As bochechas não deixam à desejar...
25 de dezembro de 2007
24 de dezembro de 2007
Bom velhinho
Eu, defensora dos pequenos prazeres, ganhei o melhor presente: a vida em seu melhor alcance. E mais. Não vou considerar a data como a comemoração do nascimento. É o REnascimento do que, para mim, é verdadeiramente valioso.
Hoje não preciso de nada mais. Um abraço apertado de meu herói, fará com que eu sinta a alegria de criança que tanto fugia de meu “papai-noel” interior.
É com ganhar a primeira bicicleta, aquela verde, da Pocahontas. É como após doze anos ele possa ver o mesmo sorriso infantil, em um corpo de mulher.
Este Natal vai ser especial. E já posso sentir o cheirinho dos petiscos da mamãe.
6 de dezembro de 2007
21 de novembro de 2007
Sobre os caretas da felicidade comprada

Crescer não depende dos dias, das horas, de anos. Crescer é uma linha tangente ao tempo. Ontem cresci,
Hão de amadurecer aqueles que abrirem os olhos para os verdadeiros valores da vida, amadurecerão para o mundo como crianças. É quando retomamos nossas importâncias de criança que somos (puramente) felizes.
Saúde para correr. Felicidade com um restaurador copo de leite. E carinho.
Há de se precisar mais algo? Almejamos pequenas parcelas de felicidade inúteis. E quando as temos, ambicionamos mais e mais. Assim, acabamos esquecendo do essencial, do princípio, do amor.
E sempre quando algo me emociona, volto ao assunto, volto a falar de amor. E sempre quando a ternura me descobre, esqueço onde vivo, esqueço a fumaça dos carros nas ruas, esqueço o capitalismo e volto a mim.
Ontem, voltei a ser criança, mais uma vez. Como uma flor no asfalto da avenida.
Seu olho me olha mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo
19 de novembro de 2007
História de uma Gata
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé... de gato
Me diziam todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás
Música como forma de expressão
18 de novembro de 2007
Pelo velho preconceito com meu All Star sujo
É nas horas de caos que mais delas aparecem. É nos meus momentos estátua que começo a perceber o mundo à minha volta.
Bobagem pouca, besteira ou não, as pessoas estão cada vez mais parecidas. Quando antes a “alternatividade” parecia ser o fim, agora, recorrer a tal estilo de vida parece dar certo crédito. Concepção boba a minha, ou não, os seres que optavam por esta forma de levar os dias, fugiam do óbvio, do comum, do popular, tedioso. Triste, ou não, para os novos adeptos, são esses que tomam as rédeas.
O que seria o Alternativo? Um tênis, uma roupa, fotos, filmes e músicas? Errado. Esse conhecimento meia-boca não indica inteligência, sabedoria, fama barata, parecem todos manequins de um segmento inútil. E aqueles hippies largados que fugiam do sistema hipócrita em que viviam, não se parecem nenhum pouco com filhinhos de papai que acreditam ser legais porque usam All Star e tiram fotos de árvores bem focadas.
Cabeças pequenas, mentes vazias, preconceituosas e cheias de ignorância não me lembram nada aos tempos políticos de meus pais. Bitolados sem título de eleitor, mal sabem quem governa o país, mal sabem de nada. Querem mostrar que sabem de tudo.
Estou revoltada. Os ambientes que antes se encontravam recheados de conversas agradáveis e contribuições de cultura, hoje mais parecem o Mc’Donalds do underground.
20 de setembro de 2007
Liberté
Quando as luzes se apagam confunde-se mais uma vez ficção com realidade. O salto-alto abandonado ao pé da cama da atriz, o abandono do personagem, a máscara no chão. Nesse momento todos os olhares voltam-se para o amor. Mesmo sendo seu público loucos desvairados.
E então, tudo parece desaparecer no evidente conto de fadas. O mesmo cenário parece confundir, porém então, como saber o que é real e fantasmático? Fecha-se os olhos. Observa-se a contemplação em silêncio e inevitavelmente, encanta-se com o perfume da personagem e a sabedoria do palco. O mundo. O mundo tornou-se o palco.
“Premier mot de la devise républicaine, la liberté. La Déclaration des droits de l'homme de 1793 la définit ainsi : « La liberté est le pouvoir qui appartient à l’homme de faire tout ce qui ne nuit pas aux droits d’autrui ; elle a pour principe la nature ; pour règle la justice ; pour sauvegarde la loi ; sa limite morale est dans cette maxime : Ne fais pas à un autre ce que tu ne veux pas qu’il te soit fait. ». « Vivre libre ou mourir » fut une grande devise républicaine.”
17 de setembro de 2007
Segredos de adulto

Lances românticos me comovem. Não de forma hostil, e sim, dócil. É tranqüilizador e bonito, entre tanta hi-tack. Na velocidade dos meus pensamentos as luzes da cidade adoçam meu alento. Falar sobre o amor me acalma.
Tudo tão extinto, tão modificado, tão, tão. Tudo é TÃO exagerado e na tentativa de ser algo magnífico e sexy acaba sendo feio e repugnante. Com tantos meios de comunicação esqueceu-se do principal. Esqueceu-se do gostar além de tudo.
Amores na chuva, amores nas calçadas, amores no parque, amores escondidos, amores reais. Onde estão? Na geração da televisão de plasma observa-se a vida alheia, estaca-se a própria. Os vinhos, o chão, os copos de plástico, todo o cinematográfico foi abolido. Abriu-se caminho para a construção do labirinto da agilidade. “Pá e bola”.
Eu, passageira deste bonde, sinto saudades de uma época que não vivi. Época onde conhecia-se a letra das pessoas, onde se produziam cartas de amor, música e obtinha-se o principal: sentia-se apego pelo ser, pelo corpo, e essencialmente pela alma.
Sem pé, muito menos, cabeça
Somos modernos, estamos aqui. E é ali que nasce a flor. A semente da sensibilidade a alusão ao magnífico perante o espetáculo do trânsito. No meio do caos: a flor. No meio de nós: o amor.
E ela nasce no asfalto, no resíduo, na cara de todos os preocupados. E ele nasce, na clareira, nos ditos-cujos preocupados.
Sou talvez a flor, sou talvez o amor, sou o que não sei. Porém, os compreendo e me encanto com os tais vocábulos perdidos.
You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?
10 de setembro de 2007
Avenida

Lá saberei como a banda toca. Se quer sei a existência da música. Vou bailando conforme a partitura, analisando as quedas e sobre tons.
Ontem, deitada, ajuizando, quis por um segundo arrancar os planos e desenhá-los novamente. Agora com mais detalhes, caricaturas, mais graça e dedicação. Minha partitura seria densa, tranqüilizadora, linda e poética. O plano B da dança.
Hoje sigo os passos de um maestro desajustado, homem do tempo, senhor do meu canto, e agora? Sigo os passos da rua, e mais nada.
7 de setembro de 2007
Pink it´s my new obsession
4 de setembro de 2007
Festança

Hoje o Sol era uma poesia mágica diante dos meus olhos. Essa incandescente bola de fogo sugestionava Marte em sua melhor forma. Marte, meu planeta.
Por vezes, imaginava como seria partir com uma mochila nas costas, conhecer novas etnias, culturas, línguas, pessoas. Abandonar o círculo de conhecidos desassossegados, preocupados com a vida alheia, deixar para escanteio tamanha preocupação com estereotipo, clã e credo. Por mais clichê que possa parecer.
Queria um par de tênis, um mapa e minha sacola, me alimentar de bolachinha recheada, grilos e o que vier pela frente. Sairia dos protótipos, alimentaria expectativas imbecis, aguçaria meu conhecimento. “Me vestir rainha e dançar a festa”, namoraria quadros, pintaria setes, buscaria a arte, museus, galerias, encantaria os olhos. Quebraria os padrões, encheria a cara.
Pensando, marchando, olhando para o Sol, desejei viajar, morar em Marte, e abandonar tudo isso.
27 de agosto de 2007
Intervalo

Conversa de Botas Batidas entra em férias por um agente justo: Abolição do uso cibernético por motivos de inteiro confinamento pró-estudo. Falta pouco para o vestibular, e os três últimos meses são cruciais – como já apavorava o professor de química -. Com o segundo grau parcialmente completo – passada de ano, graças a Deus – resta, então, assumir a responsabilidade de alcançar a Faculdade. Sendo assim, os textos ficarão em folhas rabiscadas no fim do caderno. Qualquer dia apareço por estas ondas on-line.
PS: O cd de Mariana Aydar se mostrou de ótima qualidade. Mpb, bolero e outras cositas deram para a menina uma boa dose de classe artística e coragem. Porém, ainda não ganha meus pontos atribuídos a Céu. Que apareçam mais e mais das mesmas. Reinvento da música de qualidade.
25 de agosto de 2007
Clowns

Caminhar no centro da cidade durante o dia nunca foi tranqüilizador. Na tarde cinza que se fez, procurar um soldador e uma costureira foi trabalho árduo. Com os preocupados indo e vindo, meus fones deixaram-me um pouco a parte de toda aquela irritação. Acabei encontrando livros e procurando gibis, não achei a tal da moça, muito menos o senhor que me ajudaria. Como de costume termino o passeio em uma livraria, ou, comprando lápis.
Com a chuva dei-me na casa da Vovó, de capuz, molhada e frustrada. Vovós moram no centro da cidade. Revi seus badulaques, conversei sobre o tempo e deixei-lhe com suas reclamações da idade.
Chegando em casa encontrei Camila. Contou-me sobre como seria mexer com desenhos durante o resto da vida, falou sobre a gratificação de vê-lo “de pé”. Descreveu as lapiseiras, os lápis, as canetinhas, cada detalhe. Fez-me – inacreditavelmente – ter mais sede do futuro. Ofereceu-me sua mesa.
As gotas que caíram sobre mim fizeram-se reconciliadores do eu com o eu. Uma lembrança do destino que virá, um pacto justo do que poderá surgir, toda a vida que quero. É tudo que quero.
Deixar a chuva lavar o espírito dos apreensivos. Deixa-la lavar o fantasma do centro da cidade. Deixa-la lavar minha alma. E o dia termina tranqüilizador.
"E esse charlatão vai cantar sua canção
Que comove toda arquibancada com tanta agonia
Dentro dele um coração folgado
Cantarola uma outra melodia"
Harry porco
Não esquecendo, abraço forte ao Church e Zelda. Ainda nisso, está aberto o curso de animação no estúdio Laços, novamente. Com a carga horária impedindo, refazê-lo é mais um projeto para dois mil e oito. Porém, fica a dica aos amigos das artes.
24 de agosto de 2007
Moderninha
Errado. Não combino com Parnasianismo e vice-versa. Antigos poetas gregos isolavam-se do mundo para obter seu intercâmbio com os Deuses. Minhas divindades, menininha, são pensamentos, minha interação é com palavras, minha fé é recíproca.
Exato símbolo da estética pura, a culminância da forma nos versos abandona o conteúdo poético, surge a pretensão do perfeito. Erro. Meus sonetos são devaneios. Como a brisa sem pensar. Permite a mim, a prosa, livre-arbítrio casual de libertar-te dos afins clássicos, mero incidente dos homens.
A obra, rica em História abandonou o sentimentalismo romanesco. Esses poetas pós-românticos ao abdicar da denúncia o mundo, perderam o espaço na sociedade recém industrializada, deixaram-se levar. A “arte pela arte” deveria encaixar-se em cada grão de máquina, abundar entre a população, não abandoná-la. Baudelaire, Dario, Théophile, Gautier, Billac, rejeitam o lirismo livre. Como?
Essa transgressão ao racionalismo deixa de lado minha vulgaridade poética. Essa tal “objetividade temática”, entedia, torna-nos tolos. Combino com Modernismo. Pela liberdade formal, irreverência e palavras simples. O engenho de um novo mundo me inspira. Vivo em prol da criação de uma nova filosofia, incompreensível e real. Quando antes confundia-me com o métrico, sou o além da arquitetura contemporânea. Sou o reinvento da arte, a cada instante.
“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com o livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
ABAIXO OS PURISTAS
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
Não quero mais saber do lirismo que não é LIBERTAÇÃO"
22 de agosto de 2007
Pré-datado

Ando sem grana, sem tempo, sem argumento. Ando pensando no futuro, no obscuro, no inseguro. Vivendo uma vida à la cheque pré-datado. Onde estará toda a diversão?
"Não me amarra dinheiro, não. Mas elegância. Dinheiro NÃO! Mas a cultura. Dinheiro NÃO! A pele escura. Não me amarra dinheiro, não. Mas os mistérios. Beleza Pura!"
21 de agosto de 2007
Mãe, to doente

Odeio acordar doente. Quando o corpo não reage a impulsos, quando ganhamos cem quilos invisíveis, quando não arranjamos sair da cama, quando o pobre pulmãozinho não agüenta satisfazer as vontades do Sr. Cérebro. Odeio acordar doente.
Estar bombardeado é estar apaixonado sem carinho. Um cãozinho faminto por atenção. O estranho organismo e natureza dos humanos. É estar molenga, carente, ranzinza e infantil: a sós. Isso é um tédio. Tirando a parte do cuidado e os chazinhos.
Deus, como odeio tossir. Milhões de partículas do mal libertando-se para o mundo, em uma atitude egoísta e feia. Armadas, com roupas de soldados, caras pintadas, atacando. Nossa, como odeio a tosse.
Como dói. Dói tudo. A garganta, da coluna ao dedo do pé. E cansa, cansa estar assim, assim, sem o amor, e doente.
20 de agosto de 2007
Perdição
Nostalgia. Isso já ocorreu outra vez. Um curta deveria ser gravado, eu, responsável pela cena da Passeata. E agora? São seis da tarde, estou andando. Andando. Odeio me perder.
Estar perdido é estar sem chão, além do cordão da calçada. Meu macacão me entrega. O que essa gente estranha ajuíza de mim? Devem me achar um tanto quanto “forasteira”. Eu não sou veloz. Nem quero acompanhar essa dinamicidade toda.
Por fim, encontro minha alameda. Apreensiva e risonha. De acordo com meu relógio e minha vida. Considerando que a afobação dos outros é parte da desordem das ruas. E de mim.
Histórias
Minto. O momento mais jururu do ser é quando desaprende a empregar o segredo. Com gritos calados, atitudes imbecis, falta de desempenho inteligente. Usam e abusam do berro, do explicito, do exposto, da falta de mistério. Mísero tédio.
Minto. O momento mais melancólico do ser é quando torna-se dependente. Então, condicionado, não sabe mais o que diz, o que representa, e incrivelmente, perde seus sentimentos em meio a essa confusão mental.
Minto. Entre milhões e milhões de situações, não há o pior. Sob uma visão pessimista do que o mundo poderá tornar-se, entre tanto absurdo e falta de malícia: Toda pessoa deverá obter sua própria vitrine. Sim, uma mostruário com histórico e a competição de quem está mais vintage.
Quanta falta de sagacidade. Mal sabem o quanto a descrição pode ser estimulante, o inacreditável interessante e o sigilo uma grande jogada de marketing.
PS: Após um sábado de Rock and Roll, o domingo veio repleto de calmaria. Ficam nos fones Orquestra Imperial, em especial Rua de Mes Souvenirs.
16 de agosto de 2007
Cinematográfico
13 de agosto de 2007
Nada além

O fato é saber o que faz bem. É desejar o inconfundível sem se preocupar com ele. Comer pizza e arrotar feijão. O fato é não se preocupar. Querer o simples e almejar o alvoroço. Nada além de céu e mar. Ser humano de carne e osso, que saiba somente amar. E falar, e falar, e falar. Falar de amor, de amar. Senti-lo nas veias. Nada além de céu e mar. A reclamação do vestido e o momento de suspirar. Tudo tão óbvio e por que não acontece?
12 de agosto de 2007
Eu quero uma casa no campo
Por amor à meu pai, por amor à meu tio, por amor à felicidade.
Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, e nada mais...
4 de agosto de 2007
Sobre a teimosia
Parei com o café

E isso constitui muito mais que o simples acontecimento de desamparar um vício. Não pelos ameaças de má saúde. Mas para provar a mim que certas coisas, arduamente, podem ser deixadas de lado.
Não há necessidade disso. Segunda feira inicio uma dieta, talvez arranje grana para uma academia de ginástica. Não. Deixa a academia de lado, vamos transformar isso em hora estudo. Para quê tanto açúcar? Acho que estou tornando-me neurótica. Tantas xícaras por dia. Sem contar os copos na escola. Mas, é para deixar-me bem acordada. E de que adianta tanta cafeína? São apenas impulsos do teu cérebro. Não. Hoje ainda tomo mais um.
Isso ainda me mata. Será mesmo que meu estômago não suporta a cafeína? Tão pouco não me faria doer. Ou faria. Na verdade, é muito. Ok, ao final desta chávena tudo estará acabado entre nós. Não me olha desse jeito. Não sou o malvadão da relação. Fazes-me mal, e nunca solucionaremos isso. A vida é injusta Nês, não improvisa de mim uma monstruosidade. Vou te abandonar e isso é para toda a vida. Adeus.
Na abertura do armário emperrado, sinto a presença. Ultrapasso as mãos, vou direto ao chá. Algumas vezes mudamos princípios pela tranqüila felicidade. Aprendemos a gostar deles e entendemos que o “amor” não basta para o “todo sempre”. Modificamos valores em busca do perfeito, extraordinário, sem falhas, sem contra-indicações. O ser humano é comodista. Mas afinal, tanto faz, o futuro reserva algo especial consecutivamente. O mundo acaba colocando-nos em nossos devidos lugares. E eu sempre gostei do sotaque britânico. Vê se toma cuidado por aí. Qualquer dia nos cruzamos nas prateleiras da vida. Quiçá nós voltemos à dupla que éramos. No entanto esse é o momento em que todo vício deixa de ser excelente e cruza a barreira à conhecida sensação de dependência. Nós não somos assim, e não posso permitir tamanha atrocidade. Até mais Café, até mais.
2 de agosto de 2007
Sobre a memória do infinito

“E esse medo infantil de ter pequenas coragens...” Vinicius
Os artefatos ao meu redor tem uma historinha. Quem já não olhou para eles? Que lembranças devem trazer? Cada qual com sua poesia subentendida, a magia das pequeninas partículas formando um elemento historicamente ilusionista. São muito mais que minhas milhões de palavras neste humilde estabelecimento. É um verdadeiro turbilhão de anseios silenciosos no atrito estático do corpo em movimento nulo. Como pode.
Li um livro – ótimo – a pouco. Lygia Fagundes Telles, no último conto do livro descreve a história de um anão de jardim. O escrito se passa através dos sentimentos e aforismos do pobre enfeite, e isso pareceu-me curioso. Comecei fundamentalmente pelas paredes de meu quarto. Logo após minhas folhas, o abajur, os tênis. Todos com sua existência e culpabilidade, aguardando o final de sua vida útil.
Cheguei a conclusão de que se minhas meias pudessem discorrer, simplesmente, me odiariam. Minhas almofadas me adorariam, e os discos do vovô falariam bem sobre minha pessoa.
No entanto, um dia eles vão embora. Perdidos em caixas de mudanças, ou talvez desprezados na passagem dos anos. Cada qual tão meu, com nossa história, suas e minhas. Serão de outra pessoa, serão do mundo, terão mais e mais historietas. Crueldade pura.
Não fica triste Abajur. Prometo te levar comigo pro resto de minha crédula vida útil. Terás tempo de me expor por onde já passastes, e me relembrar de tudo que já fui. Tu és o cais entre meu passado e os momentos que ainda virão. Teremos ótimas risadas, porém, agora temos que dormir, boa noite.
1 de agosto de 2007
Bendita Abismada
Nas férias cortei os cabelos. A franja propriamente. Uma franjinha de criança. Já fui comparada a índia, menininha e até mesmo um York Shire – por meu dócil colega crítico -. Porém, uma opinião – especial do Paulo, grande amigo – me deixou contente: - Gostei, é bem, Lanna.
Roubei de giro a faixinha de tempos atrás – cerca de quando tinha nove, dez anos -. Voltei a desenhar.
Quando era criança assistia diariamente um programa apaixonante. Lembro ser da programação do Discovery Channel, - meu canal favorito, onde as coisas mais mirabolantes da Tv infantil aconteciam, sem desperdiçar o Cartoon, obviamente -. Lá estava eu – em minhas férias de televisão/comida/sono –deparando-me com a propaganda do lançamento do programa no Disney Channel. Não poderia ser verdade. Pois era. Uma felicidade tomou-me por instantes. Voltei a fazer arte. Acredito estar “regredindo”, ou coisa parecida, por enquanto isso não me pareceu má idéia.
Lula Lá, suprimi uma estrela

Férias –inertes, e nem por isso ruins – observando o Pan-Americano. Principalmente, sua abertura ridicularizada pela série de vaiais ao presidente da república. Foi a demonstração que faltava para a total afirmação: O Brasil está de pernas para o ar.
9 de julho de 2007
Penso, logo ando de ônibus (ou vice versa)

Voltando para casa em um dia chuvoso, medito no ônibus certos momentos do cotidiano humano.
Nunca resvalei em uma casca de banana.
Moças da Assembléia de Deus (com suas longas tranças e saias) não conseguem correr.
Colar é feio. Quando sabe-se a matéria e troca-se a resposta, é pior ainda.
Tecnologias como “Mp4” não são feitas para pessoas com QI baixo. Essas não têm nada de “seu”. (Sim, o mundo é injusto.)
O “Som da Helô” (junto com o show do Sovaco de Cobra) estava formidável, e a palavra formidável já deveria ter desaparecido dos vocabulários.
4 de julho de 2007
Sobre a amiga

Fazeres aniversário é muito mais. É muito mais o tempo passar, é muito mais viver uma vida paralela a tua, é muito mais. É ver brotar da flor uma linda mulher, enxurrada de aspirações, sentimentos, maturidade. É ver o amadurecimento de uma idéia.
Te tenho à meu lado há nove anos, dos quais pude aprender, ensinar, discutir, brigar, chorar e principalmente dar risada. Meu sorriso ao teu lado, amiga, é fruto da tranqüilidade em que me saturas.
Tu és muito mais. És verdadeira, és simples, és chocante, és enigmática. Tens o mundo nas mãos, no olhar e no coração. Tens a qualquer um, a hora que quiseres.
O teu aniversário expressa a passagem dos minutos perante o teu reflexo de tempo demorado, o tempo observando teu adiantamento perante o mundo. Teu cérebro vasto e teu espírito mole. És inesquecível.
És meu chão, ponto de vista e alegria. És minha consciência, perdão e afeto. És parte de mim, como sou tua. És o espelho da minha integridade e gargalhada. És inigualável. És minha melhor amiga: íntegra, transparente e linda.
Fazeres aniversário é muito mais. É o mundo comemorando tua companhia. É o universo conspirando a favor da tua sagacidade.
Eu te amar é fato natural, minha admiração por ti é esperada, no entanto renovo meus votos de fealdade e planos, dizendo-te de novo que minha mochila estará sempre arrumada para darmos o pé, e mais, que te amarei e honrarei tua amizade até o dia em que Carbono Vox decidir bater as botas.
Feliz aniversário do fundo deste coração dengoso que tanto te contempla. Um beijo e abraço de urso.
29 de junho de 2007
Soldadinhos de CHUMBO

27 de junho de 2007
26 de junho de 2007
Sobre Política e Disney

Pelo primeira vez no ano dei-me o luxo – por motivos familiares que me impediram a ida à escola - de ver desenho pela manhã. Não há momento do dia mais bacana para ver desenhos. Lembrou-me os dias chuvosos – àqueles onde ninguém aparecia – em que eu permanecia na frente da televisão com meu inseparável copo de leite e a programação enchia-me de entusiasmo. Bons tempos – articulam minhas velhas bochechas -.
Praticante de xenofobismo, racismo e outras cositas, a interpretação de seus filmes e representações não poderia ser pior, na visão científica. Rei Leão e Mickey perderam seu “valor” diante do mundo – meu – após aquele dia.
25 de junho de 2007
Sobre as despedidas
Calcei meus velhos all star, procurei o casaco mais agasalhador. Fui para a escola aprender História, voltei observando o mundo no tempo de meus passos. Um passarinho, as pessoas no ônibus, o livro que eu carregava, o vento congelando o nariz , o sol tapado por nuvens. Era eu tão pequena, rodeada de gigantes corredores, cruzando por mim, deixando-me para trás. Por que tanta pressa?
Fiz amizade com um cachorro. Ele me acompanhou durante um certo tempo, no entanto trocou-me por um saco de lixo – isso deveria ter deixado-me triste, bem, relevemos -, ao menos por minutos compreendeu o porquê do “não pisar nas linhas”, o porquê dos óculos, o porquê do passo lento. Por que te fostes cachorrinho? És o único que cessa nesse planeta de combates. Faz-me companhia cachorrinho. Esse mundo é grande demais para ficarmos sozinhos.
Sobre os pensamentos
aAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaa
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaa
(Sim. Um rugido atrapalhado no horizonte confuso do meu interior.)
24 de junho de 2007
O divã de Freud

Veja bem Doutor, não tenho tempo – muito menos dinheiro – para suportar essa situação. Porém o faço com intuito – e esforço – da resolução dos problemas de minha vida. Não, Doutor. A palavra resolução se encaixa perfeitamente. Venho até aqui buscar minha identidade, minha essência, meu elixir. Sua opinião como profissional colocando os devidos pontos nos is, me ensinando a fórmula da mudança.
Tudo começa com meus defeitos. O orgulho é feio, sei, mas não me diga que não recebe uma centena de mulheres arrogantes nesta sala. É comum, como tudo que me rodeia. De tão banal enjoa e atrapalha, torna-me um ser birrento e intolerável. Esse “medo” de não suprir as expectativas enche-me o saco. Com o perdão da palavra. E, não deixa de ser medo, o orgulho é uma virtude desse.
Acredito em Deus, sim. Não, não sou católica, protestante, evangélica. “Ateu” é um substantivo forte Doutor, tenho fé, e isso basta-me.
Tenho uma amiga com grande conhecimento sobre signos. Nunca vou esquecer quando me disse sobre o signo Gêmeos, era impressionante a parecença com meus hábitos e características – como o zodíaco agrada a qualquer um – e mesmo não crendo que estas eram culpa das estrelas, pensei melhor a meu respeito. É Doutor, eu sou insuportável.
A cada grão de tempo que esvai mudo as vontades, o humor, deixo de lado objetivos, procuro outros, como uma grande tarefa não acabada. E assim, desde sempre, fui levando a vida. Arrependendo-me de fatos, ambicionando outros. Mudando de estação a cada amanhecer – ou menor fração de momento –, sinto-me “incompleta”.
Já não sei mais o que estou falando Doutor. Não sei mais porque estou aqui. Isso não dará em nada, mas diga-me lá, há forma de sarar esta loucura? Loucos somos nós sim, meu caro, e esta é a verdade absoluta. É loucura estar cansada de minhas próprias decisões, é loucura a chateação. Loucos somos nós que pagamos para ouvir um veredicto de loucura. Loucos somos nós de aborrecermos com tão pouco.
Há Doutor o “Xarope da Assiduidade”? “Xarope da Persuasão”? Diga-me Doutor. Dê-me logo esta receita, cure-me de mim mesma. Preciso de ajuda, possuo um mundo dentro de mim em pleno caos.
The Jackson Five - My Girl (versão com o Michael)
14 de junho de 2007
"Mentiras sinceras"

O ser humano é realmente bichinho engraçado. A cada dia me certifico de que os sinônimos para essas abomináveis criaturas sejam inúteis tamanha falta de “ser humano”. Até mesmo o sentimento que os torna privilegiados à diferenciação de qualquer espécie do planeta: a paixão. Quiçá ela é uma mentira?
Hoje pela tarde - em meio a aula de biologia - começo idealismos particulares sobre a falta de interesse contínuo na pessoa – aquela pelo qual se dizem arrebatados -. A forma como ele sorri, como ela dorme, como ele tem vergonha, como ela não, esses momentos tão eternos parecem se esvair no tempo. Porém, são episódios insubstituíveis. E então começa a falsidade.
É impossível encontrar em outro “ser” qualidades antes vistas, ocasiões antes atravessadas. As pessoas não se apaixonam pelo cujo que encontram, essas se encantam pela imagem que recebem. Procuram nos próximos tal e qual, e assim gostam cada vez mais dos mesmos valores descobertos.
Não cito as grandes paixões. As verdadeiras? Absolutamente não. Essas são para sempre pelo fato de que mesmo encontrando “made in paraguay” nunca perderiam sua integridade e honestidade do sentimento puro.
13 de junho de 2007
Bonequinha (crescendo) do papai

Não me pergunte como é envelhecer, eu não saberia responder ou contestaria uma tolice. Fazer aniversário é um tanto quanto engraçado. Em uma passagem de dia nos tornamos “pessoas maduras”, ou não, de acordo com a carteira de identidade. Discordo.
Fazer aniversário é muito mais. É o tempo representando em algarismo os momentos deixados para trás, a passagem do calendário abre portas para uma “nova era”, novo capítulo, páginas em branco de uma mesma vida. O papel acompanha o destino em suas mil trajetórias, tornando-nos sedentários diante os segundos.
Fazer aniversário solicita bolo, parabéns, abraços, presentes e muito carinho. Além disso, requer uma interpretação muito além do simples passar das horas, é o amadurecimento da idéia do ser, é a contemplação da juventude mostrando suas mil facetas.
Não basta à mim apagar velas. São inúteis os números diante tal moleca interior, a cada ano que passa peço para que esse regresse em proporção contrária, como se ao fim da chama rejuvenescesse a mulher que se apresenta.
E aquela “gasguita” de cabelos negros escorridos pelo ombro hoje faz dezessete, amanhã quiçá seus vinte, e logo então cinqüenta. Ela nunca abrirá mão de sua espada Jedi e seu orgulho, terá sempre um sorriso aberto para seu amor e um laço de ternura para quem souber manuseá-lo. Suas sapatilhas aladas serão dançarinas das linhas da estação e para sempre saberá os sentidos de seus pequenos versos. Com a mistura de boneca e “nenê” levará a vida de sua forma: sem observar os relógios. Por favor Senhor Tempo, não deixe Neneca crescer jamais.
10 de junho de 2007
Inesperado
6 de junho de 2007
Dúvida cruel

Minha última inventada é fazer Engenharia. Lanna e cálculos pode parecer até piada, porém meu interesse por Matemática e Física tem se acentuado a cada dia que passa. Usam da lógica para a expressão de fatos deixados de lado e isso pode até ser legal, dependo do ponto de vista.
Os amigos dizem que conseguem imaginar-me na posição de responsável Engenheira – sobresaindo a todas as outras opções que dei para pensarem-. Eu, no entanto, não abro mão do Design – a arte predomina à coerência dos números-.
Tenho cerca de cinco meses para colocar os planos em seus devidos lugares. Porém, a idéia exacerbada agora é fazer os dois. Mesmo recebendo a taxa de alucinada.
Os extremos podem ser muito bem empregados. Vou saber abusar disso.
5 de junho de 2007
E até parece Primavera

Eu era uma criança de muito imaginação. Tenho relembrado coisas que antes pareciam cheias de pó. Lembranças do verde que namorava o laranja, o oito que era rival do nove e coisas do tipo, tem se tornado cada vez mais freqüentes.
Acredito ser culpa da leveza de meus pensamentos nesta estação. Um quê de despreocupação com tudo o que acontece ao meu redor (cito coisas e pessoas ruins), é como caminhar sobre uma grande nuvem de sonhos.
O que antes parecia atingir-me com tal magnitude e vigor, hoje mais parece anedota. Como um escudo provindo de minha imaginação infantil (algo que garanto nunca ter partido), mas que renasce como forma de proteção a tudo que antes escondia a graça.
Meu sorriso ganhou um aliado honrado: o desfrute da paz de espírito. O amor entrou pela porta da frente, ofereceu-me um binóculo e pediu permissão para ficar. Recebendo em troca o carinho por sua preocupação e o pedido pelo fico.
Falta entender o que me faz pensar que só ele pode ter tanta paz para me dar... Eu te vi e cheguei pra falar: Tudo certinho?” (Hermanos)
4 de junho de 2007
“Tá na hora de rever seus conceitos...”

As pessoas têm se tornado a cada dia mais engraçadas. É hilariante a atual situação dos pontos de vista. Virou mania nacional o “estranho”. O que antes era chutado para fora dos moldes, hoje faz parte da maioria dos guarda-roupas e cérebros. Talvez uma lavagem cerebral das grandes passarelas, dos grandes estilistas, da mídia, não importa. Mas algo é certo: CASO TENHAS UM QUÊ DE ESTRANHEZA JUNTA-TE ÀQUELES TEUS IGUAIS E SEJA MODERNO.
-Oi garota! AÍN AMIGÃN como você é cool, uma síndrome? Ai que show! Eu tenho um distúrbio!
-Nossa AMIGÃN como nós somos legais!
O fato de acordar pela manhã, colocar uma camiseta amassada, não fazer a barba, (até mesmo não tomar banho) hoje é feito por pessoas que nunca pensariam em participar de tal situação, porém é natural que não o façam por atitude, e sim, força da idéia.
O que antes se mostrava como quebra às regras do sistema hoje mais parece uma corrida contra o correto, arrumado, “direito”. Corrida em busca do egocentrismo e individualismo.
O que todos procuram ultimamente é o destaque. Procuram a evidência em meio ao caos, um querer bem entre a sociedade, ser taxado inteligente, culto, ou “aquele que não liga para os protótipos” (mesmo que isso implique em ter 6 dedos, ou algo parecido) .
Pois, contra que sistema lutam? Que ideais possuem estes? Será necessário gostar de Beatles (ou qualquer banda antiga/revolucionária) para encaixar-me nos padrões agora estabelecidos? Onde ficam os verdadeiros “chuto o balde e não me importo com nada disso” em meia tamanha igualdade de idéias?
“Sem querer querendo” a juventude tem criado os exemplos que daqui a certo tempo serão repudiados por nossos filhos. E então o gel de cabelo será o novo. E cuidado futuras mamães: Será preciso muita goma para as camisetas pólo.
1 de junho de 2007
Carta à Lanna
Beirando os dezessete anos estás a um passo de decidir um futuro provavelmente dessemelhante do que venhas a ganhar. Talvez tuas alternativas sejam do agrado de teus pais e teus familiares. Talvez escolhas uma profissão bem conceituada, abrangente, que ofereça status e ótimas perspectivas financeiras. Talvez optes em favor de tua vontade.
O fato é que: Independente do que decidires para a tua vida, se as opções não te fizerem realmente crer no papel que assinas, seja lá o que for, dar-te-ão como bônus dos teus dias o recíproco do teu desgosto. Serão chatos, entediantes, monótonos e tu passarás a ser abominado entre teus colegas. Terás dinheiro e junto a ele, principalmente, amargura. Como um vazio insuficientemente completo de aparências e dólares.
Terás que colocar em pauta teus valores, tanto morais como espirituais. Aprender a ouvir, mesmo opiniões adversas, mesmo injúrias, mesmo ignorâncias. Porém, terás especialmente que optar pela primorosa passagem dos dias sem esperanças de orgulhar àquelas que esperam algo diferente de ti. Terás que mostrar a eles o quanto podes ser diferenciado desta massa servil sendo exatamente da forma que és. E assim sendo, terás a auto-confiança na profissão que se assemelha a ti, e por conseguinte darás a quem merece um tanto de admiração por teus atos.
27 de maio de 2007
Sobre o claro

Ao abrir os olhos reparou no acanhado risco de sol ultrapassando as fronteiras da remota janela de madeira. Ao deparar-se com tamanha desenvoltura permaneceu por um duradouro espaço de segundo entorpecida. Percebeu a liberdade daquelas partículas dançarinas do ar. Dançarinas de uma melodia silenciosa da respiração humana. Tão cotidianamente acostumada e desprendida. Sentiu inveja de tal alvedrio, tal desambição. E questionou seu modo de vida.
25 de maio de 2007
Sobre música e calendário
Há muito que tenho esta idéia fixa de que nasci na época errada. Pensamento óbvio daqueles que acreditam não se encaixar às peripécias deste mundo excitado. Quanta pressa, quanta rapidez, quantas fórmulas. Fiquemos sentamos lendo, discutindo, observando. Tenhamos tempo para descobrir novidades, deixemos de ser tão precoces.
Apreciemos arte, não finjamos sabedoria, sorriamos, brindemos e fugiremos ante tantos roteiros invisivelmente traçados. Quebremos os protocolos. Dancemos rock.
(Tenho medo de calçar sapatilhas e assumir esse visual “Popular americano anos 50” –única episódio que forneceram de valioso nessa época-. Porém, vá lá, o mundo é um incontrolável ciclo.)
Um abraço aos novos “amigos” cibernéticos .
BERRY, Chuck – Route 66
24 de maio de 2007
Ele não morreu
8 de maio de 2007
Ying-Yang
Teu contrário me agrada, me transborda de contentamento, luxúria, avareza. Despertas em mim os pecados impuros de uma alma arrebatada de sentimentos melancolicamente alegres. Tu és o pretexto da minha felicidade e do meu orgulho.
Dizer que és direita e eu esquerda, que és o silêncio e eu o esparro, és a noite e eu amanhecer, enche-me de interesse sobre como desta tua figura tão avessa formas um desenho tão propicio. Encontras em mim o espaço para tuas histórias ocultas e me ofereço em branco para fazer parte dos teus pensamentos extra-normais.
És o negro reflexo dos meus olhos, abarrotados de benignidade por ti, o avesso do que sempre quis, e no entanto, o que sempre fará de mim o oposto imprescindível.
2 de maio de 2007
Sobre o cansaço

Tenho vontade de tirar férias. Férias de meus trejeitos, trajetos, minhas manias, cobranças, idéias formadas, reclamações, espelhos. De meu quadrado, minha alcova, minha vida. Arremessar tudo para o alto, dormir até doer a base, rir até a barriga dizer chega.
Férias de tudo que me desgasta, me atormenta, me desassossega. Comer chocolate, tomar café, não me preocupar com a saúde. Férias desta imagem, de tudo que ditame lógico, estético.
Férias de mim mesma.
“Tá difícil ser eu sem reclamar de tudo. Passa nuvem negra, larga o dia, e vê se leva o mal que me arrasou pra que não faça sofrer mais ninguém. Esse amor que é raro e é preciso pra nos levantar me derrubou, e não sabe parar de crescer e dor. Não adianta me ver sorrir, espelho meu, meu riso é seu, eu estou ilhada."
Nana Cayme
24 de abril de 2007
Avante Cavalaria

Não pode ser. Pois é.
Com tantas bandas de repertório pobre, que não passam mensagem alguma para seus admiradores podendo ter seu fim, por quê logo minha favorita? São tantos anos, tantas letras, tantos sentimentos. Até mesmo em uma conversa de botas batidas podemos perceber a magnitude e inteligência dos homens que fazem, dessa, a melhor de todas. O despojamento, a sagacidade e a humildade recheada de malícia.
Porém ainda é cedo para despedidas, o adeus você fica para mais tarde, na esperança do adiamento desta tristeza para mim, e com certeza, para música popular brasileira.
É morena. É brabo.
10 de abril de 2007
Cena final

É hora de localizar minhas pernas e seguir. Acoplado a este ar que ausenta-se de meus pulmões sinto esvair-se o mundo que transportava nas costas, aquele idealizado com exércitos e fortificação. A sensação de avaria, por espantoso que possa parecer, não me atenua, e sim, mostra-me horizontes abrangentes distantes destes bosques.
Chegada a hora de fechar-se as cortinas agradeço ao público que conservou-se até o final do espetáculo e vou-me embora com o coração abandonado e um sorriso nos lábios.
Imediatamente, ao dar início a minhas percepções sobre o amor, escrevo com os olhos acesos, a esperança de uma nova história. Em novo parágrafo, novo filme.
9 de abril de 2007
Uma rua chamada pecado

Definiu-se bem como o labirinto das emoções outra vez ocultas, seu coração, ao final desse, assemelha-se a um troféu. A batalha vencida contra sua inteligência, os milhões de caminhos vagos que o faz distante de nós.
8 de abril de 2007
Depois faz frio

É nestas horas que me descompasso, que me desfaço, me arrebento. Entro em desavença, desafino, mudo de vontades, perco o rumo. Minhas idéias tornam-se ponto de encontro aos pensamentos desesperados jogados na sarjeta.
Estar só à mim significa os gritos de uma mente em parafusos, um coração as avessas. Não podendo fugir, preso a certeza de que é baldio estar entre almas penadas, abarrotadas de vento e magnificência inútil. Solidão, qualquer que seja, é a guerra entre coração e cérebro.
7 de abril de 2007
Sobre Amelie
6 de abril de 2007
Sobre José

5 de abril de 2007
Lixo Limpo

4 de abril de 2007
O médio amor do mundo
Fica a dica “O maior amor do mundo”, vale a locação. Repito: A locação.
27 de março de 2007
A face do que vejo
Há quem duvide. Há quem diga que esta não esta correta. Há quem escreva sobre a mulher de sua vida. Há quem a tem em pensamento.
No entanto, há quem apenas a crie em personagem, quem prende-se somente na intenção poética, no papel. E o que acontece com a mulher real?
Aquela que não é culta o bastante, mas que o faz sorrir, que o alegra, que entende como ele possa estar estressado com os problemas do dia-dia (e de alguma forma mágica os extermina). Aquela que não é bela o bastante, porém sabe como agradá-lo, além disso possui um jeito excepcional de tira-lo do sério de uma forma tão linda que encanta.
Onde há espaço para a mulher real? Que cozinha de avental vermelho, suja as mãos de farinha e sabe passar roupas?
Há eu – lírico que conheça?
26 de março de 2007
Brancalhone
Odeio dias cinza. Senti-me impotente, estúpida e irresponsável. O fato de o vestibular estar ali, no final deste ano, faz-me tremer, sabendo que todo o esforço não é válido diante das contas e fórmulas.
Pergunto-me então se é falta de QI ou/e nervosismo, não entendo como pode alguém ser tão estúpido em relação a algo tão imbecil.
No entanto, como, pergunto (á primeira alma de interesse) faz-se para passar em Medicina e mesmo assim, saber que esta não é a escolha que me faz ter certeza. A certeza de que eu estou no caminho certo, à opção correta para uma vida inteira. Se para esta existem fórmulas, fórmulas para não decepcionar meus pais e não seguir sendo como quem não tem “capacidade”. Senti-me limitada, menosprezada e além de tudo, sozinha.
E agora José?
Eu quero um abraço...
Aos livros!
22 de março de 2007
Arrepio
Por um momento sinto vontade de explicar o inexplicável, como quando sentimos os olhos de alguém aspirando os nossos, como quando a mão torna-se a pluma.
São estes, os pequenos detalhes, que me tornam um tanto quanto observadora.
Há quem repare em coisas banais, há quem importe-se com beijos. Já a mim interessa o jeito de sorrir, o magnetismo que existe entre as pessoas, se ele esta olhando, ou não. E então, o que importa são apenas os arrepios que estão por vir, e são estas pessoas que nos fazem penar, são estas que tiram-nos o chão. Das formas mais simples.
Peço atenção ás ocasiões deixadas para trás, e ao movimentos dos pêlos, todos, agradecendo por existir naquele momento.
No fone, o volume no máximo Coldplay