22 de maio de 2012

dia do abraço



"sem nome"


http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2012/05/22/o-homem-perdido-diante-da-mulher-que-se-acha/
O Xico escreveu hoje e lembrei de uma coisa que tinha escrito meio embriagada pra uma amiga:


Uma vez em um avião me apaixonei por um cara. Mentira, não foi no avião. Foi naquele ônibus que leva a gente pra pegar o vôo. Senti, por cerca de quinze minutos, muita vontade de ter ele por perto. Engraçado porque essa história deve fazer uns três anos e o nosso papo foi sobre “cidade”, assunto que virou minha pauta nos últimos tempos.  Eu ia pra um congresso em São Paulo e ele só iria até lá pra buscar algumas coisas e trazer para Porto Alegre, ele era gaúcho e ia voltar de “mala e cuia” para cá. Eu não lembro o nome dele, mas lembro que ele sentou do meu lado assobiando “A Rosa” do Chico e isso meio que bastou. Já respeito quem assobia. Agora... Assobiar uma das minhas músicas preferidas em um ônibus de aeroporto (“amor no não-lugar” daria um bom título) pedia que a gente conversasse. Ele puxou papo comigo perguntando se eu era arquiteta e um xalála engraçadinho. Mas aí dividiu comigo um pensamento que eu achei interessante. Ele disse que as pessoas ficam com cara de vácuo no aeroporto e eu só tive que concordar. Respondi que alguém no aeroporto não tá nem no lugar de onde veio, nem no lugar pra onde vai, devia ser por isso o vácuo que ele sentia (raciocínio meio lógico, me senti meio burra depois). Falamos sobre as diferenças entre São Paulo e Porto Alegre (como se eu soubesse alguma coisa demais de qualquer uma delas), porque ele tinha decidido voltar e sobre o espaço do amor nessas cidades. Ele desceu do ônibus assobiando. E, eu pensei que nunca daria mais de quinze minutos para que alguém me conquistasse. Burlei essa regra muitas vezes, mas pensei.

Mas, isso é só uma introdução pro acontecimento de hoje. Em uma roda de conversa feminina a reclamação era uma só: “O que está acontecendo com os homens?”. “A coisa tá difícil”, “Meu ex virou gay”, “Ele pedia para usar os meus cremes”, foram frases recorrentes na conversa e eu "dele" a concordar. Enquanto as reclamações surgiam e a minha gastrite começava a dar sinais de pânico, pensei: “Xi, não é a primeira vez que eu escuto isso aqui em Porto Alegre, a coisa deve estar feia mesmo”.

Mas, deduzi: É TUDO CULPA NOSSA. É verdade. É tudo culpa nossa. Que me perdoem as feministas, nós transformamos os homens em um porre. Bem vestidos e desinteressantes.
Foram tantas reclamações das peladas de domingo, do jogo de futebol na TV, da tampa da privada levantada, da calça de moletom rasgada, do violão na madrugada, dos amigos malas que só falam de mulher, das noitadas... Que de “Amélia”, nós passamos a ser “As malas”. Nós transformamos esse tipo de cara comum (e bom, na minha humilde opinião) em uma ameaça ao nosso novo padrão de vida: mulher linda e independente que chega em casa e não quer tampinhas de cerveja pelo chão. A gente reclamou tanto... Mas tanto... Que de tanto reclamar os homens, como bons homens, atenderam. Ficaram modernos, alinhados, antenados, vaidosos... E chatos.

O homem comum está em extinção. O homem que não sabe que grife nós estamos vestindo (me inclui no time que usa grife), que tem vergonha de tirar fotos de si, que usa um tênis velho até alguém obrigá-lo a comprar outro, que bebe bebida alcoólica durante a semana, aquele que nosso amigo gay não fica em dúvida, minha cara, está em extinção. E, isso é nossa culpa. Entre tanta caretice da vida pós-moderna a caça ao homem comum começou a já está desenfreada.

Lembro que uma vez ri muito daquele programa em que a personagem dizia "eu só quero um cara mais ou menos pra chamar de meu". Eu tô achando isso mais genial ainda porque esse homem "mais ou menos" vai ser o mais disputado nos novos tempos. Vão exister músicas sobre ele. Programas de televisão "QUERO QUE MEU HOMEM VOLTE A ASSISTIR FUTEBOL". E muito mais.
O outro tal, o novo tipo de homem que ainda não tem nome (o que os amigos ficam em dúvida) transformam suas mulheres em espelhos (porque Narciso acha feio o que não é espelho) e aí vai ficando todo mundo meio sem cara. E, tem babaquice maior que essa? Só que essa babaquice só tende a emputecer mais mulheres a cada dia. 

O que isso tudo tem a ver? Tem a ver que eu raciocinei uma teoria que pode valer milhões. Se uma mulher vê um cara fazendo alguma coisa legal sem ser pra se exibir pra ela... Existe grande probabilidade desse cara ser um tão desejado "mais ou menos". Nada de xeretar redes sociais, nada de quebrar a cabeça para descobrir quem são os amigos em comum, nada disso. O homem "mais ou menos" não dá bandeira, não precisa de um espelho ou foto do restaurante onde foi. E aí entra o cara do aeroporto. Ele nunca podia desconfiar que sentada ao lado dele tinha uma fã do Chico e que repararia nele só pelo fato de assobiar "A Rosa". Mas, ele fez. Porque era ele de verdade. Sorte, né? Eu podia ter tido esse raciocínio antes, teria acalmado algumas mulheres estéricas.

Rezemos para que existam muitos dos tais espalhados por aí.

21 de maio de 2012

futuro




Nunca imaginei que chegaria o dia em que teria coragem de pendurar o quadro que ganhei de ti na parede de uma casa que fosse minha e não nossa. E em cada martelada na minha parede exorcizei a necessidade de que toda parede fosse nossa e não minha. E, sentei na sala e fiquei olhando aquele quadro olhando pra mim e chorei. Chorei por mim, por "você", por nós, por acreditar que amor abandonado é o mais triste dos amores. Nunca imaginei que chegaria o dia em que não conseguiria falar contigo só pra dizer que tinha, enfim, pendurado o quadro que ganhei de ti e que nunca imaginei que ficaria em uma parede que fosse só minha e não nossa. Mas, os tais dias chegaram. Resta saber como lidar com eles. 

17 de maio de 2012

lição de vida em 1 minuto


- Cara, tu tá passando dos limites com essa síndrome balzaquiana do avesso de araque. Quando vejo um email com o teu nome já sei que vem esse lero-lero e tô ficando com preguiça. Tu não viu o Saia Justa quando o Xico disse que os 40 são os novos 30? Quando a frígida da Camila Morgado ficou puta e disse que isso não existe mais? Por sinal, tu viu que ontem ele falou sobre mulheres e barriguinha? Me senti acolhida. E tu vai fazer 22. Então tu tem quase 20 anos aí pra ficar em crise. E mermão, tu não tem nem ferro de passar roupa, ou seja, tu nem passa as tuas roupas. Cria vergonha na cara. Nada disso tá fazendo sentido e maldito seja o dia que a gente comentou contigo que logo chegaria o teu inferno astral. Quando essa tua crisezinha careta e cafona passar talvez tu reconheça que aquele batom vermelho achado por R$2,50 foi realmente um achado e vai começar a sentir que as coisas tão dando certo, mesmo que por linhas tortas, porque o destino faz isso pra gente se envolver com mais gente e aí a gente separa a nata interessante e é feliz ao lado dos nossos e é isso aí c'est la vie mon cherie.

- Eu tinha ligado só pra dizer que te amo. 

- Tá, valeu, agora te aqueta e vai dormir. 

16 de maio de 2012

juntos


Pensei muito tem ti Principito e escolhi a dedo um cd pra gente ouvir quando eu chegar. O teu vovô, que é o meu papai, falava muito desse disco. Chama “Os Saltimbancos” e é de uma peça de teatro que conta a história de amigos que são muito amigos (se alguém apresentar ela de novo eu prometo te levar).  Tudo isso, peça e disco, é de um cara que eu espero que tu goste quando crescer. O teu vovô canta todo dia alguma música dele, mas quando eu tinha o teu tamanho morria de medo de uma que chamava “Geni” e ele insistia em cantar (acho que até hoje eu fico meio angustiada quando escuto). Bem que na época tu já podia tá entre a gente pra dizer “Ei, para vovô”.
Nesse tal disco sobre os amigos tem uma música que chama “Todos juntos”, assim como te ensinei um dia e tu aprendeu rapidinho:
- Principito, como a gente tem que andar na rua?
- Juntos.
É... Na música diz que juntos nós somos mais fortes. E eu me sinto assim quando tu fica do meu lado ou quando vem correndo puxando a minha mão e dizendo sem parar:
- Tia, tia, tia, tia, tia...
Eu acho que tu ainda é muito “ito” pra entender a diferença que fez nas nossas vidas e do quanto a gente ficou forte depois que tu apareceu. Deve ser porque todo o nosso amor se ilumina e cresce a cada chegada tua. Até o vovô que é de muito carinho, mas pouco abraço, fica logo abraçando todo mundo. Todos juntos somos mais fortes agora porque, no fundo, a gente já tava te esperando há um tempão e não sabia mais onde colocar tanto amor. Ainda tem um montão de gente por vir aí, mas aí é tu quem vai mostrar os discos legais pra eles e o amor vai se multiplicar cada vez mais.
-Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, não há nada pra temer, ao meu lado há um amigo que é preciso proteger.
E não vejo a hora de chegar, não vejo a hora de te proteger, não vejo a hora da gente fazer a coisa que mais sabe: ficar junto. 

"da janela de copacabana"

(o possível motivo da desistência)

Ando com a ideia fixa de parquet claro e sol entrando, uma parede branca, uma cortina transparente que voa e deixa ver um monte de planta, aquele quadro com um pedaço do Inutensílio do Leminski e o Baden Powell correndo. Tenho vergonha de ter parado de desenhar porque meu pai se orgulhava de mim, me dava coisas pra desenhar, me pagava cursos de desenho, mostrava um pierrot que eu tinha desenhado com uns 5 anos pra todo mundo. Um dia eu parei. Hoje eu queria desenhar essa ideia fixa pra poder comparar depois com as vontades que eu vou ter daqui a muito tempo, porque antes tinha ele cochilando com a camiseta suja de tinta no sofá vermelho de pé palito e eu nervosa porque ia sujar e aí ele sumiu. Devia dar pra tirar foto de ideia. Assim a gente arquivava tudo e não tinha medo de se perder. Como agora. 


15 de maio de 2012

pra amar e guardar

"A cada dia me convenço mais do quanto eu sou abençoada pela vida. Eu tenho amigos - dos melhores. Daqueles que regam com amor, atenção, bom humor, carinho e sinceridade (mesmo que não seja tão doce) tudo o que plantamos juntos. É um laço sublime, límpido e puro. Ouço dizer que é difícil ter um amigo, "nos dias de hoje". Mas, pra contrariar essa teoria, eu tenho vários. Não digo que são muitos, mas diversos. Em forma, espírito e tempero. E, mesmo tão distintos, todos tem em comum um par de braços sempre abertos pra mim. Amém! Se hoje faço falta é porque eu trouxe um pouquinho de cada um de vocês comigo. Ei, Neneca, eu tô quase. Enquanto isso, coloca uma música bem brega pra me esperar."

Tive o prazer de ler isso hoje cedo. Em tempos de "Amor Líquido" somos do grupo que adora acordar de ressaca. 

14 de maio de 2012

só falta você estar


Hoje quis muito a tua presença aqui pertinho, nada sério, só queria mesmo rir das tuas bobagens. Eu te ligaria, te chamaria pra tomar um café, tu me trocaria pelo trabalho e voltaria a se comunicar na hora em que só uma cervejinha caísse bem. É. Sei que falta pouco pra tua presença preencher a minha casa e pode ser um exagero essa saudade toda. Na verdade, se eu te conheço bem, tu debocharias do meu exagero: “Neneca, ouve uma música bagaceira pra não pensar demais, vai”. Mas, como pode? Esse final de semana teve Hermanos. É. Eu tenho “pensado demais”. Mas, fico me policiando. Tô cogitando comprar uns cd’s de jazz (mesmo que eu não saiba nem por onde começar e não tenha nem onde tocar), me esforçar pra juntar dinheiro e, enfim, ir a Inhotim (ou desistir e colocar tudo na nossa velha e saudosa ideia de Cuba), ter mais comida na geladeira, ir ao cinema sozinha, essas coisas. Tô querendo fazer as coisas que sempre quis fazer quando “crescesse” pra me sentir grande. Não existe uma placa que indique quando, afinal, “crescemos”, ou uma luz que acende, ou qualquer coisa do tipo. Mas, acho que tenho sentido essa necessidade de me sentir “crescida”, de não me sentir olhando sempre pra cima, de não dar bandeira de encantamento. Acho que tenho que ser mais séria. Talvez seja a chegada dos 22. Como funciona essa coisa de inferno astral?. Não sei dessas coisas do cosmos. Por sinal, as tuas teorias sobre Mercúrio indo pra “não sei onde” fazem falta. Vê se não demora, tá? Não tô mais sabendo onde colocar tanto sentimento. E, talvez seja só exagero mesmo e o que me falte seja uma cerveja contigo ao som de Odair José. Ah, e vê se não acostuma com os vinhos argentinos, estamos passando por uma séria crise financeira. "Abraço de amigo", como o Afonso tem dito agora. Tô te esperando minha amiga e "nem o prego aguenta mais o peso desse relógio". 

do que não sossega


É que no meio de tudo ouvi Vinicius dizer e quis guardar.

10 de maio de 2012

"a explosão se espalha em coisas que a cidade sonha"



Vi uma notícia hoje que me fez sentir algumas saudades. Não que a notícia costure muito as saudades, mas em tempos de distância qualquer motivo é motivo. Lembrei que quando era criança decorei uma frase do Martín Fierro que dizia "Los hermanos sean unidos porque esa es la ley primera". Lembrei que na casa do meu avô tinham coisas do Martín Fierro e eu, cara de pau, nunca procurei saber mais sobre o personagem. Lembrei que na escola li "A estética do frio" e acabei me conhecendo mais. Lembrei que lá nós éramos bobos, mas um colega, já esperto, levava o violão pra aula e cantava "E tudo isso foi no mês que vem... Foi quando eu chegar...". A gente se emocionava e nem sabia. Lembrei que todos contavam dos planos, discursavam sobre onde fariam a sua vida, ninguém assumia que era possível sonhar em ficar ali. Mal sabíamos nós que distante sentiríamos tanto amor por aquele lugar. Lembrei do frio das madrugadas e de como a "Casa do Joquim" se tornava um oasis cheio de vinho pra nos aquecer e a gente ria... ria... naquele sofá vermelho. E, era vermelho? Lembro de ser vermelho. Lembrei do sentimento de que a rua era nossa e que tempo depois todos voltavam a bater queixo na esquina da Alberto Rosa com a Conde de Porto Alegre. Lembrei que tá pra nascer esquina mais fria e mais quente que aquela. Lembrei que se eu escutar Vitor Ramil vou lembrar dos meus amigos. Lembrei que toda noite eu lembro que queria eles por perto. 


A notícia:


9 de maio de 2012

dos planos

- E se a gente alugasse uma casa? A gente podia alugar uma casa pra poder chamar todos os amigos pra serem felizes lá dentro. A gente podia colocar uma placa na porta dizendo COMO QUIERES QUE TE QUIERA? e ter potes escrito SONHO pra todo mundo colocar bilhetes dentro e daí a gente podia tentar realizar uns.

- Topo. Mas, o banheiro precisa ser bem grande.

- Hein?

- Eu vivo pra um dia ter um banheiro grande e poder cantar assim:



7 de maio de 2012

pra depois ou "onde vão, eu não sei"


Tentei ir ao super, tentei colocar água nas flores, tentei. Tentei café, tentei tirar uma coisa de um lugar pra colocar em outro. Tentei dormir, tentei arrumar a casa, tentei sentar na janela, tentei. Tentei ligar a TV, tentei desligar, tentei o cd da Nina, tentei escrever, tentei rabiscar, tentei. Tentei colocar um quadro na parede, tentei ler a revista, tentei tomar banho. Tentei levar o lixo pra rua, tentei jogar conversa fora com o vizinho, tentei verificar as correspondências. Tudo isso pra deixar pra depois tentar mudar de ideia. 

aos amigos


Para eternizar a piada interna.  

3 de maio de 2012

moça, vê mais um tinto


Tinha um amigo colombiano amigo dos meus amigos e tinha eu feliz em uma festa boa. Claro que ele viraria meu amigo e claro que eu falaria para ele a filosofia do ganas. O brasileiro se gaba que tem a palavra "saudade", mas mal sabe ele da lindeza do ganas. E, eu disse: - Colômbia, diz aí uma tradução plausível para ganas em português. O Colômbia tentou explicar em umas oito frases o que poderia ser a sensação de ganas. Não é nem a nossa gana (s.f. grande vontade ou apetite para qualquer coisa) porque é específico, nem desejo, nem paixão (a palavra paixão é muito feia, por sinal), nem nada disso que parece vender fácil. É outra coisa. Alguma coisa que eu e meus amigos não conseguimos especificar nem tomando tinto as oito da manhã. Vai ver ganas é isso. Vai ver sentir ganas é uma tormenta boa e libertária dentro de uma palavra. Talvez seja um significado para uma vontade tão grande que só poderia ficar dentro de uma palavra que pode dizer muita coisa. Assim, cada um tem uma folha de papel em branco para desenhar o sentimento do outro. "Ou não".
Melhor assim, que tomemos muitos tintos em busca de respostas. 

23 de abril de 2012

congelados

(Versão da música linda do Caê, com o novo xodó musical)

Perguntei pra ele o que tinha acontecido com a poesia do nosso dia-a-dia e qual era o motivo de me sentir participante de uma maratona. Ele respondeu que não era só aqui. Que o fenômeno da falta dela acontecia em mais de um lugar. Disse pra eu cuidar da minha como quem diz: "Vê se te alimenta!'. "Vê se te alimenta e cuida da tua poesia". E eu pensei que seria bom se desse pra comprar na seção de congelados.

16 de abril de 2012

cultura do inquilino




Algumas coisas têm o poder de mexer com a gente. Quando isso acontece geralmente fico em silêncio por alguns minutos. Depois falo. E muito. Mas, de início, fico calada. Numa forma de deixar "essa coisa que têm o poder de mexer comigo" se acalmar e ficar. Acho que é um jeito de congelar "essa coisa". Esse final de semana foi um apanhado dessas sensações. O choque com a exposição do Bispo, a vista da cidade duas vezes (a chuva no Santo de Casa, a noite com os prédios de purpurina), o Medianeras. Nos picos de silêncio lembrei dos meus pensamentos sobre cidade, amor, pessoas e a relação entre isso tudo. Pensei muito nisso no domingo, mas falei (sem pensar) foi no sábado. Senti vontade de escrever pra amiga distante pra jogar conversa fora. Acho que todas as outras pessoas do mundo não tem muita paciência pra esse exercício (começam a olhar o celular, a verificar o e-mail...). Jogar conversa fora é o esporte que eu tenho praticado no momento. Falar sobre cidade, amor, pessoas e a minha relação com isso tudo, é a minha categoria. "Como é que eu devo fazer um muro no fundo da minha casa", "Como vou achar quem eu procuro se não sei quem é?", "Como tu tá?". Como algumas coisas têm o poder de mexer com a gente. Que bom que elas ainda existem.


9 de abril de 2012

indestrutível

Achei na carteira um bilhete que dizia: "Somos uma dupla indestrutível". Fiquei cantarolando: "Você me falou pra eu não me preocupar".
Alguém algum dia me disse que o tempo curava tudo. Comecei a desacreditar. O tempo só nos deixa menos jovens e mais preguiçosos. A gente não esquece. A gente fica com preguiça de sofrer.
O tempo não cura. O tempo nos leva.

5 de abril de 2012

la mejor


E minha melhor amiga... deu o fora. Juntou suas coisas, colocou a vida em malas, comprou uma passagem de ônibus e deu o fora. Deu o fora da cidade onde a gente nasceu, cresceu, curtiu, viveu, se estabacou, sarou. Onde a gente foi inconsequente, delirante, irresponsável, criança e adolescente. Minha melhor amiga deu o fora. Resolveu que ia estudar espanhol, que diria "por que me miras si no me sacas a bailar?" com prioridade. Minha melhor amiga deu o fora do trabalho e foi embora pra Buenos Aires. Resolveu que ia beber Quilmes até cair no chão. Minha melhor amiga deu o fora para crescer, curtir, viver, ser inconsequente, delirante, irresponsável e adulta, em Buenos Aires. Minha melhor amiga foi encantar aquela cidade, foi gargalhar, foi se soltar, foi ser mulher, foi ser feliz. Minha melhor amiga deu o fora de tudo aquilo que já não a fazia estremecer, vibrar, corar. Minha melhor amiga foi corar com gosto de vinho tinto, com homens de cabelo comprido, com casas coloridas, com uma cozinha quente pra chamar de sua. Minha melhor amiga deu o fora. Acho que nunca senti tanto orgulho dela como hoje.

20 de março de 2012

Porre às mulheres perfeitas 2.0


Hoje em meio a um Clube da Luluzinha me peguei defendendo as mulheres comuns. Parece balela, mas nesses novos tempos existe uma nova categoria de mulher: a mulher perfeita 2.0. Não é aquela antiga mulher perfeita que era linda, cozinhava, limpava a casa, cuidava dos filhos e fingia para as amigas que era boa de cama. Não. A mulher perfeita 2.0 faz tudo isso, trabalha, vai nos melhores restaurantes, faz pilates, viaja pela Europa, fala três línguas e usa batom vermelho. Além disso, ela sempre aparece ao lado de amigos bonitos, porque as mulheres perfeitas 2.0 não atraem muitas pessoas feias. E mais, ela tira fotos disso tudo. Ela publica e joga na cara de todas nós, mulheres comuns, que temos celulite, barriguinha e somos falidas. Na minha defesa às mulheres comuns aleguei: e quando a mulher perfeita 2.0 toma um pé na bunda? Ela publica?
Me disseram que pega mal. Que geralmente ela passa a trabalhar mais, ir a restaurantes mais caros (que tenham uma iluminação melhor para as fotos), atrai mais amigos bonitos (e chatos) e passa a tirar mais fotos. Pensei que deve dar um certo trabalho. As mulheres perfeitas do tempo da minha mãe só precisavam de um bom livro de receitas herdado da vó, uma boa genética e sorte (de encontrar um bobo que goste de perfeição). Hoje em dia deve ser meio triste não poder sofrer, não poder chorar, não poder ficar em casa de chinelo e meia, não poder se atrasar de manhã e esquecer a maquiagem (aliás, deve ser um saco usar maquiagem todo dia), não poder conversar com mulheres comuns sobre as promoções da Marisa (quer coisa melhor do que comprar na Marisa? conversar com as atendentes? na Zara as atendentes são sempre tão mal-comidas).
Ser uma mulher perfeita 2.0 dá muito trabalho. Acho que é por isso que eu defendo, sempre, as mulheres comuns. Mulheres que tem aquele jogo de cintura de encarar os perrengues do dia-a-dia, que andam de ônibus lotado, que vão a festas e não levam o celular, que tomam porres sem ninguém saber, que confessam aos amigos que o dinheiro terminou antes do mês e que, principalmente, sabem que seus defeitos têm mais bossa que as perfeições das mulheres perfeitas 2.0. Perfeição incomoda porque se melhorar estraga. Uma mulher comum é linda porque ela sempre pode surpreender, pode falar daquele livro que leu e não publicou sobre, pode contar sobre aquele estilo de música que gosta e ninguém sonha.
Disseram que eu to ralé. Daí eu não quis sair na foto.

16 de março de 2012

fueguitos



Esperando a Ju acabei me lembrando que ontem foi aniversário da Mafalda, não sei porque acabei pensando no Galeano e acabei recordando esse texto incrível e acabei exorcizando isso. Daqui:

Un hombre del pueblo de Neguá, en la costa de Colombia, pudo subir al alto cielo.

A la vuelta, contó. Dijo que había contemplado, desde allá arriba, la vida humana. Y dijo que somos un mar de fueguitos.

—El mundo es eso —reveló—. Un montón de gente, un mar de fueguitos.

Cada persona brilla con luz propia entre todas las demás.

No hay dos fuegos iguales. Hay fuegos grandes y fuegos chicos y fuegos de todos los colores. Hay gente de fuego sereno, que ni se entera del viento, y gente de fuego loco, que llena el aire de chispas. Algunos fuegos, fuegos bobos, no alumbran ni queman; pero otros arden la vida con tantas ganas que no se puede mirarlos sin parpadear, y quien se acerca, se enciende.

14 de março de 2012

cores





E aí eu estava indo trabalhar e topei com "cores de Frida Kahlo, cores".

aos amigos




ao telefone


Cada dia na casa nova é um novo dia pra pensar na casa e nos dias. Também tenho pensado muito sobre cidade, cidade é uma coisa louca né? E tenho pensando também em sorriso, planta, quadro, flor e verde cor de menta. Acho que tô amando verde cor de menta. Acho que tô amando a mesa do café da esquina, queria ela pra mim e aí eu teria uma mesa de jantar, só que com cara de café. Mal sobra tempo pra pensar em outra coisa que não seja cotidianamente encantadora. Acho que tô meio simplória, meio que andando e olhando pra cima. É tanta cor no bairro novo que fico querendo colocar todas elas dentro da casa nova pra cada dia na casa nova ser um dia cotidianamente encantador. Por isso eu fico cuidando quando alguém coloca alguma coisa no lixo grande que tem em frente a uma obra na minha rua. Vai que dá pra fazer alguma coisa legal. Meu pai disse que a minha casa vai virar um ferro velho. Só que colorido. Acho que eu vou começar a pintar. De novo.

13 de março de 2012

"A medida do tempo"

Entediada fui andar pela casa (que agora virou “casa dos meus pais”) e acabei achando um livro escrito por uma tia distante. Já criei tantas lembranças erradas dos meus tios que tive que me esforçar para associar o nome a pessoa. Lembrei das idas a Bagé e de cumprimentar tanta gente. Lembrei que das vezes que estávamos por lá imaginava com seria se meu avô fosse vivo, se ainda tivesse o bar no Jóquei Clube, lembrei da minha vontade de ver meu pai menino e dentuço entre os apostadores. Lembrei que quando era criança eu e uma prima passamos a madrugada acordadas só pelo prazer de fazê-lo (e também para ouvir os adultos conversando e jogando truco). Lembrei que, antes do dia amanhecer, os senhores sentavam na frente de suas casas com mate em punho. Lembrei que nós olhávamos pela janela, que tinha cerração, que minha prima dizia que eles sempre faziam isso e que logo outro senhor também já iria acordar. Minha prima deve estar uma mulher e os senhores que sentavam lá devem estar muito velhinhos. Lembrei da casa da Hulha e que das vezes que fui lá não conseguir dormir. Era uma casa antiga e com tanta história para contar que eu não poderia dormir lá. Lembrei que o chão da casa fazia barulho sozinho e que o barulho se misturava com o da lenha queimando. Lembrei que a maioria dos meus tios por parte de pai tem cara de fumante (mesmo que muitos tenham parado) e por isso eles parecem mais cultos. Lembrei do frio que faz por aquelas bandas. Lembrei e senti saudades. Saudades de quem eu nem sei e nem convivi. Acho que senti saudades por eles. Pelos meus tios e pelos tios dos meus tios. Saudades porque as coisas que faziam parte da vida deles se tornaram apenas lembranças para mim. Senti saudades porque a vida muda. Senti saudades porque a vida passa.

“Sei hoje que o tempo não espera e que a vida nos faz cansar de esperar...”
Glêde Loguercio de Mesquita (do livro achado)

domingo

Vou ficar aqui quietinha. Janela fechada. Tv desligada. Eu aqui quietinha. Tão quietinha que nem na cozinha eu vou ir pra buscar água. Nem vou ouvir aquele disco do Caê que me acalma. Hoje é o dia internacional de não fazer nada. É o dia internacional de ser estátua. Alguém vai acabar ligando ou apitando. O vizinho logo vai começar a tocar flauta. O lixeiros logo passam fazendo furdunço. Como podem? Que me desculpem todos. Hoje eu vou ficar aqui quietinha. Hoje eu vou comemorar o dia internacional de ser estátua.

6 de março de 2012

dos presentes




Eu sei que tenho sorte de conviver com um monte de gente bonita que faz coisas bonitas. Mas, tem dias que essa sorte se acentua. Ontem foi um deles.
Um presente lindo com a cara da nossa história, pra amar e guardar "até o fim raiar".

5 de março de 2012

metade malandro, metade amélia

Tenho ficado tanto tempo comigo mesma que estou passando por uma crise no relacionamento. Acho que eu e eu mesma estamos precisando de uma DR daquelas bem longas, com direito a grito, choro, manha e jantar de reconciliação. Tenho ficado tanto tempo comigo mesma que ando precisando de outras vozes no ambiente para distrair a minha, outros passos na casa, outro que abre a geladeira. Estou me traindo. Mas, acabo voltando, acabo fazendo as pazes comigo mesma, acabo ficando serena, acabo aprendendo a gostar de ficar no silêncio. Acho que virei um malandro. E acabei virando uma Amélia de mim mesma.

4 de março de 2012

sobre o meu pai

- Pai, se arruma, a gente vai sair.
- Onde vamos?
- Tomar uma cerveja na Cidade Baixa.
.
.
- E tu quer que eu me arrume?
- Sim Pai, eu quero.
- Pra ir ver os mesmos estilinhos da feira ecológica que tu me levou?
- Pai.
.
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- Quando o senhor era guri e morava aqui em Porto Alegre a Cidade Baixa não era um lugar legal pra se tomar cerveja?
- Era, mas na época eu era baixo também.
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- O senhor devia ser um magrão bem no estilinho da feira ecológica.
- Eu era baixo. Mas, nunca comprei pimentão podre.
- Pô Pai, achei que tinha gostado do passeio.
- Eu gostei minha filha, foi bem exótico.
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- Tá, vamos.
- Eu vou assim.
- Sim Pai, eu já sabia.

do amor












Imagens de um final de semana de coração cheio. Acho que eu não conseguiria escrever nada.



1 de março de 2012

447



Fugida rápida da pauta para dar parabéns. Acho que o Rio é mais bonito por causa do Vinicius.