marujos!
Todos o dias traçava o mesmo caminho pela areia branca, repleta de bichinhos que a menina faziam companhia, todos os dias ficava a olhar o mar e esperar. Dia este que nunca chegava. Desvanecida de amor não perdia suas esperanças, fitava as ondas, fitava o céu, olhava para dentro de si e nada avistava.
Cansada da longa espera resolveu mudar seu rumo e caiu. Um abismo tão profundo e intenso. Lá não havia ar, nem cor, nem bichinhos para se conversar. Tudo era cinza, feito de concreto e aço, como um grande e feio monstro.
Acordou assustada, olhou imediatamente para seus pequenos pés e neles não encontrou suas asas, olhou em sua volta, fechou os olhos almejando voltar a adormecer, abriu-os novamente e deparou-se com uma vida inteira a esperar por seu amor, não mais em sua nuvem, mas em seu mundo real.

“Morena dos olhos d'água, tire os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho
pra lhe dar". (Chico)

27 de novembro de 2006

Blogs"popular"

Situação engraçada ontem. Ao estar entre amigas surge a pergunta:
- Lanninha és tu quem escreve teu blog mesmo?
(Deparei-me uma porção de vezes com textos meus publicados em orkut e etc, engraçado, penso. Fico um tanto lisonjeada por fazer com que alguém se identifique com minhas besteiras e sentimentos mal expressados. Ao mesmo tempo fico chateada por ver se tornar algo tão banal, “perfis” de pessoas desconhecidas. Minhas mil vírgulas, minhas características, tão bobas e tão minhas. Como tudo, seus dois lados.
É legal. Mundo cibernético, sabe como é...)
- Sim Pampers, sou eu quem escreve tudinho.

13 de novembro de 2006

E acorda babando

Descobri.
Já sei.
É um conversível que quero agora. Vermelho ou preto, porém é necessário um som muito potente. Quero recuperar meu cd do Aerosmith, ele combina especialmente com este carro.
A passagem de cada placa o sentimento de liberdade vai aumentando, o longe das coisas materias, de um porto, mesmo no chão sentindo-se nas nuvens, como se houvesse asas gigantescas. O vento nos cabelos parece arrancar os males, leva-los embora, deixar somente a esperança de encontrar diversão, falta de monotonia, o Diferente.
É necessária à distância de nosso ponto fixo para pensarmos onde realmente estamos, onde realmente queremos chegar. E o que fazer com tudo “isso”.
Um milhão e sete coisas para se fazer neste momento, muitas escolhas, estudos e chatices, deixa para lá. Eu vou terminar de ouvir minha música.

E depois... Aperto play novamente.

9 de novembro de 2006

O real mundo imaginário

Esta é a história real sobre o mundo imaginário da menina que odiava esperar.

Nasceu careca feito macaco, a família (de loucos) acreditava que fosse um Sagüi. Vingança de Deus, ou não, virou só cabelos. Pretos feito feijão.
Sua impaciência tornara-se característica principal de sua personalidade, e claro, o modo como não conseguira parar de mexer o pé. Não descansava, e seguindo na controvérsia era extremamente sonolenta.
Reza a lenda que em um dia de sol esperou seu pai. E esperou. E esperou. Ela odiava esperar. Ela odiava perder seu precioso tempo, mesmo que o tivesse pela vida inteira. Mesmo que desse não tirasse proveito, porém o era dela, e dela ninguém o poderia tomar.
Furiosa estava a menina, pensando em um milhão de formas para reverter a tal situação. Foi levada ao dentista. “Estes lugares brancos dão calafrios”. Esperou por sua consulta. Leu revistas. Bateu trezentas e sete vezes com sua unha no braço da cadeira. Observou as atendentes, cada qual com seus detalhes, o batom vermelho na boca da moça e seus dedos correndo rápido pelo teclado da máquina, pensou por um segundo na vida e desistiu. “É chato pensar na vida”.
Esperou para ir embora. Perdeu-se entre as ruas da pequena cidade, foi para onde nem Deus sabe o nome. Esperou para gravar um filme. Esperou para ver filmes. Esperou que novamente buscassem-na.
Quebrou a pequena cabeça. Como poderia fazer com que ganhasse seu tempo perdido? Como poderia fazer com que o tempo voltasse? Como viver seus momentos mais desejados sem nem mesmo sair daquela posição?
A menina usou seu artifício mais precioso: a imaginação. Entre estrelas e nuvens brancas criou seu próprio relógio. Viajaria pelo tempo quando quisesse.
Passou a noite olhando o céu, viu o nascer do sol, dormiu segura. Acreditou que a partir deste dia não “perderia” mais o tempo. Descobriu que este a pertencia, e somente a ela, sempre o encontraria e sempre se entenderiam. Pois ela o cria.

E nunca entendem porque a menina se atrasa tanto. Ou porque deixa de ir a certos lugares, deixa de viver certos momentos. Ela tem seu próprio tempo. Ela faz seu próprio tempo. Ela mora perdida em seu mundo de sonhos, porém, segue odiando esperar e vai sempre reclamar da lentidão das pessoas normais...

17 de outubro de 2006

Bem que minha mãe chamava: LILI

Overdose de Mario Quintana.
Confesso que o lia muito, e adorava, agora posso me considerar uma de suas maiores fãs.
Tenho sorrido demais nos últimos tempos, suas poesias tem me transportado a um mundinho encantado, como ao ler ouvisse as palavras doces de uma criança.
É mágico, divertido e bonito (mesmo que eu não acredite na palavra “bonito”), é doce e talvez insensato, o que torna interessante e ao mesmo tempo desleixado, como se não desse bola.
É motivo de graça meu jeito de criança, a voz fina e manhas, porém tenho me identificado muito com a que leio, as coisas nas quais encontro beleza (estranhas, tudo bem) e dessa forma querendo morar naquelas histórias.
Espero que a criatividade dos que me cercam e nossa força de vontade orgulhe o Passarinho que estará nos vendo do melhor ângulo, e que desta forma façamos a melhor apresentação que esta escola já viu, ENCANTADA, como o tema que levamos a passarela.

8 de outubro de 2006

Pode soltar?

“Os franceses, por natureza, são mais arrogantes do que valentes; e no primeiro ímpeto de quem pode resistir à sua ferocidade, tornam-se humildes e perdem o ânimo" (Maquiavel)


A covardia faz do homem tolo, peça secundária do xadrez das emoções. É quando deixam seus prazeres de lado procurando concentrar-se em um só objetivo, permanecer intactos quanto a forças exteriores, e quem sabe, até mesmo proteger-se de si.
A covardia alimenta-se de vontades, destruindo não somente o homem, mas a quem o cerca, como um grande vendaval. E neste apresenta-se das mais variadas formas, em lugares nunca vistos antes. Levando a falta de ideais e causando o impacto descontrolado da alma, a perda do “eu”.
Há quem duvide de seu poder, pobres arrogantes tentando imaginar-se superiores, mesmo sabendo que esta já pode destruir reinos e romances, estes não possuem valor algum, pois não passam de mentirosas marionetes da fraqueza.
Após ter levado a tranqüilidade e dignidade a covardia leva também o amor aos demais, em um rastro de lamentação profunda, transformando o homem em bicho egoísta querendo cuidar apenas de si.


É quando aterrizamos...

6 de outubro de 2006

Ele reaparece

Presto atenção em coisas banais, essenciais. A pequena grande diferença entre seus esconderijos. Atenção virada a formas, as mais belas formas de se fazer algo. Como o modo como segura o lápis, colocando a língua entre os dentes, procurando concentrar-se. A forma como lentamente o tempo pára, deixando que por si só o momento deixe levar, deixando-nos levar.
Conversas, horas de conversa, sem pensar em palavras, como se neste momento essas fossem apenas coadjuvantes da dança dos pensamentos soltos no silêncio barulhento dos corações. E assim quem sabe, deixar-se levar ao sim da música, sem querer, querendo algo, prestando atenção nas mãos, sem jeito. Beijo. O beijo e suas milhões de interpretações, controvérsias e mistérios. Como afirmava.
Sendo, presto atenção ao universo em conspiração favorável ao amor, a ela, e ao modo como lentamente levanta-se e enche seu pequeno pulmão de ar. Seja ele qual for.

10 de agosto de 2006

Sobre algodão e castigo

Se alguém olhou o céu hoje, concorde, estava de dar medo. Escuro, cinza, triste, preto e feio. Como se as nuvens estivessem furiosas com os terráqueos.
Entre as tantas burradas que cometemos, não dar bola para elas encontra-se no topo. Preocupados com horários, números e dinheiro não paramos um segundo para somente observa-las.
Então, a chuva. Um pedido de atenção, uma forma de lavar a alma dos seres “cara fechado”, o castigo.
Paremos um pouquinho e contemplemos as tais nuvenzinhas, demos a elas um bucadinho de atenção, um tantinho de nosso precioso “tempo”. Naqueles dias de céu azul, paremos, como se neste momento todos os relógios cessassem, os relógios do nosso mundo.
Ou, compremos um barco.

Sim, tenho medo de trovões. E daí?

16 de julho de 2006

PALHAÇO, POR QUÊ?

A mentira é pífia, menor. É capacidade de distorcer uma verdade para fins nem sempre escusos. É natural do humano. O ator não mente como profissão. Ele cria uma verdade que só se faz real por quem assiste. Cria de um pseudo-nada, da capacidade do público de ter coisas para serem criadas. O Palhaço só puxa as tábuas do teu alicerce, o que despenca foi colocado por você. Se há muito em cima, o tombo é maior...
Ser palhaço é ficar no limiar do riso e do choro. O público, que em geral ignora as questões metafísicas de um palhaço, ri. Ri de sádico. De ver o palhaço na ridícula situação de um palhaço. Coitado do público, mal sabe que o palhaço é ele mesmo. Ele às avessas, ele com coragem. O Palhaço faz rir com seus próprios defeitos para que você não sofra com os teus...
Bobo


Sempre tive medo deles, algum motivo obscuro escondido detrás tanto riso e maquiagem. Seria crime não falar sobre a peça de ontem, mesmo que faltem adjetivos (loucos, acredite, loucos), procurar palavras rebuscadas e complexas (pois, assim fiquei) para tentar entender o cotidiano de um palhaço, o outro lado da história.
PALHAÇO, POR QUÊ? é o nome. E não poderia ser diferente.
Risos e lágrimas, como a face de um, nos transmitem um “nãoseioquê” de emoção diferente, algo sem explicação.
Fiquei chateada por encontrar o teatro “vazio”, não poder ver a platéia toda de pé batendo palmas para artistas que nos tocam tão fundo, não se importando se aparecem em rede globo ou não. Queria ver a platéia de pé batendo palmas para o que tocou Los Hermanos, mesmo que eu e a Lara tenhamos tido reação como mil crianças, valendo por todos eles.
E daqui a pouco estamos lá de novo, último dia em Pelotas, vale a pena.
Palhaços... Quem diria, me fizerem estremecer, e dessa vez, não de medo.

15 de julho de 2006

XEROX, R$0,10

Temo que o “diferente” tenha entrado no circulo vicioso da moda de personalidades. Em seus desfiles de excentricidades, onde, ao tentar o destaque acabamos nos tornando cada vez mais parecidos.
Porém, as coisas mais simples seriam as mais difíceis, como o jeito de prender o cabelo e o modo como a blusa cai no ombro. Ao “xerocar”, perdemos as melhores partes, como o brilho da figura e suas cores, ao usar algo falsificado perdemos o entusiasmo de possuir algo só seu, original.
Ao deparar-me com fotos minhas no orkut de uma menina, pensei mais sobre o assunto, tentando encontrar explicações para tal. Falta de segurança, talvez, o tentar apoiar-se à imagem de alguém, com medo de olhar para si, tentar obter a arte final de uma obra inacabada. Usar os conceitos, formas e jeitos de outros, seria uma mentira deslavada, forma de base para insegurança infantil e/ou falta de conhecimento próprio.
Vide a bula, procurando assim características de total destaque, ou fiquemos, mais uma vez, todos iguais.
Analistas e psicólogos que se preparem, esta geração vem repleta de depressões, músicas sobre éguas e falta de inteligência.

10 de julho de 2006

O BERÇO FEITO DE MÁGICA

Faz tempo que não apareço por aqui. Tenho estado indiferente com palavras e/ou minha personalidade.
Dizem que é coisa da idade, acredito ser coisa de todas as idades. Momento de transação, transformação. Quem sou eu? Onde estou? Para que sirvo? Onde fica o botão do volume?

Mistura de italianos com espanhóis, filha de apaixonados por tango, sobrinha de homens do samba, irmã de atriz de teatro e cientista, neta de um sábio do truco. Nascida em berço de mágica, crescida com ensinamentos de bossa nova, a menina, entre violões e cigarros, entre poesia e Carlos Gardel, estava confusa.
Torcedora do São Paulo Futebol Clube, influenciada pelo pai. Estuda história e literatura, abandona os números e vai deixando tudo “para lá” de mansinho, com o intuito de que fosse organizar as idéias no outro dia, no outro e no outro...
Inconstante, chata, dengosa e sonolenta, como se isso a resumisse.
Apaixonada por livros e boas histórias, ouve músicas e sente saudades, sente saudades e ouve música. Apaixonada por tudo que lhe chama a atenção, pequenas coisas, não esquecendo de citar o olhar perdido e as caretas que faz para animar os amigos.
E tem amigos. Como se não bastasse um, uma porção deles, muitos verdadeiros, alguns nem tanto, mas com certeza estariam prontos para quando precisasse.
Tem um cachorro, sim, quem não tem? Preto, como a cor da camionete que sonha em ter, enorme, para andar sem rumo por aí, por ali, por lá, por acolá. Por onde quiser, por onde ela mesma se levar.
Tem nome de fada, já diziam por aí, há história na família de que foi o pai que escolheu, mas a mãe não confirma a versão.
Não acorda de manhã e já vira confusão.
- Dormi tarde ontem...
Como se a desculpa fosse outra, diz a cada dia de forma diferente, faz tudo a cada dia de forma diferente, degusta o novo, trata com carinho o velho (velhas paredes, velhos retratos, velhas canções e sonhos).
Sonhos. Ela os tem aos montes, sonha em ir embora, sonha em morar em Cuba, ah, e fazer faculdade de medicina em terras de Fidel Castro, porém também pensa em conhecer a cidade da avó no cantinho da Itália. Talvez amanhã eles mudem e então ela sonhará cada vez mais alto, como uma criança que almeja o alvo mais difícil e sem querer acaba quebrando o vaso mais bonito.
Sou Lanna, filha do homem mais inflexível e culto que conheço, “menina mulher da pele preta” como chama a irmã, Neneca como chama o pai, Lili como fala calmamente a mãe e Mana como grita o irmão.
Estou no lustre do castelo, esperando o momento certo para ligar o motor de uma enorme camionete preta e ir embora, de malas prontas e muita vontade. Saudade também, muito bem guardada. Dos tempos que não vivi, tempos em que nem tinha nascido, saudades dos abraços no meu Vô Nona que não pude dar, saudades dos passos de tango que Vô Ico não pode me ensinar.
Sirvo para trazer a máxima alegria e ajuda no que posso, trago também muita compreensão e um copo de coca-cola sem gás e com muitas pedras de gelo e/ou um trident de canela. Sirvo para ver filmes brasileiros, com preferência a desenhos do Charlie Brown, tomar uma cerveja ou talvez ficar conversando debaixo a um lençol de estrelas, por horas a fio.
Botão do volume? Ah o tal do gritar... isso aí já é coisa dos Collares, nascemos sem essa peça.

18 de junho de 2006

Para a advogada do palhaço

Entre palhaços e trapezistas se viu criança novamente. A cada salto um momento onde o coração voava, a cada risada a liberdade da felicidade que estava contida. Ela foi ao circo sem nem mesmo acreditar que poderia viver tão intensamente o momento. Ela foi ao circo e encontrou a magia de um espetáculo.
Risos e êxtase fundem-se em dois olhos brilhantes. Uma menina perdida em seu mundo de sonhos onde a felicidade agora estava no centro daquele palco.

Pra ti, minha linda irmã.
Assistam ao Tholl, um momento mágico, inacreditável, encantador. Faltam-me palavras neste momento, ou talvez, seja algo inexplicável de verdade. O circo mais uma vez trazendo alegria aos corações. Mas confesso que ainda tenho medo de palhaços.

16 de junho de 2006

Aquela velha história

Comecei a admirar as tartarugas. Queria ter um casco bem grande, bem bonito e confortável, para entrar lá quando algo me incomoda. Pode parecer egoísmo, sei, apenas hoje era tudo que eu queria.
Logo eu que sempre quis ter asas, voar para longe, e ser assim, impossível de se domesticar, hoje quero me esconder, me guardar, desaparecer. Cada mudança de vontade, cada idéia modificada, uma forma de fugir para um mundinho só meu.
Percebo que facilmente pessoas e coisas me decepcionam, e comigo tudo sempre foi de forma irreversível. Talvez por acreditar que tudo pode ser maior que esses princípios, talvez por acreditar que as coisas vão muito além da fronteira desta cidade.
Acabo criando uma expectativa por encontrar alguém com as mesmas idéias, o que resulta em frustração, pois nem todos pensam como pensamos, nem tudo é como o esperado.
Acontece com amigos, pessoas desconhecidas, livros, cd’s, até mesmo uma matéria no colégio, acontece todo dia, a todo o momento. Chato, diria.
As pessoas não têm culpa alguma de serem o que são, culpada eu de querer encontrar qualidades que só a mim fazem diferença. E por tentar encontrar diferenças acabo encontrando semelhanças.
Então, entrar para meu casco seria perfeito, ficar lá pensando, ouvindo uma música boa, escrevendo e desenhando. Eu, acompanhada de minhas idéias, esperando mais uma vez o toc toc de algo para chamar minha atenção.
O mundo lá fora anda muito sem criatividade ou sou a garota insatisfação. Felizes são as tartarugas.

11 de junho de 2006

Sempre odiei domingo

Acabo de ler Budapeste, livro de renome em que o autor é um grande ídolo, conseqüência da grande influência do pai sobre nosso gosto musical e literário, Chico Buarque.
Fez-se um dia horrível, acordei cinza como o céu e a tarde foi feita como chá de limão e mel, daqueles que somos obrigados a tomar quando estamos gripados.
Sobre o livro tenho a dizer que foi um dos melhores que já li, devido a seu magnetismo, uma forma estranha de fixação entre a menina e as palavras. Seu conteúdo é de imenso valor, rico em detalhes e características que tornam os personagens pessoas especiais, como se os conhecêssemos.
Pergunte-me o que chamou minha atenção e não saberia citar um capítulo ou dois, talvez o que “chamou minha atenção” foi o fato de ser um livro em que cada detalhe pode ser uma mentira ou uma verdade. Entre elas, não se sabe o real e o imaginário, fazendo da história incomum.
São 20:35, o que salvou meu domingo foi um bucado de palavras que se tornaram escassas ao longo do tempo, elas terminaram conforme a passada de meus dedos virando cada página... E agora, quem resgatará esse resto de noite?

31 de maio de 2006

Pokémon

É engraçado lembrar das nossas reações quando criança, as coisas com as quais nos importávamos, as coisas que reparávamos. Não seria novidade citar que na infância tudo parece muito maior, e não só por sermos pequenos, mas por sermos mais sinceros e bem mais observadores.
Na aula de literatura lembrei de algo...
Um belo dia acordei e minha mãe disse:
-Neneca, saiu uma reportagem no jornal dizendo que o desenho aquele que tu gostas é muito violento.
Violento? Não, para aí, só um pouquinho, praticamente vivo dentro de uma pokebola, sonho com o Ash e vibro a cada choque do Pikachu, aí, vem um cara grande desses e diz que é violento? Se perguntassem a uma criança ela diria que é o desenho mais legal do planeta. Mas não, perguntam a um adulto e ele diz que é violento, bem palavra de adulto mesmo.
-Mãe, vou escrever para o jornal.
Juro que me esforcei ao máximo, lembro direitinho da minha estranheza com o computador e com as palavras. Mesmo com minha linguagem infantil e erros de português constantes a crônica foi publicada.
Dei risada disso hoje, talvez com oito anos eu fosse bem mais revoltada e lutasse bem mais pelo meu ponto de vista, mesmo que para os adultos meus ideais não tivessem tanta importância.
O tempo foi levando o gosto por Pokémon, mas afirmo, repito e gravo que a menininha braba segue aqui.

26 de maio de 2006

Acabaram-se as férias

Enfim, chega sexta-feira.
Tanto tempo escrevendo x² que acabei deixando de lado meus papéis cheios de idéias. O dia mais esperado da semana chega com gostinho de segunda, temos que encarar os erros, correr atrás do tempo perdido e estudar muito.
Dois mil e seis começa em final de maio, paciência.
-Te esforça Pretinha.
-Sim senhora.

17 de maio de 2006

Sobre mulheres e ouvidos

Falar sobre o quê não sei, mas gosto de falar, assim, por falar.
Acredito que dividir experiências antigas, histórias engraçadas, momentos saudosos, seja algo revigorante.
Falar, sem assunto em pauta, motivo ou discussão, falar falando, sem querer, sem perceber.
Utilizar todas as palavras pomposas que conhecemos, fazer uma piadinha com alguma delas, um sorriso aqui, outro ali.
Com certeza a conversa das pessoas é prato principal.
-Eai Princesa, beleza? Te achei muito gatinha.
Tudo bem que tu és um cara boa pinta, mas meu nome não é Diana, não sou princesa, e beleza? “Beleza”...
-Oi, tudo bom? Desculpa, mas eu posso perguntar o teu nome?
Claro que pode, meu nome é Lanna, tudo bom? Tudo bem que tu sejas um dos caras mais feios que eu já vi, mas percebo que aí tem muito pano pra manga.
Cérebro. De que adiantaria Josh Hartnett sem uma pitada de Marcelo Camelo?
Tu agüentas um dia, dois, estourando três, e aí... O velho clichê “beleza não põe mesa” FALA mais alto.
Fale, mesmo que seja a maior bobagem do mundo, elas gostam de sorrir. Fale sobre coisas inteligentes, sobre estrelas e constelações, conte histórias de infância, peça para caminhar pela rua e jogar conversa fora, ir tomar uma cerveja sem compromisso com horário.
Fique falando por horas, sem medo de desvendar segredos ou vergonha.
E se isso for exigir demais, tudo bem, haverá sempre uma sem papo para um despapado.

Feliz de mim que tenho ouvidos;
Boa sorte a quem ainda os procura.

16 de maio de 2006

Ainda dança

Estava colocando em dia meu caderno de matemática, ouvindo baixinho um cd velho que estava jogado as traças. Percebi que números não coincidem com música e vice versa. Odeio lógica, acredito que esta deva ser a causa de minhas notas nesta matéria.
Nele...

“No canto do cisco, no canto do olho, a menina ainda dança e dentro da menina ainda dança
E se você fecha o olho a menina ainda dança, dentro da menina ainda dança
Até o sol raiar, até dentro de você nascer, nascer o que há”
Marisa Monte, Menina dança


É...

15 de maio de 2006

Roda gigante

O mundo tem girado na mesma velocidade que a saia da morena, meus passos tem sido grandes como se tivesse patas de elefante, tenho tido alucinações como se tivesse sangue de ácido, e então o mundo para. Nesse ritmo de metáforas perco-me em meio a palavras, milhões multiplicadas por alfabetos de todas as línguas.

Encontro-me sentada em um banco pintado de roxo, observando uma tela feia, fria e sem cor. Estou aqui, de cabeça cheia e com o livro aberto. Gosto de estudar Renascimento, gosto de verdade. Porém perdi-me entre tantas descobertas, entre tantos homens inteligentes, no rumo da história.

Já dizia Chico “mas eis que chegar roda viva e carrega a tristeza pra lá”, tenho estado frágil nos últimos tempos, não tenho me reconhecido. Baseada nessa frase acredito ser uma onda passageira, algo que repentinamente vá “pra lá”.

Choro sem motivos, não apenas por coisas que me tragam aquele sentimento com gosto de limão, choro também por ouvir uma música linda e me encantar com ela. Inútil, penso. Meu pai sempre disse para eu não gastar lágrimas.

Fico em meio a uma selva de pensamentos, onde o leão com certeza não se parece nada comigo. Eles têm me feito mal.
Talvez seja isso que me faz ficar frágil como uma criança, elas sempre se assustam em meio a multidão. No meu caso, assustada por substantivos abstratos, os tais pensamentos.

Os odeio, e nunca fui de esperar a maré virar. Faça-se um novo rei para selva, que seja o tal elefante ou talvez a mariposa, que eu acredite em Móises e peça para ele mover as águas.

Deixar as coisas por “isso mesmo” nunca foi da minha índole, não quero ser chamada de “comodista” mais uma vez, espero fazer as coisas na hora, fazer de verdade, não apenas pensar.
Acredito que desta forma os pensamentos se desenrolem, assim não fritando minha mente, muito menos trazendo mais lágrimas ao mundo.

Que uma das funções seja atrofiar meu cérebro.

“Mas não diga nada que me viu chorando, e pros da pesada diz que eu vou levando...”
Chico, claro

13 de maio de 2006

Mãe, trás coca?

Em ritmo de dias das mães, fico assim, sem frases ensaiadas, presentes com laços, rosas, e um cartão. Tenho apenas palavras, que talvez em quinze anos de existência nunca foram ditas.
Não me pergunte o porquê, nem por onde, nem quando, nem como, mas nunca fui de falar sobre o que sinto. Talvez porque todas as vezes que arrisquei, no momento seguinte não sentia mais, e acabava por mentira.
Mas concordarei quando disseres que silêncios são grandes motivos para a mente pensar o que bem entender.
Para uma pessoa as palavras são importantes: minha mãe.

Cresci calada, braba e cheia de pensamentos loucos na cabeça, sou taxada em casa como “revoltadinha”, que explode, que briga. De poucas demonstrações de carinho e frases vagas no natal e ano novo.
Minha mãe pensa o que quer sobre os meus sentimentos, culpa do meu silêncio.

Hoje li algo realmente interessante. Machado de Assis falava que nascíamos para juntar as qualidades e defeitos dos pais. Tenho certeza que meu pai e minha mãe foram feitos um para o outro, e eu, nasci para os dois estarem em uma pessoa só, sem quebra de identidade ou integridade. Com a cor bronzeada de meu pai, com o nariz de minha mãe, com os tiques nervosos dela e os “quero fazer pra me livrar” dele.

Tenho a família como algo além de tudo, algo fora de explicações e/ou demonstrações de carinho, algo totalmente maior que amizade, cumplicidade e amor. Seria o ápice de tudo que importa nessa vida, algo que não passa, não congela, não se destrói.

Minha mãe é avoada, sempre com a cabeça distante, pensamentos feitos de borboletas. Eu, nasci com a mesma qualidade/defeito. Quando estou perto dela sinto que pensa no tempo que está perdendo e poderia estar fazendo outra coisa, ou talvez, pensando que tem algo a fazer. Nunca pára. Nunca. Observei-a muito em toda minha vida e sempre quis ser parecida. Não deixar as coisas para depois, assumir totalmente as responsabilidades, ser mais dedicada. Nunca consegui.
Sempre deixei as coisas para a última hora, “tentei” ser responsável, e nunca fui “dedicada”.

Não sei se minha mãe já sentiu “orgulho” da minha pessoa, como a mãe do Ronaldinho sentiria, mãe do Lula, nunca fui um fenômeno, e talvez, nunca tenha me esforçado para ser o tal. E sempre foi isso que minha mãe tentou: Neneca te esforça, te esforça Pretinha, tu és inteligente, tu tens um baita potencial.
Medíocre, essa seria a palavra certa. Estar sempre “na média”, que fosse muito abaixo, claro que de preferência acima, mas não “na média”.

Quis sempre chamar a atenção das pessoas da minha casa, mesmo que já a tivesse e mesmo que fosse dentro do meu mundinho. Meu mundinho, quantas vezes eles já não pediram para eu sair de lá.
Sou uma medrosa, os tenho como algo tão importante e de tanto valor que fico sem jeito quando erro, quando tiro notas ruins no colégio, quando não me esforço e não faço nada para reverter a situação. Quando dizem que eu sou braba demais, que não me dedico, que não faço nada, que não dou abraços, que não chego perto.

Eu queria, confesso, mas nunca soube ser muito assim com eles. Não sei porque, e não, eu não preciso de um psicólogo. Apenas fui desde pequena “meio assim”, fria com as pessoas que gosto, medo de machuca-las e/ou decepcioná-las.

Queria dizer a ela o quanto é importante em cada instante do meu dia, que quando brigamos abre-se um buraco em mim, que caminho pisando em ovos. Dizer a ela o quando eu a admiro e quero colo. Dizer que preciso que me puxem para um abraço, mas que preciso deles.

Sei o quanto já errei, o quanto já a deixei triste e quantas erros meus ainda não estão por vir. Desculpas para o passado e desculpas antecipadas.
Precisa ser dia das mães para eu tomar vergonha na cara, paciência.

Eu te amo mãe, de verdade.

Menininha de família. Sabe como é.

5 de maio de 2006

Acabei Professora

10:30 da manhã
Tarefa: Faça uma redação sobre o perdão. Entrega no final do próximo período. Mínimo de 20 linhas.

O que seria o perdão aos olhos dos apaixonados?
Uma simples briga, uma discussão qualquer, um perdão bobo no dia-dia. Não é sobre este tipo de pedido de desculpas que venho citar aqui. Venho e falo sobre o verdadeiro arrependimento sobre um erro.
Um casal apaixonado, uma vida mansa, cheia de amor e poesia. Ele erra, se relaciona com outra pessoa e faz de cada diálogo mais uma mentira. A bela descobre, chora, se decepciona, se entristece, tudo perde a cor, a vida fica sem sentido. O moço se diz “arrependido”, move mundos e fundos para tê-la novamente.
Entre a cruz (perdão) e a espada (“eu nunca mais voltarei, pilantra!”) qual seria a decisão mais sincera? Dizer apenas “eu perdôo” não seria uma mentira muito mal contada ao coração? Como um grande “tapa buraco”, uma troca de favores. Eu te perdôo, você se sente menos culpado e eu menos solitária. Assim seguimos. Mas a ferida estará lá.
Faz bem perdoar, não nego, como toda mentira que contamos a nós mesmos a cada manhã, mentiras que passam despercebidas e acabam não fazendo grandes estragos. Coisas necessárias para uma convivência amigável. Mas faça-me o favor de não pensar que “me desculpa?” é super bonder de coração.

2 de maio de 2006

Ei você ai, moça do olhar perdido

Tenho lido e escutado uma centena de palavras nos últimos tempos. Ou quem sabe, nos últimos tempos tenho dado especial atenção a elas.
Confesso, ler Paulo Coelho não tem me feito muito bem, ando um pouco “viajona”. E nessa “viajem” quero interpretar tudo.

-Lanna? Sempre com o olhar perdido...
Não está perdido não. É esta mania que me peguei interpretando agora. Meu blog nunca foi uma espécie de diário, ou um livro de auto ajuda, venho a partir desde filosofar sobre coisas do dia-dia que são deixadas de lado (talvez por mim, talvez pelo mundo).
Minha mania? Uma delas.
Ei você que também possui um olhar perdido, venha logo cá e me diga, será mesmo que nosso olhar está realmente vagando por aí?
Pense comigo. Quando olhamos para o “nada” ou para uma formiga que caminha pela rua, não estamos prestando atenção em algo?
Agora, enquanto prestamos atenção em algo fora do contexto isso é motivo para perda?
No “nada” sempre há algo a ser estudado, aos olhos da formiga que sente nosso olhar, nós a encontramos, não nos perdemos.
Olhar as coisas de ângulos diferentes para encontrar a melhor opção, a que nos faz sentir melhor.
Na minha, meu olhar não é perdido, e sim, atencioso com coisas que para os outros não façam o menor sentido e para que cérebro faz, e muito. O que para os outros parece uma perda, para mim é interpretação.
Concorda?


E venho de novo, falando sobre olhares...

Catrina

Sempre fui do tipo brava e fechada. Sempre deixei pra lá coisas simples e complicadas. Sempre dei um dedo para não arranjar complicação. Sempre quis ser na minha. Sempre fui do tipo que odeia exposição. Sempre imaginei tudo isso.
Acabei não me fechando, acabei me enrolando nas coisas mais complicadas possíveis, falei alto com quem não conhecia, me expus, e vivi na minha imaginação o que deveria ser real.
Hoje cedo disse:
-Mãe. Vou cortar os cabelos, vou começar a estudar, deletar o meu orkut, sair dessa vidinha medíocre que estou levando.
Realmente acho que preciso respirar um pouco de ar fresco, sair um pouco disso, onde a vida das pessoas é prato do dia.
Ainda não cortei o cabelo, nem toquei em um caderno, não deletei o tal orkut e não sai dessa vidinha. Mas espero uma mudança radical em breve.
Não sei se é falta de coragem, talvez apenas receio, mas, deixar a armadura de ilusões por aí não é um trabalho nada fácil. Queria eu agora ser quem realmente idealizei, alguém forte, fechado, que não se expõe, nem fala sobre sentimentos com pessoas estranhas.
Não consigo (falo de ser assim realmente, não o que transmito aos outros).
Fico perdida em um mundo de idealizações, medos, receios, e “deixa pra lá”, “vai levando”. Vou juntando os pedacinhos das coisas que não gosto, como se fosse jantar um prato de arroz e massa (eu odeio arroz e massa)... De tempos em tempos há uma explosão de sentimentos ruins (e quem convive comigo sabe bem como é), acaba sobrando para todos os lados. E quando essa sensação se vai, o que fica, é uma casa destruída por um furacão.
Por isso o receio por mudanças.
Sempre que há uma casa construída com amor e carinho acaba vindo um furacão e destruindo tudo.
Vamos Lanna, coragem. Quem sabe dessa vez a casa não pode ser construída em um lugar seguro.
-Lara, liga para Estética, preciso marcar um corte de cabelo.

24 de abril de 2006

Sobre mulheres e gatos

Hoje na hora do almoço descobri o porquê da minha admiração pela mulher gato (sim, eu gosto dos vilões).
Conversando com uns amigos cheguei a conclusão de quê nem ela, nem seu respectivo amado, (Batman, para o desinformados) nasceram com super poderes. Eles os criaram.
Lendo “Super Heróis e a Filosofia. Verdade, Justiça e o caminho Socrático”, (recomendo) percebi que todos os meus ídolos tinham um dom sobrenatural e/ou eram de outro mundo (como o Super Homem, que se Homem nada têm). Eles não eram compatíveis a nós assim como ela.
Fiquei filosofando por horas nessa cabecinha, pensando em mum milhão de coisinhas com isso. Será mesmo que essas pequenas ações não são como atos heróicos? Ajudar um amigo, fazer uma boa ação, tirar um gatinho de uma árvore, caminhar no escuro, entregar uma flor á pessoa que gostamos, pequenos atos cheios de “heroísmo”.
Basta ter um ideal, (mesmo que seja ruim como o dela), basta acreditar em algo pra valer, acreditar e lutar por isso, basta querer para se ter “super poderes” e não falo de voar ou lançar raios, falo de “super poderes” de verdade... Ah, deixa pra lá.
Olha eu aqui, querendo explicar o inexplicável, quem se importa? Vou eu voltar ao meu mundinho das palavras e desenhos.

23 de abril de 2006

Ah não Lanna

"Não há nesse mundinho alguém sábio o bastante, não há nesse mundinho alguém inteligente, vivido, amortecido, sofrido, e totalmente preparado para as peripécias da vida. A vida é uma grande vírus de RNA".
(Filosofando com as amigas. Parte 1)

Boa tarde Senhor. Posso fazer algumas perguntas?

Talvez não aja bicho papão, talvez eles sejam ursinhos com medo da solidão do inverno.
Queria eu fazer uma reportagem:
-Olá senhor. Poderíamos conversar sobre como é ser assim... Digo, por favor, não se zangue... Como eu ia dizendo, como é ser um bicho papão? Como é viver só em sua floresta escura cheia de barulhos assombrosos e não ter medo de nada? Como é machucar alguém sem piedade?
-Oh minha filha... Não escolhemos ser cruéis, nem rudes, nem assustar aos outros. Não escolhemos estar nos pesadelos das criancinhas, nem gerar a dúvida se estamos no escuro mundo debaixo da cama. Somos assim, porque a vida nos fez ser assim, porque para sobreviver a solidão é precisa ser mais rude que ela.