Logo após ter entrado em estado de liquidificação com o calor acordo com um certo “friozinho”. Estes dias foram feitos por livros, plano para que passemos a tarde os acompanhando. Neste momento encontro-me com Drummond, fazendo de meu sábado um tanto quanto cheio de vida. Cheio de poesia.
Leitura obrigatória para o vestibular fez-me pensar além. Fiquei preocupada com a vida dos meus futuros filhos, e confesso que também com a minha. Como serão as coisas daqui a um certo tempo? Onde, entre mundo cibernético e fast-food, terão espaço os amores, as flores e as dores?
(Meu chá esta esfriando)
Restará lugar para as conversas de boteco, chimarrão no pôr-do-sol e desenho animado? Assim como eu, meus filhos trocarão a tv pela bicicleta? Brincarão de playmobil ao invés de Barbie? E como será a Barbie daqui a um tempo? Terá peito de silicone?
Complicado, tudo agora é tão banal, que talvez nem existirão brinquedos. Todos virão com cérebro já de opinião formada e com botões.
Bom, vou voltar ao chá enquanto ainda posso não enferrujar.
“Os beijos não são importantes.
No teu tempo nem haverá beijos.
Os lábios serão metálicos,
Civil, e mais nada, será o amor
Dos indivíduos perdidos na massa
E só uma estrela
Guardará o reflexo
Do mundo esvaído
(aliás sem importância).”
Drummond
10 de março de 2007
7 de março de 2007
Não precisa ser Moraes, nem Camelo...
É quase “necessário” encontrar um homem diferente. Não seria, assim, a agulha do palheiro, no entanto deveria se destacar entre os demais do “grupo”. E não apenas por atitudes dramáticas, romantismo excessivo, matrimônio imaginário, mas sim por me fazer estremecer.
Onde encontrar, então, um homo que cozinhe, não abuse da inteligência, nem queira se sobre sair? Necessitaria apenas fazer “leite com Nescau”, conversar sobre livros (de preferência os meus), ver futebol no domingo e ser machista quanto ao tamanho do vestido. Necessitaria ser ciumento, fazer cara de bravo e acabar cedendo a todas as vontades, desejos repentinos e agüentar a tpm.
Onde encontrar aquele que não grite em público, goste de maquiagem borrada e arrisque uma surpresa todo final de tarde? Fazer dos dias todos recreação, dar risada, dizer que estou linda (mesmo de pijama e cara de sono), sentar na grama, rabiscar um bilhete. Não exijo explicações científicas, rosas, telefonemas exagerados. Não exijo cartas, compromisso e Niestchz.. Exijo que entenda todo não que vale por sim, todo dengo, toda saudade, todo carinho. Exijo carinho, muito carinho.
Há aqui muita vontade de saber onde encontrar quem vá rir de minhas besteiras e ter coragem de enfrentar todas as brigas.
Não seria apenas “um homem diferente”, teria que ser o melhor de todos, mesmo sendo o pior. Teria jogo de cintura, saberia a hora de fazer planos, de adia-los, e principalmente de fazer-me irritar. Pois, acredite, as mulheres mais interessantes pertencem aos homens mais atrevidos (e me desculpe as feministas de plantão).
Onde encontrar, então, um homo que cozinhe, não abuse da inteligência, nem queira se sobre sair? Necessitaria apenas fazer “leite com Nescau”, conversar sobre livros (de preferência os meus), ver futebol no domingo e ser machista quanto ao tamanho do vestido. Necessitaria ser ciumento, fazer cara de bravo e acabar cedendo a todas as vontades, desejos repentinos e agüentar a tpm.
Onde encontrar aquele que não grite em público, goste de maquiagem borrada e arrisque uma surpresa todo final de tarde? Fazer dos dias todos recreação, dar risada, dizer que estou linda (mesmo de pijama e cara de sono), sentar na grama, rabiscar um bilhete. Não exijo explicações científicas, rosas, telefonemas exagerados. Não exijo cartas, compromisso e Niestchz.. Exijo que entenda todo não que vale por sim, todo dengo, toda saudade, todo carinho. Exijo carinho, muito carinho.
Há aqui muita vontade de saber onde encontrar quem vá rir de minhas besteiras e ter coragem de enfrentar todas as brigas.
Não seria apenas “um homem diferente”, teria que ser o melhor de todos, mesmo sendo o pior. Teria jogo de cintura, saberia a hora de fazer planos, de adia-los, e principalmente de fazer-me irritar. Pois, acredite, as mulheres mais interessantes pertencem aos homens mais atrevidos (e me desculpe as feministas de plantão).
23 de fevereiro de 2007
Goodmorning Sunshine

Nascer do sol, Praia da Ferrugem
Verão 2007
Eu já deveria ter me acostumado a isso: O ano só começa após o carnaval. Principalmente quando nasce-se brasileiro. Antes disso tudo ainda esta legendado como “verão”, “descanso”, “tempo”, até mesmo “ano novo”. E é então chegada quarta feira de cinzas, toma-se conhecimento de todas as responsabilidades e atos que farão deste “ano novo” velho e é então que espera-se outro “ano novo”, e outro, e outro...
Não ter preocupações as vezes é chato, o habito de férias torna-nos um tanto quanto fúteis e sedentários, avantaja-nos o sono e diminui-nos o cérebro. Porém faz bem. Todos voltamos diferentes. Mais maduros, menos maduros, há até quem arrisque um novo corte de cabelo, uma dieta, novas amizades.
O carnaval faz de nós foliões sem noção de tempo, lugar, todos viram amigos e os amigos viram irmãos do peito, temos dinheiro para pagar bebidas a todos. E fim, terminada a moleza.
Começamos o ano com a sensação do dever comprido, cabeça “limpa” e na minha parte, muita sede de rotina, a mudança faz de nós brasileiros. Afinal, precisamos de uma boa sacudida para colocarmos em nossos devidos lugares.
8 de fevereiro de 2007
The Horizon
São três e meia da madrugada. Entre amigos e shampoo espero amanhecer para ir ver o sol nascendo no morro, até mesmo arriscar um surf. Falta pouco para o trabalho acabar, o dinheiro também, até mesmo os dias de sol rainte, a mochila volta mais cheia, o coração mais vazio e tudo volta ao seu "normal", seja ele qual for. Todos tem uma casa, não é mesmo?
"Ela é linda com dor de barriga, ela é linda dormindo e até quando acorda cheia de remela. Ela é linda chorando e mais ainda sorrindo. Ela é linda passeando e linda quando pára diante do espelho. Linda penteando o cabelo e linda fazendo batata frita. Ela é linda nas palavras, nas idéias, nas mãos (sempre quentinhas), nas roupas bagunçadas no armário. Linda nos livros que ficaram na estante, linda nas músicas que gosta de ouvir. Linda na escova de dentes que ficou perdida. Linda de salto alto e linda de pés descalços. Linda quando briga comigo, quando dá gargalhadas e linda quando fica de beicinho. Linda nas fotos que não paro de olhar. Ela é linda quando me faz sentir uma saudade deste tamanho. Simplesmente, linda."
Lara Collares.
Minha autora favorita. Também estou com saudades mana, do tamanho da via láctea, já volto!
"Ela é linda com dor de barriga, ela é linda dormindo e até quando acorda cheia de remela. Ela é linda chorando e mais ainda sorrindo. Ela é linda passeando e linda quando pára diante do espelho. Linda penteando o cabelo e linda fazendo batata frita. Ela é linda nas palavras, nas idéias, nas mãos (sempre quentinhas), nas roupas bagunçadas no armário. Linda nos livros que ficaram na estante, linda nas músicas que gosta de ouvir. Linda na escova de dentes que ficou perdida. Linda de salto alto e linda de pés descalços. Linda quando briga comigo, quando dá gargalhadas e linda quando fica de beicinho. Linda nas fotos que não paro de olhar. Ela é linda quando me faz sentir uma saudade deste tamanho. Simplesmente, linda."
Lara Collares.
Minha autora favorita. Também estou com saudades mana, do tamanho da via láctea, já volto!
1 de fevereiro de 2007
Acredito
Mesmo estando entre as mais bonitas paisagens sinto-me arrepiada toda vez que ouço falar sobre amor. Sentei-me aqui por alguns minutos voltando um pouco á civilização, revendo meus e-mails, colocando a conversa em dia com os amigos, deparei-me com um texto especial. Uma das melhores definições sobre tal:
“Eu ouvi dizer que o melhor de nós são clichês. E logicamente eu assinei embaixo.Por mais que a gente costume criticar os clichês, sempre vamos de encontro a eles.Seja o amor, seja a arte, seja até a própria imaginação. Ou tu consegues pensar em algo que seja exatamente novo?Na intenção de impressionar quem gostamos utilizamos velhas poesias, canções já ouvidas, batidas e que fazem parte do repertório de consquista há muitos anos. "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." Imitamos cenas de filmes, nos inspiramos em contos, nos livros.Praticamente tudo já foi pensado. A moda, por exemplo. Observe as vitrines hoje. São bolinhas, listras, nada que não nos arremese direto aos anos 60. Ou que seja, ao maleiro da tua mãe.E eu aposto minhas moedas, que nem por isso tu não irás dizer: "Nossa, a coleção dessa estação está linda. " E tu vais desejar aquele vestido vermelho com branco rodadinho e as pulseiras plásticas coloridas. Vai achar que a "nova" moda está toda criativa, bloqueando assim aquela parte do teu subconsciente que diz que as prateleiras das lojas hoje são cópias perfeitas do seu armário de ontem.A mesma coisa a música. Você não levará um susto se perceber um CD da Jovem Guarda em meio aos "Psy Trance" (independete de tu saberes que diabo seja esse cidadão de nome estranho, mas supõe que seja um bom músico devido a quantidade de discos que "ele" já lançou) do teu filho.Menos ainda pensará que voltou no tempo ao flagrar o mesmo fazendo uns passinho ridículos no meio da sala no ritmo de um yeah, yeah, yeah.Tu já te acostumou com essas retomadas. E particularmente acha tudo isso uma delícia.A moda é velha e conservou seu glamour. A jovem guarda fez sucesso e continua sendo apreciada.Para EU TE AMO a mesma conclusão. A frase aí não vai sair de moda. Ninguém dirá que amor hoje está mais que demodê. Seja ela em, francês, italiano ou inglês. O fato é inegável. Entra ano e sai ano, o amor está ali. Nas menores causas. No recado brega de batom escrito no espelho. Vestindo, despindo, soando, arrepiando, fazendo arte, história, dramas, sendo o único imortal e até matando.Não é mesmo uma questão de banalização. É combustível. É necessidade. Simplesmente não existe viver sem.O amor sem dúvida é o que há de melhor em nós. Em todos nós, acredite.”
Fernanda Gava
Saudade de amor...
Santa Catarina, Praia de Garopaba
Verão 2007
“Eu ouvi dizer que o melhor de nós são clichês. E logicamente eu assinei embaixo.Por mais que a gente costume criticar os clichês, sempre vamos de encontro a eles.Seja o amor, seja a arte, seja até a própria imaginação. Ou tu consegues pensar em algo que seja exatamente novo?Na intenção de impressionar quem gostamos utilizamos velhas poesias, canções já ouvidas, batidas e que fazem parte do repertório de consquista há muitos anos. "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." Imitamos cenas de filmes, nos inspiramos em contos, nos livros.Praticamente tudo já foi pensado. A moda, por exemplo. Observe as vitrines hoje. São bolinhas, listras, nada que não nos arremese direto aos anos 60. Ou que seja, ao maleiro da tua mãe.E eu aposto minhas moedas, que nem por isso tu não irás dizer: "Nossa, a coleção dessa estação está linda. " E tu vais desejar aquele vestido vermelho com branco rodadinho e as pulseiras plásticas coloridas. Vai achar que a "nova" moda está toda criativa, bloqueando assim aquela parte do teu subconsciente que diz que as prateleiras das lojas hoje são cópias perfeitas do seu armário de ontem.A mesma coisa a música. Você não levará um susto se perceber um CD da Jovem Guarda em meio aos "Psy Trance" (independete de tu saberes que diabo seja esse cidadão de nome estranho, mas supõe que seja um bom músico devido a quantidade de discos que "ele" já lançou) do teu filho.Menos ainda pensará que voltou no tempo ao flagrar o mesmo fazendo uns passinho ridículos no meio da sala no ritmo de um yeah, yeah, yeah.Tu já te acostumou com essas retomadas. E particularmente acha tudo isso uma delícia.A moda é velha e conservou seu glamour. A jovem guarda fez sucesso e continua sendo apreciada.Para EU TE AMO a mesma conclusão. A frase aí não vai sair de moda. Ninguém dirá que amor hoje está mais que demodê. Seja ela em, francês, italiano ou inglês. O fato é inegável. Entra ano e sai ano, o amor está ali. Nas menores causas. No recado brega de batom escrito no espelho. Vestindo, despindo, soando, arrepiando, fazendo arte, história, dramas, sendo o único imortal e até matando.Não é mesmo uma questão de banalização. É combustível. É necessidade. Simplesmente não existe viver sem.O amor sem dúvida é o que há de melhor em nós. Em todos nós, acredite.”
Fernanda Gava
Saudade de amor...
Santa Catarina, Praia de Garopaba
Verão 2007
31 de dezembro de 2006
Junte cinco sorrisos e leve grátis
Não deixei de falar sobre amor. Que bobagem.
Tenho guardado para mim minhas controvérsias, minhas divagações, minhas baboseiras. Não deixo, simplesmente, de falar sobre amor. Tudo tem virado tão banal que me assusta.
Tento me encaixar a modernidade das coisas, deixar de lado esse peso que carrego nas costas, essa preocupação.
Por que quem se importa? Nós tropeçamos no amor. Quando menos esperamos recebemos uma flor, um convite, um presente. Quando nem sequer lembramos de sua existência, quando damos gargalhadas, quando estamos leves.
O amor não procura tristeza, lágrimas e pessimismo. Amor não se encontra, pois não se esconde de nós, ele existe para quem quiser ver. Ele é um plus da felicidade.
Tenho guardado para mim minhas controvérsias, minhas divagações, minhas baboseiras. Não deixo, simplesmente, de falar sobre amor. Tudo tem virado tão banal que me assusta.
Tento me encaixar a modernidade das coisas, deixar de lado esse peso que carrego nas costas, essa preocupação.
Por que quem se importa? Nós tropeçamos no amor. Quando menos esperamos recebemos uma flor, um convite, um presente. Quando nem sequer lembramos de sua existência, quando damos gargalhadas, quando estamos leves.
O amor não procura tristeza, lágrimas e pessimismo. Amor não se encontra, pois não se esconde de nós, ele existe para quem quiser ver. Ele é um plus da felicidade.
30 de dezembro de 2006
Terceira pessoa do singular
Antes de Lanna nascer tudo já era programado. A mãe pediu uma “pretinha”, pós dois filhos claros de olhos verdes. Alguém escutou.
Com cinco anos brincava de Playmobil, tinha os cabelos escorridos pelas costas e as bochechas escondiam seu nariz. O irmão teimava em dizer que por isso só respirava pela boca.
Cresceu ouvindo as músicas do pai, suas histórias, suas brincadeiras. Lendo seus livros, procurando ser algo semelhante, ter um pinguinho de sua cultura, sua sabedoria sobre mapas.
Fez-se jovem e já sabia o que queria da vida. Mandar-se daqui para longe, ser livre.
Passou por diversas “fases”, por diferentes amores, difíceis momentos. Aprendeu com o pouco de experiência que tinha que pessoas mentem, pessoas são boas, pessoas vão embora e pessoas ficam, aprendeu que feridas cicatrizam e que delas só tiramos bom proveito (há quem goste de comer as casquinhas, não é mesmo?).
Aprendeu tarde a arriscar, a largar tudo, soltar as mãos, fechar a porta. Aprendeu que tudo isso era necessário, tanto para ela quanto para os que delam careciam. Aprendeu a desconexar tudo, misturar os sentimentos em uma salada de frutas, com muito chantilly.
Mesmo que tardio aprendeu a não voltar aos velhos tempos de si, aprendeu apenas a reconhecer novas Lannas dentre as que a formam. Suas fases se abastecem destas, cada qual com seu momento: Lanna sensível, Lanna forte, Lanna sentimental, Lanna sem vergonha, Lanna braba e tantas outras.
Aos dezesseis anos de idade ouviu o pai cantarolar uma canção, parou por um momento. Jogou os argumentos e princípios no lixo e mudou mais uma vez. Seu bom senso de estética a fez observar melhor ao seu redor, rever a situação, calcula-la como uma boa jogadora de truco.
Sempre foi apaixonada por Reveillon, este a traz em sua mais nova versão, em mais novo estilo e forma, novo conhecimento de mundo e estatísticas. Esta permite ousar e colocar para fora de seus pensamentos o que sempre quis para si. O inigualável.
2007 vem de puro roxo, vermelho, zebra, onça, dourado e o escambal. Vem repleto do estrago, eles têm razão, vem sem medo e sem tempo.
Boa sorte
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
(Seu Collares cantando Chico – Bom conselho)
Bom conselho mesmo Sábio
Com cinco anos brincava de Playmobil, tinha os cabelos escorridos pelas costas e as bochechas escondiam seu nariz. O irmão teimava em dizer que por isso só respirava pela boca.
Cresceu ouvindo as músicas do pai, suas histórias, suas brincadeiras. Lendo seus livros, procurando ser algo semelhante, ter um pinguinho de sua cultura, sua sabedoria sobre mapas.
Fez-se jovem e já sabia o que queria da vida. Mandar-se daqui para longe, ser livre.
Passou por diversas “fases”, por diferentes amores, difíceis momentos. Aprendeu com o pouco de experiência que tinha que pessoas mentem, pessoas são boas, pessoas vão embora e pessoas ficam, aprendeu que feridas cicatrizam e que delas só tiramos bom proveito (há quem goste de comer as casquinhas, não é mesmo?).
Aprendeu tarde a arriscar, a largar tudo, soltar as mãos, fechar a porta. Aprendeu que tudo isso era necessário, tanto para ela quanto para os que delam careciam. Aprendeu a desconexar tudo, misturar os sentimentos em uma salada de frutas, com muito chantilly.
Mesmo que tardio aprendeu a não voltar aos velhos tempos de si, aprendeu apenas a reconhecer novas Lannas dentre as que a formam. Suas fases se abastecem destas, cada qual com seu momento: Lanna sensível, Lanna forte, Lanna sentimental, Lanna sem vergonha, Lanna braba e tantas outras.
Aos dezesseis anos de idade ouviu o pai cantarolar uma canção, parou por um momento. Jogou os argumentos e princípios no lixo e mudou mais uma vez. Seu bom senso de estética a fez observar melhor ao seu redor, rever a situação, calcula-la como uma boa jogadora de truco.
Sempre foi apaixonada por Reveillon, este a traz em sua mais nova versão, em mais novo estilo e forma, novo conhecimento de mundo e estatísticas. Esta permite ousar e colocar para fora de seus pensamentos o que sempre quis para si. O inigualável.
2007 vem de puro roxo, vermelho, zebra, onça, dourado e o escambal. Vem repleto do estrago, eles têm razão, vem sem medo e sem tempo.
Boa sorte
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
(Seu Collares cantando Chico – Bom conselho)
Bom conselho mesmo Sábio
10 de dezembro de 2006
Sorvete de pistache
Por onde andaram os pensamentos desta menina? Ninguém entende porque é tão perdida e atrapalhada, ela não vive entre nós. Sobrevoando a cada passo com suas pernas aladas, ela não deixa brecha para preto, cinza e mau humor.
Em seu mundo todo dia é dia de sol, toda noite é noite de ver estrelas e todo o sorriso é feito de amor. A menina não vê maldade nas pessoas, não tem medo de palhaços e sabe cozinhar. Ela é feita de fita mimosa, flores nos cabelos e seus olhos são tão verdes quanto sorvete de pistache. Neste mundo poderíamos comer apenas algodão-doce e beber suco, neste mundo não haveria regras de trânsito, nem mesmo livros de direito.
E quando a ela chamam a atenção fica triste. Não entende como podem não aceitar sua vida, suas regras e o modo em seu mundo não permite realidade.
É difícil te ver fazer aniversário minha irmã, pois a cada ano que tu completas mais menina tu te tornas, esta luz cresce, a luz que todos nós deveríamos ter. Tu vais ser a eterna criança que um dia conheci, mesmo quando estivermos velhinhas fazendo tricô e 5 Marias. Continuemos para sempre com a alegria envolvente de nosso lustre, nossa casa, nosso porto seguro.
Minha fada, minha irmã, minha melhor amiga, parabéns por estes 23 anos sendo a estrela dos palcos da tua vida, todo e qualquer lugar onde fazes da tua presença um espetáculo. Eu te amo.
“Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem” (Chico)
(09/12/2006)
Em seu mundo todo dia é dia de sol, toda noite é noite de ver estrelas e todo o sorriso é feito de amor. A menina não vê maldade nas pessoas, não tem medo de palhaços e sabe cozinhar. Ela é feita de fita mimosa, flores nos cabelos e seus olhos são tão verdes quanto sorvete de pistache. Neste mundo poderíamos comer apenas algodão-doce e beber suco, neste mundo não haveria regras de trânsito, nem mesmo livros de direito.
E quando a ela chamam a atenção fica triste. Não entende como podem não aceitar sua vida, suas regras e o modo em seu mundo não permite realidade.
É difícil te ver fazer aniversário minha irmã, pois a cada ano que tu completas mais menina tu te tornas, esta luz cresce, a luz que todos nós deveríamos ter. Tu vais ser a eterna criança que um dia conheci, mesmo quando estivermos velhinhas fazendo tricô e 5 Marias. Continuemos para sempre com a alegria envolvente de nosso lustre, nossa casa, nosso porto seguro.
Minha fada, minha irmã, minha melhor amiga, parabéns por estes 23 anos sendo a estrela dos palcos da tua vida, todo e qualquer lugar onde fazes da tua presença um espetáculo. Eu te amo.
“Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem” (Chico)
(09/12/2006)
5 de dezembro de 2006
coerente
Era como de quem já vai indo, era como de quem não sabe o que faz. Poderia saber momentos antes, momentos após. Poderia desejar por horas, anos até mesmo, no incansável silêncio atrevido; ter tido todos os homens do mundo, não ter dado o braço a torcer.
Ela ficara na ponta dos pés, o segurara para que não partisse. Ele e seu coração. Fechara os olhos, respirara fundo e afastara-se.
Ele então de braços ao vento a deixa ir. Como quem também não sabe o que faz. Como quem soubera momentos antes e após.
“Coerente sua imaginação. Pretensioso o gesto que pratica ao rezar piedade. É cúmplice do outro em você, e sabe disso...” (Heitor Pires)
Ela ficara na ponta dos pés, o segurara para que não partisse. Ele e seu coração. Fechara os olhos, respirara fundo e afastara-se.
Ele então de braços ao vento a deixa ir. Como quem também não sabe o que faz. Como quem soubera momentos antes e após.
“Coerente sua imaginação. Pretensioso o gesto que pratica ao rezar piedade. É cúmplice do outro em você, e sabe disso...” (Heitor Pires)
4 de dezembro de 2006
Achados e Perdidos
(Não há quem não tenha resquícios de vidas passadas, pequenos papéis, bilhetes, cartas, desenhos, objetos, cada qual com sua singularidade. Hoje na arrumação do quarto...)
“Essa aula tem me deixado confusa. Estas parábolas para cima, parábolas para baixo. Bolinha pintada, bolinha sem cor. E que me importa? O que fariam estas se sentimentos tivessem? Não iriam embora?
Quem me dera não encontrar letras em Matemática. Porém, para tudo há uma boa interpretação.
Que graça há de ter em se seguir um Plano Cartesiano? Que graça há de se seguir qualquer plano?
Bom mesmo é saber para onde se quer ir, ter em mente objetivo traçado e mesmo assim mudar de idéia a cada passo, alternar a rota de chegada quando for necessário. Planos tornam o caminho sem cor, é como ter uma parábola traçada para cada um de nós, nossos sinais de positivo e negativo, nossos futuros certos.
É como ser uma bolinha. Talvez, pintada, talvez, não. Mas assim, dominadas pela matemática exata dos homens e deles suas passagens sem riscos. Os eternos covardes com explicações para tudo”.
(Risos)
19 de Abril de 2005
“Essa aula tem me deixado confusa. Estas parábolas para cima, parábolas para baixo. Bolinha pintada, bolinha sem cor. E que me importa? O que fariam estas se sentimentos tivessem? Não iriam embora?
Quem me dera não encontrar letras em Matemática. Porém, para tudo há uma boa interpretação.
Que graça há de ter em se seguir um Plano Cartesiano? Que graça há de se seguir qualquer plano?
Bom mesmo é saber para onde se quer ir, ter em mente objetivo traçado e mesmo assim mudar de idéia a cada passo, alternar a rota de chegada quando for necessário. Planos tornam o caminho sem cor, é como ter uma parábola traçada para cada um de nós, nossos sinais de positivo e negativo, nossos futuros certos.
É como ser uma bolinha. Talvez, pintada, talvez, não. Mas assim, dominadas pela matemática exata dos homens e deles suas passagens sem riscos. Os eternos covardes com explicações para tudo”.
(Risos)
19 de Abril de 2005
3 de dezembro de 2006
Sobre Maria e Ginkobiloba
Ao andar por aqueles caminhos deixara pequenas lembranças para quando resolvesse voltar. Não deixara pedaços de pão, nem doces, não arrastara uma corda, nem mesmo comprara um mapa. Somente aqueles pequenos momentos a transportariam.
O sonhar a faria conhecer a estrada para casa, mesmo tendo encontrado o habitat da Bruxa, mesmo em perigo.
Porém, quando estas memórias da menina são roubadas não existe mais caminho de volta, não existe mais saber, não existe mais casa. Tudo então vira passagem, tudo então fica perdido. Acuada, criará seu novo ponto de partida, criará sua nova avenida e quando decidir voltará a sua casa. E qual das tantas será?
“Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar”
(Los Hermanos)
O sonhar a faria conhecer a estrada para casa, mesmo tendo encontrado o habitat da Bruxa, mesmo em perigo.
Porém, quando estas memórias da menina são roubadas não existe mais caminho de volta, não existe mais saber, não existe mais casa. Tudo então vira passagem, tudo então fica perdido. Acuada, criará seu novo ponto de partida, criará sua nova avenida e quando decidir voltará a sua casa. E qual das tantas será?
“Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar”
(Los Hermanos)
28 de novembro de 2006
E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância

Tempos destes encontrei entre caixas empoeiradas e traças livros da minha infância. Uma porção deles. Só a pouco voltei a abri-los e o escolhido foi Antoine de Saint-Exupéry em sua inesquecível fábula sobre o menino em seu planeta desabitado.
Era como voltar a ser criança, ter novamente medo de ser comida por uma Jibóia e convencer-me de que sim, flores falam.
Tenho vontade de passear por esta Via Láctea, o desconhecido chama-me atenção. Seria assim como flutuar, ir de par em par, fazer novos amigos – todos diferentes. Seria como fugir ao inatingível.
“Se tu vens, por exemplo, ás quatro da tarde, desde as três horas eu começarei a ser feliz” (O Pequeno Príncipe)
Silêncio
Os segredos de amor. Não há no mundo segredos maiores como o infinito diálogo dos apaixonados. Estes têm entre si uma conexão invisível, é estar discutindo a variedade de sensações no silêncio do passar das mãos, é estar apenas de mãos dadas e saber exatamente onde se quer estar.
Estes mistérios nunca são compartilhados com meros mortais; eles não entenderão. Ficarão perdidos em seu mundo comum e suas vidas medíocres - repletas de orações compostas e marmotas. Chamarão de tolos e loucos, marionetes do sentimento, para pior. Eis os que raciocinam demais. Acabam por perder o melhor de tudo.
O homem desde sua criação sonha com máquinas supermotoras e alta tecnologia para descobrir o que exatamente o outro pensa. Há quem arrisque feitiçaria, há quem olhe fixamente para os olhos. Bobagem. É preciso apaixonar-se para saber, deixar-se levar, ficar bem quietinho, ir sentindo devagarzinho e então ouvir o coraçãozinho da menina sussurrar: Morrerei em sua nuca.
Mesmo que o menino esteja adormecido.
“E só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificar” (Cazuza)
Estes mistérios nunca são compartilhados com meros mortais; eles não entenderão. Ficarão perdidos em seu mundo comum e suas vidas medíocres - repletas de orações compostas e marmotas. Chamarão de tolos e loucos, marionetes do sentimento, para pior. Eis os que raciocinam demais. Acabam por perder o melhor de tudo.
O homem desde sua criação sonha com máquinas supermotoras e alta tecnologia para descobrir o que exatamente o outro pensa. Há quem arrisque feitiçaria, há quem olhe fixamente para os olhos. Bobagem. É preciso apaixonar-se para saber, deixar-se levar, ficar bem quietinho, ir sentindo devagarzinho e então ouvir o coraçãozinho da menina sussurrar: Morrerei em sua nuca.
Mesmo que o menino esteja adormecido.
“E só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificar” (Cazuza)
Dos olhos d'água

Tão somente menina, adornada de laços nos cabelos e sapatilhas apertadas nos pés. Aladas, com jeito de voar para onde fosse, mesmo que somente em seus sonhos. Seus olhos negros contrastavam com as águas calmas daquele velho lugarejo, a pequena praia escondida entre as montanhas de seu pensamento. Acompanhavam as ondas como sinfonia dos silêncios, poderia até mesmo escutar a voz de seu amor. E este sussurrava no coração da pobre menina:
-Terra a vista Marujos!
Todos o dias traçava o mesmo caminho pela areia branca, repleta de bichinhos que a menina faziam companhia, todos os dias ficava a olhar o mar e esperar. Dia este que nunca chegava. Desvanecida de amor não perdia suas esperanças, fitava as ondas, fitava o céu, olhava para dentro de si e nada avistava.
Cansada da longa espera resolveu mudar seu rumo e caiu. Um abismo tão profundo e intenso. Lá não havia ar, nem cor, nem bichinhos para se conversar. Tudo era cinza, feito de concreto e aço, como um grande e feio monstro.
Acordou assustada, olhou imediatamente para seus pequenos pés e neles não encontrou suas asas, olhou em sua volta, fechou os olhos almejando voltar a adormecer, abriu-os novamente e deparou-se com uma vida inteira a esperar por seu amor, não mais em sua nuvem, mas em seu mundo real.
“Morena dos olhos d'água, tire os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho
pra lhe dar". (Chico)
27 de novembro de 2006
Blogs"popular"
Situação engraçada ontem. Ao estar entre amigas surge a pergunta:
- Lanninha és tu quem escreve teu blog mesmo?
(Deparei-me uma porção de vezes com textos meus publicados em orkut e etc, engraçado, penso. Fico um tanto lisonjeada por fazer com que alguém se identifique com minhas besteiras e sentimentos mal expressados. Ao mesmo tempo fico chateada por ver se tornar algo tão banal, “perfis” de pessoas desconhecidas. Minhas mil vírgulas, minhas características, tão bobas e tão minhas. Como tudo, seus dois lados.
É legal. Mundo cibernético, sabe como é...)
- Sim Pampers, sou eu quem escreve tudinho.
- Lanninha és tu quem escreve teu blog mesmo?
(Deparei-me uma porção de vezes com textos meus publicados em orkut e etc, engraçado, penso. Fico um tanto lisonjeada por fazer com que alguém se identifique com minhas besteiras e sentimentos mal expressados. Ao mesmo tempo fico chateada por ver se tornar algo tão banal, “perfis” de pessoas desconhecidas. Minhas mil vírgulas, minhas características, tão bobas e tão minhas. Como tudo, seus dois lados.
É legal. Mundo cibernético, sabe como é...)
- Sim Pampers, sou eu quem escreve tudinho.
13 de novembro de 2006
E acorda babando
Descobri.
Já sei.
É um conversível que quero agora. Vermelho ou preto, porém é necessário um som muito potente. Quero recuperar meu cd do Aerosmith, ele combina especialmente com este carro.
A passagem de cada placa o sentimento de liberdade vai aumentando, o longe das coisas materias, de um porto, mesmo no chão sentindo-se nas nuvens, como se houvesse asas gigantescas. O vento nos cabelos parece arrancar os males, leva-los embora, deixar somente a esperança de encontrar diversão, falta de monotonia, o Diferente.
É necessária à distância de nosso ponto fixo para pensarmos onde realmente estamos, onde realmente queremos chegar. E o que fazer com tudo “isso”.
Um milhão e sete coisas para se fazer neste momento, muitas escolhas, estudos e chatices, deixa para lá. Eu vou terminar de ouvir minha música.
E depois... Aperto play novamente.
Já sei.
É um conversível que quero agora. Vermelho ou preto, porém é necessário um som muito potente. Quero recuperar meu cd do Aerosmith, ele combina especialmente com este carro.
A passagem de cada placa o sentimento de liberdade vai aumentando, o longe das coisas materias, de um porto, mesmo no chão sentindo-se nas nuvens, como se houvesse asas gigantescas. O vento nos cabelos parece arrancar os males, leva-los embora, deixar somente a esperança de encontrar diversão, falta de monotonia, o Diferente.
É necessária à distância de nosso ponto fixo para pensarmos onde realmente estamos, onde realmente queremos chegar. E o que fazer com tudo “isso”.
Um milhão e sete coisas para se fazer neste momento, muitas escolhas, estudos e chatices, deixa para lá. Eu vou terminar de ouvir minha música.
E depois... Aperto play novamente.
9 de novembro de 2006
O real mundo imaginário
Esta é a história real sobre o mundo imaginário da menina que odiava esperar.
Nasceu careca feito macaco, a família (de loucos) acreditava que fosse um Sagüi. Vingança de Deus, ou não, virou só cabelos. Pretos feito feijão.
Sua impaciência tornara-se característica principal de sua personalidade, e claro, o modo como não conseguira parar de mexer o pé. Não descansava, e seguindo na controvérsia era extremamente sonolenta.
Reza a lenda que em um dia de sol esperou seu pai. E esperou. E esperou. Ela odiava esperar. Ela odiava perder seu precioso tempo, mesmo que o tivesse pela vida inteira. Mesmo que desse não tirasse proveito, porém o era dela, e dela ninguém o poderia tomar.
Furiosa estava a menina, pensando em um milhão de formas para reverter a tal situação. Foi levada ao dentista. “Estes lugares brancos dão calafrios”. Esperou por sua consulta. Leu revistas. Bateu trezentas e sete vezes com sua unha no braço da cadeira. Observou as atendentes, cada qual com seus detalhes, o batom vermelho na boca da moça e seus dedos correndo rápido pelo teclado da máquina, pensou por um segundo na vida e desistiu. “É chato pensar na vida”.
Esperou para ir embora. Perdeu-se entre as ruas da pequena cidade, foi para onde nem Deus sabe o nome. Esperou para gravar um filme. Esperou para ver filmes. Esperou que novamente buscassem-na.
Quebrou a pequena cabeça. Como poderia fazer com que ganhasse seu tempo perdido? Como poderia fazer com que o tempo voltasse? Como viver seus momentos mais desejados sem nem mesmo sair daquela posição?
A menina usou seu artifício mais precioso: a imaginação. Entre estrelas e nuvens brancas criou seu próprio relógio. Viajaria pelo tempo quando quisesse.
Passou a noite olhando o céu, viu o nascer do sol, dormiu segura. Acreditou que a partir deste dia não “perderia” mais o tempo. Descobriu que este a pertencia, e somente a ela, sempre o encontraria e sempre se entenderiam. Pois ela o cria.
E nunca entendem porque a menina se atrasa tanto. Ou porque deixa de ir a certos lugares, deixa de viver certos momentos. Ela tem seu próprio tempo. Ela faz seu próprio tempo. Ela mora perdida em seu mundo de sonhos, porém, segue odiando esperar e vai sempre reclamar da lentidão das pessoas normais...
Nasceu careca feito macaco, a família (de loucos) acreditava que fosse um Sagüi. Vingança de Deus, ou não, virou só cabelos. Pretos feito feijão.
Sua impaciência tornara-se característica principal de sua personalidade, e claro, o modo como não conseguira parar de mexer o pé. Não descansava, e seguindo na controvérsia era extremamente sonolenta.
Reza a lenda que em um dia de sol esperou seu pai. E esperou. E esperou. Ela odiava esperar. Ela odiava perder seu precioso tempo, mesmo que o tivesse pela vida inteira. Mesmo que desse não tirasse proveito, porém o era dela, e dela ninguém o poderia tomar.
Furiosa estava a menina, pensando em um milhão de formas para reverter a tal situação. Foi levada ao dentista. “Estes lugares brancos dão calafrios”. Esperou por sua consulta. Leu revistas. Bateu trezentas e sete vezes com sua unha no braço da cadeira. Observou as atendentes, cada qual com seus detalhes, o batom vermelho na boca da moça e seus dedos correndo rápido pelo teclado da máquina, pensou por um segundo na vida e desistiu. “É chato pensar na vida”.
Esperou para ir embora. Perdeu-se entre as ruas da pequena cidade, foi para onde nem Deus sabe o nome. Esperou para gravar um filme. Esperou para ver filmes. Esperou que novamente buscassem-na.
Quebrou a pequena cabeça. Como poderia fazer com que ganhasse seu tempo perdido? Como poderia fazer com que o tempo voltasse? Como viver seus momentos mais desejados sem nem mesmo sair daquela posição?
A menina usou seu artifício mais precioso: a imaginação. Entre estrelas e nuvens brancas criou seu próprio relógio. Viajaria pelo tempo quando quisesse.
Passou a noite olhando o céu, viu o nascer do sol, dormiu segura. Acreditou que a partir deste dia não “perderia” mais o tempo. Descobriu que este a pertencia, e somente a ela, sempre o encontraria e sempre se entenderiam. Pois ela o cria.
E nunca entendem porque a menina se atrasa tanto. Ou porque deixa de ir a certos lugares, deixa de viver certos momentos. Ela tem seu próprio tempo. Ela faz seu próprio tempo. Ela mora perdida em seu mundo de sonhos, porém, segue odiando esperar e vai sempre reclamar da lentidão das pessoas normais...
17 de outubro de 2006
Bem que minha mãe chamava: LILI
Overdose de Mario Quintana.
Confesso que o lia muito, e adorava, agora posso me considerar uma de suas maiores fãs.
Tenho sorrido demais nos últimos tempos, suas poesias tem me transportado a um mundinho encantado, como ao ler ouvisse as palavras doces de uma criança.
É mágico, divertido e bonito (mesmo que eu não acredite na palavra “bonito”), é doce e talvez insensato, o que torna interessante e ao mesmo tempo desleixado, como se não desse bola.
É motivo de graça meu jeito de criança, a voz fina e manhas, porém tenho me identificado muito com a que leio, as coisas nas quais encontro beleza (estranhas, tudo bem) e dessa forma querendo morar naquelas histórias.
Espero que a criatividade dos que me cercam e nossa força de vontade orgulhe o Passarinho que estará nos vendo do melhor ângulo, e que desta forma façamos a melhor apresentação que esta escola já viu, ENCANTADA, como o tema que levamos a passarela.
Confesso que o lia muito, e adorava, agora posso me considerar uma de suas maiores fãs.
Tenho sorrido demais nos últimos tempos, suas poesias tem me transportado a um mundinho encantado, como ao ler ouvisse as palavras doces de uma criança.
É mágico, divertido e bonito (mesmo que eu não acredite na palavra “bonito”), é doce e talvez insensato, o que torna interessante e ao mesmo tempo desleixado, como se não desse bola.
É motivo de graça meu jeito de criança, a voz fina e manhas, porém tenho me identificado muito com a que leio, as coisas nas quais encontro beleza (estranhas, tudo bem) e dessa forma querendo morar naquelas histórias.
Espero que a criatividade dos que me cercam e nossa força de vontade orgulhe o Passarinho que estará nos vendo do melhor ângulo, e que desta forma façamos a melhor apresentação que esta escola já viu, ENCANTADA, como o tema que levamos a passarela.
8 de outubro de 2006
Pode soltar?
“Os franceses, por natureza, são mais arrogantes do que valentes; e no primeiro ímpeto de quem pode resistir à sua ferocidade, tornam-se humildes e perdem o ânimo" (Maquiavel)
A covardia faz do homem tolo, peça secundária do xadrez das emoções. É quando deixam seus prazeres de lado procurando concentrar-se em um só objetivo, permanecer intactos quanto a forças exteriores, e quem sabe, até mesmo proteger-se de si.
A covardia alimenta-se de vontades, destruindo não somente o homem, mas a quem o cerca, como um grande vendaval. E neste apresenta-se das mais variadas formas, em lugares nunca vistos antes. Levando a falta de ideais e causando o impacto descontrolado da alma, a perda do “eu”.
Há quem duvide de seu poder, pobres arrogantes tentando imaginar-se superiores, mesmo sabendo que esta já pode destruir reinos e romances, estes não possuem valor algum, pois não passam de mentirosas marionetes da fraqueza.
Após ter levado a tranqüilidade e dignidade a covardia leva também o amor aos demais, em um rastro de lamentação profunda, transformando o homem em bicho egoísta querendo cuidar apenas de si.
É quando aterrizamos...
A covardia faz do homem tolo, peça secundária do xadrez das emoções. É quando deixam seus prazeres de lado procurando concentrar-se em um só objetivo, permanecer intactos quanto a forças exteriores, e quem sabe, até mesmo proteger-se de si.
A covardia alimenta-se de vontades, destruindo não somente o homem, mas a quem o cerca, como um grande vendaval. E neste apresenta-se das mais variadas formas, em lugares nunca vistos antes. Levando a falta de ideais e causando o impacto descontrolado da alma, a perda do “eu”.
Há quem duvide de seu poder, pobres arrogantes tentando imaginar-se superiores, mesmo sabendo que esta já pode destruir reinos e romances, estes não possuem valor algum, pois não passam de mentirosas marionetes da fraqueza.
Após ter levado a tranqüilidade e dignidade a covardia leva também o amor aos demais, em um rastro de lamentação profunda, transformando o homem em bicho egoísta querendo cuidar apenas de si.
É quando aterrizamos...
6 de outubro de 2006
Ele reaparece
Presto atenção em coisas banais, essenciais. A pequena grande diferença entre seus esconderijos. Atenção virada a formas, as mais belas formas de se fazer algo. Como o modo como segura o lápis, colocando a língua entre os dentes, procurando concentrar-se. A forma como lentamente o tempo pára, deixando que por si só o momento deixe levar, deixando-nos levar.
Conversas, horas de conversa, sem pensar em palavras, como se neste momento essas fossem apenas coadjuvantes da dança dos pensamentos soltos no silêncio barulhento dos corações. E assim quem sabe, deixar-se levar ao sim da música, sem querer, querendo algo, prestando atenção nas mãos, sem jeito. Beijo. O beijo e suas milhões de interpretações, controvérsias e mistérios. Como afirmava.
Sendo, presto atenção ao universo em conspiração favorável ao amor, a ela, e ao modo como lentamente levanta-se e enche seu pequeno pulmão de ar. Seja ele qual for.
Conversas, horas de conversa, sem pensar em palavras, como se neste momento essas fossem apenas coadjuvantes da dança dos pensamentos soltos no silêncio barulhento dos corações. E assim quem sabe, deixar-se levar ao sim da música, sem querer, querendo algo, prestando atenção nas mãos, sem jeito. Beijo. O beijo e suas milhões de interpretações, controvérsias e mistérios. Como afirmava.
Sendo, presto atenção ao universo em conspiração favorável ao amor, a ela, e ao modo como lentamente levanta-se e enche seu pequeno pulmão de ar. Seja ele qual for.
10 de agosto de 2006
Sobre algodão e castigo
Se alguém olhou o céu hoje, concorde, estava de dar medo. Escuro, cinza, triste, preto e feio. Como se as nuvens estivessem furiosas com os terráqueos.
Entre as tantas burradas que cometemos, não dar bola para elas encontra-se no topo. Preocupados com horários, números e dinheiro não paramos um segundo para somente observa-las.
Então, a chuva. Um pedido de atenção, uma forma de lavar a alma dos seres “cara fechado”, o castigo.
Paremos um pouquinho e contemplemos as tais nuvenzinhas, demos a elas um bucadinho de atenção, um tantinho de nosso precioso “tempo”. Naqueles dias de céu azul, paremos, como se neste momento todos os relógios cessassem, os relógios do nosso mundo.
Ou, compremos um barco.
Sim, tenho medo de trovões. E daí?
Entre as tantas burradas que cometemos, não dar bola para elas encontra-se no topo. Preocupados com horários, números e dinheiro não paramos um segundo para somente observa-las.
Então, a chuva. Um pedido de atenção, uma forma de lavar a alma dos seres “cara fechado”, o castigo.
Paremos um pouquinho e contemplemos as tais nuvenzinhas, demos a elas um bucadinho de atenção, um tantinho de nosso precioso “tempo”. Naqueles dias de céu azul, paremos, como se neste momento todos os relógios cessassem, os relógios do nosso mundo.
Ou, compremos um barco.
Sim, tenho medo de trovões. E daí?
16 de julho de 2006
PALHAÇO, POR QUÊ?
A mentira é pífia, menor. É capacidade de distorcer uma verdade para fins nem sempre escusos. É natural do humano. O ator não mente como profissão. Ele cria uma verdade que só se faz real por quem assiste. Cria de um pseudo-nada, da capacidade do público de ter coisas para serem criadas. O Palhaço só puxa as tábuas do teu alicerce, o que despenca foi colocado por você. Se há muito em cima, o tombo é maior...
Ser palhaço é ficar no limiar do riso e do choro. O público, que em geral ignora as questões metafísicas de um palhaço, ri. Ri de sádico. De ver o palhaço na ridícula situação de um palhaço. Coitado do público, mal sabe que o palhaço é ele mesmo. Ele às avessas, ele com coragem. O Palhaço faz rir com seus próprios defeitos para que você não sofra com os teus...
Bobo
Sempre tive medo deles, algum motivo obscuro escondido detrás tanto riso e maquiagem. Seria crime não falar sobre a peça de ontem, mesmo que faltem adjetivos (loucos, acredite, loucos), procurar palavras rebuscadas e complexas (pois, assim fiquei) para tentar entender o cotidiano de um palhaço, o outro lado da história.
PALHAÇO, POR QUÊ? é o nome. E não poderia ser diferente.
Risos e lágrimas, como a face de um, nos transmitem um “nãoseioquê” de emoção diferente, algo sem explicação.
Fiquei chateada por encontrar o teatro “vazio”, não poder ver a platéia toda de pé batendo palmas para artistas que nos tocam tão fundo, não se importando se aparecem em rede globo ou não. Queria ver a platéia de pé batendo palmas para o que tocou Los Hermanos, mesmo que eu e a Lara tenhamos tido reação como mil crianças, valendo por todos eles.
E daqui a pouco estamos lá de novo, último dia em Pelotas, vale a pena.
Palhaços... Quem diria, me fizerem estremecer, e dessa vez, não de medo.
Ser palhaço é ficar no limiar do riso e do choro. O público, que em geral ignora as questões metafísicas de um palhaço, ri. Ri de sádico. De ver o palhaço na ridícula situação de um palhaço. Coitado do público, mal sabe que o palhaço é ele mesmo. Ele às avessas, ele com coragem. O Palhaço faz rir com seus próprios defeitos para que você não sofra com os teus...
Bobo
Sempre tive medo deles, algum motivo obscuro escondido detrás tanto riso e maquiagem. Seria crime não falar sobre a peça de ontem, mesmo que faltem adjetivos (loucos, acredite, loucos), procurar palavras rebuscadas e complexas (pois, assim fiquei) para tentar entender o cotidiano de um palhaço, o outro lado da história.
PALHAÇO, POR QUÊ? é o nome. E não poderia ser diferente.
Risos e lágrimas, como a face de um, nos transmitem um “nãoseioquê” de emoção diferente, algo sem explicação.
Fiquei chateada por encontrar o teatro “vazio”, não poder ver a platéia toda de pé batendo palmas para artistas que nos tocam tão fundo, não se importando se aparecem em rede globo ou não. Queria ver a platéia de pé batendo palmas para o que tocou Los Hermanos, mesmo que eu e a Lara tenhamos tido reação como mil crianças, valendo por todos eles.
E daqui a pouco estamos lá de novo, último dia em Pelotas, vale a pena.
Palhaços... Quem diria, me fizerem estremecer, e dessa vez, não de medo.
15 de julho de 2006
XEROX, R$0,10
Temo que o “diferente” tenha entrado no circulo vicioso da moda de personalidades. Em seus desfiles de excentricidades, onde, ao tentar o destaque acabamos nos tornando cada vez mais parecidos.
Porém, as coisas mais simples seriam as mais difíceis, como o jeito de prender o cabelo e o modo como a blusa cai no ombro. Ao “xerocar”, perdemos as melhores partes, como o brilho da figura e suas cores, ao usar algo falsificado perdemos o entusiasmo de possuir algo só seu, original.
Ao deparar-me com fotos minhas no orkut de uma menina, pensei mais sobre o assunto, tentando encontrar explicações para tal. Falta de segurança, talvez, o tentar apoiar-se à imagem de alguém, com medo de olhar para si, tentar obter a arte final de uma obra inacabada. Usar os conceitos, formas e jeitos de outros, seria uma mentira deslavada, forma de base para insegurança infantil e/ou falta de conhecimento próprio.
Vide a bula, procurando assim características de total destaque, ou fiquemos, mais uma vez, todos iguais.
Analistas e psicólogos que se preparem, esta geração vem repleta de depressões, músicas sobre éguas e falta de inteligência.
Porém, as coisas mais simples seriam as mais difíceis, como o jeito de prender o cabelo e o modo como a blusa cai no ombro. Ao “xerocar”, perdemos as melhores partes, como o brilho da figura e suas cores, ao usar algo falsificado perdemos o entusiasmo de possuir algo só seu, original.
Ao deparar-me com fotos minhas no orkut de uma menina, pensei mais sobre o assunto, tentando encontrar explicações para tal. Falta de segurança, talvez, o tentar apoiar-se à imagem de alguém, com medo de olhar para si, tentar obter a arte final de uma obra inacabada. Usar os conceitos, formas e jeitos de outros, seria uma mentira deslavada, forma de base para insegurança infantil e/ou falta de conhecimento próprio.
Vide a bula, procurando assim características de total destaque, ou fiquemos, mais uma vez, todos iguais.
Analistas e psicólogos que se preparem, esta geração vem repleta de depressões, músicas sobre éguas e falta de inteligência.
10 de julho de 2006
O BERÇO FEITO DE MÁGICA
Faz tempo que não apareço por aqui. Tenho estado indiferente com palavras e/ou minha personalidade.
Dizem que é coisa da idade, acredito ser coisa de todas as idades. Momento de transação, transformação. Quem sou eu? Onde estou? Para que sirvo? Onde fica o botão do volume?
Mistura de italianos com espanhóis, filha de apaixonados por tango, sobrinha de homens do samba, irmã de atriz de teatro e cientista, neta de um sábio do truco. Nascida em berço de mágica, crescida com ensinamentos de bossa nova, a menina, entre violões e cigarros, entre poesia e Carlos Gardel, estava confusa.
Torcedora do São Paulo Futebol Clube, influenciada pelo pai. Estuda história e literatura, abandona os números e vai deixando tudo “para lá” de mansinho, com o intuito de que fosse organizar as idéias no outro dia, no outro e no outro...
Inconstante, chata, dengosa e sonolenta, como se isso a resumisse.
Apaixonada por livros e boas histórias, ouve músicas e sente saudades, sente saudades e ouve música. Apaixonada por tudo que lhe chama a atenção, pequenas coisas, não esquecendo de citar o olhar perdido e as caretas que faz para animar os amigos.
E tem amigos. Como se não bastasse um, uma porção deles, muitos verdadeiros, alguns nem tanto, mas com certeza estariam prontos para quando precisasse.
Tem um cachorro, sim, quem não tem? Preto, como a cor da camionete que sonha em ter, enorme, para andar sem rumo por aí, por ali, por lá, por acolá. Por onde quiser, por onde ela mesma se levar.
Tem nome de fada, já diziam por aí, há história na família de que foi o pai que escolheu, mas a mãe não confirma a versão.
Não acorda de manhã e já vira confusão.
- Dormi tarde ontem...
Como se a desculpa fosse outra, diz a cada dia de forma diferente, faz tudo a cada dia de forma diferente, degusta o novo, trata com carinho o velho (velhas paredes, velhos retratos, velhas canções e sonhos).
Sonhos. Ela os tem aos montes, sonha em ir embora, sonha em morar em Cuba, ah, e fazer faculdade de medicina em terras de Fidel Castro, porém também pensa em conhecer a cidade da avó no cantinho da Itália. Talvez amanhã eles mudem e então ela sonhará cada vez mais alto, como uma criança que almeja o alvo mais difícil e sem querer acaba quebrando o vaso mais bonito.
Sou Lanna, filha do homem mais inflexível e culto que conheço, “menina mulher da pele preta” como chama a irmã, Neneca como chama o pai, Lili como fala calmamente a mãe e Mana como grita o irmão.
Estou no lustre do castelo, esperando o momento certo para ligar o motor de uma enorme camionete preta e ir embora, de malas prontas e muita vontade. Saudade também, muito bem guardada. Dos tempos que não vivi, tempos em que nem tinha nascido, saudades dos abraços no meu Vô Nona que não pude dar, saudades dos passos de tango que Vô Ico não pode me ensinar.
Sirvo para trazer a máxima alegria e ajuda no que posso, trago também muita compreensão e um copo de coca-cola sem gás e com muitas pedras de gelo e/ou um trident de canela. Sirvo para ver filmes brasileiros, com preferência a desenhos do Charlie Brown, tomar uma cerveja ou talvez ficar conversando debaixo a um lençol de estrelas, por horas a fio.
Botão do volume? Ah o tal do gritar... isso aí já é coisa dos Collares, nascemos sem essa peça.
Dizem que é coisa da idade, acredito ser coisa de todas as idades. Momento de transação, transformação. Quem sou eu? Onde estou? Para que sirvo? Onde fica o botão do volume?
Mistura de italianos com espanhóis, filha de apaixonados por tango, sobrinha de homens do samba, irmã de atriz de teatro e cientista, neta de um sábio do truco. Nascida em berço de mágica, crescida com ensinamentos de bossa nova, a menina, entre violões e cigarros, entre poesia e Carlos Gardel, estava confusa.
Torcedora do São Paulo Futebol Clube, influenciada pelo pai. Estuda história e literatura, abandona os números e vai deixando tudo “para lá” de mansinho, com o intuito de que fosse organizar as idéias no outro dia, no outro e no outro...
Inconstante, chata, dengosa e sonolenta, como se isso a resumisse.
Apaixonada por livros e boas histórias, ouve músicas e sente saudades, sente saudades e ouve música. Apaixonada por tudo que lhe chama a atenção, pequenas coisas, não esquecendo de citar o olhar perdido e as caretas que faz para animar os amigos.
E tem amigos. Como se não bastasse um, uma porção deles, muitos verdadeiros, alguns nem tanto, mas com certeza estariam prontos para quando precisasse.
Tem um cachorro, sim, quem não tem? Preto, como a cor da camionete que sonha em ter, enorme, para andar sem rumo por aí, por ali, por lá, por acolá. Por onde quiser, por onde ela mesma se levar.
Tem nome de fada, já diziam por aí, há história na família de que foi o pai que escolheu, mas a mãe não confirma a versão.
Não acorda de manhã e já vira confusão.
- Dormi tarde ontem...
Como se a desculpa fosse outra, diz a cada dia de forma diferente, faz tudo a cada dia de forma diferente, degusta o novo, trata com carinho o velho (velhas paredes, velhos retratos, velhas canções e sonhos).
Sonhos. Ela os tem aos montes, sonha em ir embora, sonha em morar em Cuba, ah, e fazer faculdade de medicina em terras de Fidel Castro, porém também pensa em conhecer a cidade da avó no cantinho da Itália. Talvez amanhã eles mudem e então ela sonhará cada vez mais alto, como uma criança que almeja o alvo mais difícil e sem querer acaba quebrando o vaso mais bonito.
Sou Lanna, filha do homem mais inflexível e culto que conheço, “menina mulher da pele preta” como chama a irmã, Neneca como chama o pai, Lili como fala calmamente a mãe e Mana como grita o irmão.
Estou no lustre do castelo, esperando o momento certo para ligar o motor de uma enorme camionete preta e ir embora, de malas prontas e muita vontade. Saudade também, muito bem guardada. Dos tempos que não vivi, tempos em que nem tinha nascido, saudades dos abraços no meu Vô Nona que não pude dar, saudades dos passos de tango que Vô Ico não pode me ensinar.
Sirvo para trazer a máxima alegria e ajuda no que posso, trago também muita compreensão e um copo de coca-cola sem gás e com muitas pedras de gelo e/ou um trident de canela. Sirvo para ver filmes brasileiros, com preferência a desenhos do Charlie Brown, tomar uma cerveja ou talvez ficar conversando debaixo a um lençol de estrelas, por horas a fio.
Botão do volume? Ah o tal do gritar... isso aí já é coisa dos Collares, nascemos sem essa peça.
18 de junho de 2006
Para a advogada do palhaço
Entre palhaços e trapezistas se viu criança novamente. A cada salto um momento onde o coração voava, a cada risada a liberdade da felicidade que estava contida. Ela foi ao circo sem nem mesmo acreditar que poderia viver tão intensamente o momento. Ela foi ao circo e encontrou a magia de um espetáculo.
Risos e êxtase fundem-se em dois olhos brilhantes. Uma menina perdida em seu mundo de sonhos onde a felicidade agora estava no centro daquele palco.
Pra ti, minha linda irmã.
Assistam ao Tholl, um momento mágico, inacreditável, encantador. Faltam-me palavras neste momento, ou talvez, seja algo inexplicável de verdade. O circo mais uma vez trazendo alegria aos corações. Mas confesso que ainda tenho medo de palhaços.
Risos e êxtase fundem-se em dois olhos brilhantes. Uma menina perdida em seu mundo de sonhos onde a felicidade agora estava no centro daquele palco.
Pra ti, minha linda irmã.
Assistam ao Tholl, um momento mágico, inacreditável, encantador. Faltam-me palavras neste momento, ou talvez, seja algo inexplicável de verdade. O circo mais uma vez trazendo alegria aos corações. Mas confesso que ainda tenho medo de palhaços.
16 de junho de 2006
Aquela velha história
Comecei a admirar as tartarugas. Queria ter um casco bem grande, bem bonito e confortável, para entrar lá quando algo me incomoda. Pode parecer egoísmo, sei, apenas hoje era tudo que eu queria.
Logo eu que sempre quis ter asas, voar para longe, e ser assim, impossível de se domesticar, hoje quero me esconder, me guardar, desaparecer. Cada mudança de vontade, cada idéia modificada, uma forma de fugir para um mundinho só meu.
Percebo que facilmente pessoas e coisas me decepcionam, e comigo tudo sempre foi de forma irreversível. Talvez por acreditar que tudo pode ser maior que esses princípios, talvez por acreditar que as coisas vão muito além da fronteira desta cidade.
Acabo criando uma expectativa por encontrar alguém com as mesmas idéias, o que resulta em frustração, pois nem todos pensam como pensamos, nem tudo é como o esperado.
Acontece com amigos, pessoas desconhecidas, livros, cd’s, até mesmo uma matéria no colégio, acontece todo dia, a todo o momento. Chato, diria.
As pessoas não têm culpa alguma de serem o que são, culpada eu de querer encontrar qualidades que só a mim fazem diferença. E por tentar encontrar diferenças acabo encontrando semelhanças.
Então, entrar para meu casco seria perfeito, ficar lá pensando, ouvindo uma música boa, escrevendo e desenhando. Eu, acompanhada de minhas idéias, esperando mais uma vez o toc toc de algo para chamar minha atenção.
O mundo lá fora anda muito sem criatividade ou sou a garota insatisfação. Felizes são as tartarugas.
Logo eu que sempre quis ter asas, voar para longe, e ser assim, impossível de se domesticar, hoje quero me esconder, me guardar, desaparecer. Cada mudança de vontade, cada idéia modificada, uma forma de fugir para um mundinho só meu.
Percebo que facilmente pessoas e coisas me decepcionam, e comigo tudo sempre foi de forma irreversível. Talvez por acreditar que tudo pode ser maior que esses princípios, talvez por acreditar que as coisas vão muito além da fronteira desta cidade.
Acabo criando uma expectativa por encontrar alguém com as mesmas idéias, o que resulta em frustração, pois nem todos pensam como pensamos, nem tudo é como o esperado.
Acontece com amigos, pessoas desconhecidas, livros, cd’s, até mesmo uma matéria no colégio, acontece todo dia, a todo o momento. Chato, diria.
As pessoas não têm culpa alguma de serem o que são, culpada eu de querer encontrar qualidades que só a mim fazem diferença. E por tentar encontrar diferenças acabo encontrando semelhanças.
Então, entrar para meu casco seria perfeito, ficar lá pensando, ouvindo uma música boa, escrevendo e desenhando. Eu, acompanhada de minhas idéias, esperando mais uma vez o toc toc de algo para chamar minha atenção.
O mundo lá fora anda muito sem criatividade ou sou a garota insatisfação. Felizes são as tartarugas.
11 de junho de 2006
Sempre odiei domingo
Acabo de ler Budapeste, livro de renome em que o autor é um grande ídolo, conseqüência da grande influência do pai sobre nosso gosto musical e literário, Chico Buarque.
Fez-se um dia horrível, acordei cinza como o céu e a tarde foi feita como chá de limão e mel, daqueles que somos obrigados a tomar quando estamos gripados.
Sobre o livro tenho a dizer que foi um dos melhores que já li, devido a seu magnetismo, uma forma estranha de fixação entre a menina e as palavras. Seu conteúdo é de imenso valor, rico em detalhes e características que tornam os personagens pessoas especiais, como se os conhecêssemos.
Pergunte-me o que chamou minha atenção e não saberia citar um capítulo ou dois, talvez o que “chamou minha atenção” foi o fato de ser um livro em que cada detalhe pode ser uma mentira ou uma verdade. Entre elas, não se sabe o real e o imaginário, fazendo da história incomum.
São 20:35, o que salvou meu domingo foi um bucado de palavras que se tornaram escassas ao longo do tempo, elas terminaram conforme a passada de meus dedos virando cada página... E agora, quem resgatará esse resto de noite?
Fez-se um dia horrível, acordei cinza como o céu e a tarde foi feita como chá de limão e mel, daqueles que somos obrigados a tomar quando estamos gripados.
Sobre o livro tenho a dizer que foi um dos melhores que já li, devido a seu magnetismo, uma forma estranha de fixação entre a menina e as palavras. Seu conteúdo é de imenso valor, rico em detalhes e características que tornam os personagens pessoas especiais, como se os conhecêssemos.
Pergunte-me o que chamou minha atenção e não saberia citar um capítulo ou dois, talvez o que “chamou minha atenção” foi o fato de ser um livro em que cada detalhe pode ser uma mentira ou uma verdade. Entre elas, não se sabe o real e o imaginário, fazendo da história incomum.
São 20:35, o que salvou meu domingo foi um bucado de palavras que se tornaram escassas ao longo do tempo, elas terminaram conforme a passada de meus dedos virando cada página... E agora, quem resgatará esse resto de noite?
31 de maio de 2006
Pokémon
É engraçado lembrar das nossas reações quando criança, as coisas com as quais nos importávamos, as coisas que reparávamos. Não seria novidade citar que na infância tudo parece muito maior, e não só por sermos pequenos, mas por sermos mais sinceros e bem mais observadores.
Na aula de literatura lembrei de algo...
Um belo dia acordei e minha mãe disse:
-Neneca, saiu uma reportagem no jornal dizendo que o desenho aquele que tu gostas é muito violento.
Violento? Não, para aí, só um pouquinho, praticamente vivo dentro de uma pokebola, sonho com o Ash e vibro a cada choque do Pikachu, aí, vem um cara grande desses e diz que é violento? Se perguntassem a uma criança ela diria que é o desenho mais legal do planeta. Mas não, perguntam a um adulto e ele diz que é violento, bem palavra de adulto mesmo.
-Mãe, vou escrever para o jornal.
Juro que me esforcei ao máximo, lembro direitinho da minha estranheza com o computador e com as palavras. Mesmo com minha linguagem infantil e erros de português constantes a crônica foi publicada.
Dei risada disso hoje, talvez com oito anos eu fosse bem mais revoltada e lutasse bem mais pelo meu ponto de vista, mesmo que para os adultos meus ideais não tivessem tanta importância.
O tempo foi levando o gosto por Pokémon, mas afirmo, repito e gravo que a menininha braba segue aqui.
Na aula de literatura lembrei de algo...
Um belo dia acordei e minha mãe disse:
-Neneca, saiu uma reportagem no jornal dizendo que o desenho aquele que tu gostas é muito violento.
Violento? Não, para aí, só um pouquinho, praticamente vivo dentro de uma pokebola, sonho com o Ash e vibro a cada choque do Pikachu, aí, vem um cara grande desses e diz que é violento? Se perguntassem a uma criança ela diria que é o desenho mais legal do planeta. Mas não, perguntam a um adulto e ele diz que é violento, bem palavra de adulto mesmo.
-Mãe, vou escrever para o jornal.
Juro que me esforcei ao máximo, lembro direitinho da minha estranheza com o computador e com as palavras. Mesmo com minha linguagem infantil e erros de português constantes a crônica foi publicada.
Dei risada disso hoje, talvez com oito anos eu fosse bem mais revoltada e lutasse bem mais pelo meu ponto de vista, mesmo que para os adultos meus ideais não tivessem tanta importância.
O tempo foi levando o gosto por Pokémon, mas afirmo, repito e gravo que a menininha braba segue aqui.
26 de maio de 2006
Acabaram-se as férias
Enfim, chega sexta-feira.
Tanto tempo escrevendo x² que acabei deixando de lado meus papéis cheios de idéias. O dia mais esperado da semana chega com gostinho de segunda, temos que encarar os erros, correr atrás do tempo perdido e estudar muito.
Dois mil e seis começa em final de maio, paciência.
-Te esforça Pretinha.
-Sim senhora.
Tanto tempo escrevendo x² que acabei deixando de lado meus papéis cheios de idéias. O dia mais esperado da semana chega com gostinho de segunda, temos que encarar os erros, correr atrás do tempo perdido e estudar muito.
Dois mil e seis começa em final de maio, paciência.
-Te esforça Pretinha.
-Sim senhora.
17 de maio de 2006
Sobre mulheres e ouvidos
Falar sobre o quê não sei, mas gosto de falar, assim, por falar.
Acredito que dividir experiências antigas, histórias engraçadas, momentos saudosos, seja algo revigorante.
Falar, sem assunto em pauta, motivo ou discussão, falar falando, sem querer, sem perceber.
Utilizar todas as palavras pomposas que conhecemos, fazer uma piadinha com alguma delas, um sorriso aqui, outro ali.
Com certeza a conversa das pessoas é prato principal.
-Eai Princesa, beleza? Te achei muito gatinha.
Tudo bem que tu és um cara boa pinta, mas meu nome não é Diana, não sou princesa, e beleza? “Beleza”...
-Oi, tudo bom? Desculpa, mas eu posso perguntar o teu nome?
Claro que pode, meu nome é Lanna, tudo bom? Tudo bem que tu sejas um dos caras mais feios que eu já vi, mas percebo que aí tem muito pano pra manga.
Cérebro. De que adiantaria Josh Hartnett sem uma pitada de Marcelo Camelo?
Tu agüentas um dia, dois, estourando três, e aí... O velho clichê “beleza não põe mesa” FALA mais alto.
Fale, mesmo que seja a maior bobagem do mundo, elas gostam de sorrir. Fale sobre coisas inteligentes, sobre estrelas e constelações, conte histórias de infância, peça para caminhar pela rua e jogar conversa fora, ir tomar uma cerveja sem compromisso com horário.
Fique falando por horas, sem medo de desvendar segredos ou vergonha.
E se isso for exigir demais, tudo bem, haverá sempre uma sem papo para um despapado.
Feliz de mim que tenho ouvidos;
Boa sorte a quem ainda os procura.
Acredito que dividir experiências antigas, histórias engraçadas, momentos saudosos, seja algo revigorante.
Falar, sem assunto em pauta, motivo ou discussão, falar falando, sem querer, sem perceber.
Utilizar todas as palavras pomposas que conhecemos, fazer uma piadinha com alguma delas, um sorriso aqui, outro ali.
Com certeza a conversa das pessoas é prato principal.
-Eai Princesa, beleza? Te achei muito gatinha.
Tudo bem que tu és um cara boa pinta, mas meu nome não é Diana, não sou princesa, e beleza? “Beleza”...
-Oi, tudo bom? Desculpa, mas eu posso perguntar o teu nome?
Claro que pode, meu nome é Lanna, tudo bom? Tudo bem que tu sejas um dos caras mais feios que eu já vi, mas percebo que aí tem muito pano pra manga.
Cérebro. De que adiantaria Josh Hartnett sem uma pitada de Marcelo Camelo?
Tu agüentas um dia, dois, estourando três, e aí... O velho clichê “beleza não põe mesa” FALA mais alto.
Fale, mesmo que seja a maior bobagem do mundo, elas gostam de sorrir. Fale sobre coisas inteligentes, sobre estrelas e constelações, conte histórias de infância, peça para caminhar pela rua e jogar conversa fora, ir tomar uma cerveja sem compromisso com horário.
Fique falando por horas, sem medo de desvendar segredos ou vergonha.
E se isso for exigir demais, tudo bem, haverá sempre uma sem papo para um despapado.
Feliz de mim que tenho ouvidos;
Boa sorte a quem ainda os procura.
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