6 de junho de 2007

Dúvida cruel


Sim. Isso não sai da minha cabeça –eu preciso tomar uma posição, eu preciso, eu preciso-. Não ter objetivos me leva a uma grande crise de identidade. Me transforma em uma criatura sem anseio. E, isso é péssimo.
Minha última inventada é fazer Engenharia. Lanna e cálculos pode parecer até piada, porém meu interesse por Matemática e Física tem se acentuado a cada dia que passa. Usam da lógica para a expressão de fatos deixados de lado e isso pode até ser legal, dependo do ponto de vista.
Os amigos dizem que conseguem imaginar-me na posição de responsável Engenheira – sobresaindo a todas as outras opções que dei para pensarem-. Eu, no entanto, não abro mão do Design – a arte predomina à coerência dos números-.
Tenho cerca de cinco meses para colocar os planos em seus devidos lugares. Porém, a idéia exacerbada agora é fazer os dois. Mesmo recebendo a taxa de alucinada.
Os extremos podem ser muito bem empregados. Vou saber abusar disso.

(Texto escrito para ser lido pela autora num futuro próximo. Depois da vontade de cursar todas as profissões existentes.)

“A dúvida constitui, mais do que um conceito, todo um vasto tema na reflexão filosófica, pelo que importa distinguir entre as variantes da sua determinação nocional e correlação com outros conceitos, e as teorias, métodos e procedimentos que de algum modo a sistematizam.”

"Tempo, tempo, tempo, mano velho... Tempo, tempo, tempo, mano velho. Tempo amigo seja legal, eu conto contigo pela madrugada..."

5 de junho de 2007

E até parece Primavera


Eu era uma criança de muito imaginação. Tenho relembrado coisas que antes pareciam cheias de pó. Lembranças do verde que namorava o laranja, o oito que era rival do nove e coisas do tipo, tem se tornado cada vez mais freqüentes.
Acredito ser culpa da leveza de meus pensamentos nesta estação. Um quê de despreocupação com tudo o que acontece ao meu redor (cito coisas e pessoas ruins), é como caminhar sobre uma grande nuvem de sonhos.
O que antes parecia atingir-me com tal magnitude e vigor, hoje mais parece anedota. Como um escudo provindo de minha imaginação infantil (algo que garanto nunca ter partido), mas que renasce como forma de proteção a tudo que antes escondia a graça.
Meu sorriso ganhou um aliado honrado: o desfrute da paz de espírito. O amor entrou pela porta da frente, ofereceu-me um binóculo e pediu permissão para ficar. Recebendo em troca o carinho por sua preocupação e o pedido pelo fico.

“Eu descobri um mundo teu é manso, sem perceber tive paz e só me dei conta, quando eu te vi me perguntei: -Como é que vai você? –Tudo bem?
Falta entender o que me faz pensar que só ele pode ter tanta paz para me dar... Eu te vi e cheguei pra falar: Tudo certinho?” (Hermanos)

4 de junho de 2007

“Tá na hora de rever seus conceitos...”


As pessoas têm se tornado a cada dia mais engraçadas. É hilariante a atual situação dos pontos de vista. Virou mania nacional o “estranho”. O que antes era chutado para fora dos moldes, hoje faz parte da maioria dos guarda-roupas e cérebros. Talvez uma lavagem cerebral das grandes passarelas, dos grandes estilistas, da mídia, não importa. Mas algo é certo: CASO TENHAS UM QUÊ DE ESTRANHEZA JUNTA-TE ÀQUELES TEUS IGUAIS E SEJA MODERNO.
-Oi garota! AÍN AMIGÃN como você é cool, uma síndrome? Ai que show! Eu tenho um distúrbio!
-Nossa AMIGÃN como nós somos legais!
O fato de acordar pela manhã, colocar uma camiseta amassada, não fazer a barba, (até mesmo não tomar banho) hoje é feito por pessoas que nunca pensariam em participar de tal situação, porém é natural que não o façam por atitude, e sim, força da idéia.
O que antes se mostrava como quebra às regras do sistema hoje mais parece uma corrida contra o correto, arrumado, “direito”. Corrida em busca do egocentrismo e individualismo.
O que todos procuram ultimamente é o destaque. Procuram a evidência em meio ao caos, um querer bem entre a sociedade, ser taxado inteligente, culto, ou “aquele que não liga para os protótipos” (mesmo que isso implique em ter 6 dedos, ou algo parecido) .
Pois, contra que sistema lutam? Que ideais possuem estes? Será necessário gostar de Beatles (ou qualquer banda antiga/revolucionária) para encaixar-me nos padrões agora estabelecidos? Onde ficam os verdadeiros “chuto o balde e não me importo com nada disso” em meia tamanha igualdade de idéias?
“Sem querer querendo” a juventude tem criado os exemplos que daqui a certo tempo serão repudiados por nossos filhos. E então o gel de cabelo será o novo. E cuidado futuras mamães: Será preciso muita goma para as camisetas pólo.

1 de junho de 2007

Carta à Lanna


Beirando os dezessete anos estás a um passo de decidir um futuro provavelmente dessemelhante do que venhas a ganhar. Talvez tuas alternativas sejam do agrado de teus pais e teus familiares. Talvez escolhas uma profissão bem conceituada, abrangente, que ofereça status e ótimas perspectivas financeiras. Talvez optes em favor de tua vontade.
O fato é que: Independente do que decidires para a tua vida, se as opções não te fizerem realmente crer no papel que assinas, seja lá o que for, dar-te-ão como bônus dos teus dias o recíproco do teu desgosto. Serão chatos, entediantes, monótonos e tu passarás a ser abominado entre teus colegas. Terás dinheiro e junto a ele, principalmente, amargura. Como um vazio insuficientemente completo de aparências e dólares.
Terás que colocar em pauta teus valores, tanto morais como espirituais. Aprender a ouvir, mesmo opiniões adversas, mesmo injúrias, mesmo ignorâncias. Porém, terás especialmente que optar pela primorosa passagem dos dias sem esperanças de orgulhar àquelas que esperam algo diferente de ti. Terás que mostrar a eles o quanto podes ser diferenciado desta massa servil sendo exatamente da forma que és. E assim sendo, terás a auto-confiança na profissão que se assemelha a ti, e por conseguinte darás a quem merece um tanto de admiração por teus atos.

Abraços da sempre tua , Sã Consciência

27 de maio de 2007

Sobre o claro


Ao abrir os olhos reparou no acanhado risco de sol ultrapassando as fronteiras da remota janela de madeira. Ao deparar-se com tamanha desenvoltura permaneceu por um duradouro espaço de segundo entorpecida. Percebeu a liberdade daquelas partículas dançarinas do ar. Dançarinas de uma melodia silenciosa da respiração humana. Tão cotidianamente acostumada e desprendida. Sentiu inveja de tal alvedrio, tal desambição. E questionou seu modo de vida.

25 de maio de 2007

Sobre música e calendário



Há muito que tenho esta idéia fixa de que nasci na época errada. Pensamento óbvio daqueles que acreditam não se encaixar às peripécias deste mundo excitado. Quanta pressa, quanta rapidez, quantas fórmulas. Fiquemos sentamos lendo, discutindo, observando. Tenhamos tempo para descobrir novidades, deixemos de ser tão precoces.
Apreciemos arte, não finjamos sabedoria, sorriamos, brindemos e fugiremos ante tantos roteiros invisivelmente traçados. Quebremos os protocolos. Dancemos rock.

(Tenho medo de calçar sapatilhas e assumir esse visual “Popular americano anos 50” –única episódio que forneceram de valioso nessa época-. Porém, vá lá, o mundo é um incontrolável ciclo.)
Um abraço aos novos “amigos” cibernéticos .

BERRY, Chuck – Route 66

24 de maio de 2007

Ele não morreu


Ando contagiada – mais que nunca - por Elvis. Um amorzinho valioso, um instante de terapia musical.
(É bom saber o que se almeja na vida. Virei infinitamente clichê, e adorei. Mais uma vez.)

No fone
PRESLEY, Elvis - Blue suede shoes (E não preciso aludir a palavra “Hino”)

8 de maio de 2007

Ying-Yang


Teu contrário me agrada, me transborda de contentamento, luxúria, avareza. Despertas em mim os pecados impuros de uma alma arrebatada de sentimentos melancolicamente alegres. Tu és o pretexto da minha felicidade e do meu orgulho.
Dizer que és direita e eu esquerda, que és o silêncio e eu o esparro, és a noite e eu amanhecer, enche-me de interesse sobre como desta tua figura tão avessa formas um desenho tão propicio. Encontras em mim o espaço para tuas histórias ocultas e me ofereço em branco para fazer parte dos teus pensamentos extra-normais.
És o negro reflexo dos meus olhos, abarrotados de benignidade por ti, o avesso do que sempre quis, e no entanto, o que sempre fará de mim o oposto imprescindível.

2 de maio de 2007

Sobre o cansaço


Tenho vontade de tirar férias. Férias de meus trejeitos, trajetos, minhas manias, cobranças, idéias formadas, reclamações, espelhos. De meu quadrado, minha alcova, minha vida. Arremessar tudo para o alto, dormir até doer a base, rir até a barriga dizer chega.
Férias de tudo que me desgasta, me atormenta, me desassossega. Comer chocolate, tomar café, não me preocupar com a saúde. Férias desta imagem, de tudo que ditame lógico, estético.
Férias de mim mesma.

“Tá difícil ser eu sem reclamar de tudo. Passa nuvem negra, larga o dia, e vê se leva o mal que me arrasou pra que não faça sofrer mais ninguém. Esse amor que é raro e é preciso pra nos levantar me derrubou, e não sabe parar de crescer e dor. Não adianta me ver sorrir, espelho meu, meu riso é seu, eu estou ilhada."
Nana Cayme

24 de abril de 2007

Avante Cavalaria


Minha irmã abre a porta deste humilde quartinho, corsimcornão, no intuito de me dar uma notícia. Falando bruscamente palavras que atassalham meu indigente coração alado, diz com versos rudes que há em determinado site á notícia de que foi decretado o fim de Los Hermanos.
Não pode ser. Pois é.
Com tantas bandas de repertório pobre, que não passam mensagem alguma para seus admiradores podendo ter seu fim, por quê logo minha favorita? São tantos anos, tantas letras, tantos sentimentos. Até mesmo em uma conversa de botas batidas podemos perceber a magnitude e inteligência dos homens que fazem, dessa, a melhor de todas. O despojamento, a sagacidade e a humildade recheada de malícia.
Porém ainda é cedo para despedidas, o adeus você fica para mais tarde, na esperança do adiamento desta tristeza para mim, e com certeza, para música popular brasileira.
É morena. É brabo.

10 de abril de 2007

Cena final



Minhas palavras vieram sucessivamente acompanhadas de muitas vírgulas. Igualmente, minha vida. No momento em que as deixo de lado colocando um ponto término nestes meus versos vagos de amor começo a discorrer a existência, em si, de modo distinto. Coloco primeiramente um final a esta minha angústia, este sentimento sem nome que assombra meu peito, afasta-me de meu mundo, tira-me o sono, muda-me a personalidade. Junto a ela arquivo na gaveta das lembranças centenas de orações não ditas, tentativas frustradas de mostrar-me transparente e agradar qual não pode ser amimado.
É hora de localizar minhas pernas e seguir. Acoplado a este ar que ausenta-se de meus pulmões sinto esvair-se o mundo que transportava nas costas, aquele idealizado com exércitos e fortificação. A sensação de avaria, por espantoso que possa parecer, não me atenua, e sim, mostra-me horizontes abrangentes distantes destes bosques.
Chegada a hora de fechar-se as cortinas agradeço ao público que conservou-se até o final do espetáculo e vou-me embora com o coração abandonado e um sorriso nos lábios.
Imediatamente, ao dar início a minhas percepções sobre o amor, escrevo com os olhos acesos, a esperança de uma nova história. Em novo parágrafo, novo filme.

9 de abril de 2007

Uma rua chamada pecado


Nunca soube muito bem empregar os olhos, seus movimentos são lentos, continuamente rudes. Seu caminhar de quem desconfia demonstra o quanto sente-se estremecido com as oscilações a seu redor, é atencioso e preocupado. Utiliza de sua força quando lhe é permitido, quando lhe parece imperioso. Sua amabilidade é mútua à quem a merece, igualmente, seu despeito. Aprendeu a falar cedo, instruir-se de que deveria calar-se também precocemente, preferiu ficar só por um milhão de vezes, não modificou sua idéia em qualquer delas.
Definiu-se bem como o labirinto das emoções outra vez ocultas, seu coração, ao final desse, assemelha-se a um troféu. A batalha vencida contra sua inteligência, os milhões de caminhos vagos que o faz distante de nós.

8 de abril de 2007

Depois faz frio


Um homem sábio em determinado lugar do mundo um dia disse que estar só é estar em paz consigo mesmo. Discordo.
É nestas horas que me descompasso, que me desfaço, me arrebento. Entro em desavença, desafino, mudo de vontades, perco o rumo. Minhas idéias tornam-se ponto de encontro aos pensamentos desesperados jogados na sarjeta.
Estar só à mim significa os gritos de uma mente em parafusos, um coração as avessas. Não podendo fugir, preso a certeza de que é baldio estar entre almas penadas, abarrotadas de vento e magnificência inútil. Solidão, qualquer que seja, é a guerra entre coração e cérebro.

7 de abril de 2007

Sobre Amelie



Entre tantas coisas inúteis que circulam pela internet, é difícil encontrar alguém que faça algo tão banaca quanto esse vídeo. Não sou muito adepta ao mundo cibernético, no entanto fiquei alegre e ganhei um sorriso.
Fica a dica!

http://www.youtube.com/watch?v=axDy20SY6Yc

6 de abril de 2007

Sobre José



Tudo aqui cheira a mofo. O cigarro amassado no bolso traseira da velha calça jeans rasgada demonstra o quanto sente-se impotente, fraco, sujo. Sentado na cadeira esquerda da esquina mais escura do bar, levanta seu copo como quem pede perdão por uma vida vazia, abarrotada de tudo. Observa seus pés sórdidos de barro, pede perdão em telepatia, a ela, que neste momento devaneia sobre amor. Ele não pode compreender. Seus pensamentos percorrerem outros planos, engolindo lágrimas para dentro do peito, um vadio sentimento nulo dentro de si. Debaixo 40 W de luz inatingível, a escuridão conservar-se dentro do pobre homem que nunca poderá entender o sentido daquelas palavras. O que é o amor para José? Não enlouqueça José. Não enlouqueça.

5 de abril de 2007

Lixo Limpo


Tenho me sentido fora de órbita. Um quão grandemente conduzida por um ânimo triste, algo que não tenho o conhecimento. Almejo momentos de insanidade para me descobrir por acolá, me sentir tola novamente, ser chichê, borrar a maquiagem. Estragar tudo, pedir desculpas, sentir meu corpo doer. Aparentar birutice, para me sustentar em um novo eu, esse velho quero colocar fora. Quero sentir, sentar, na lata de lixo.
Bebel e Chico - A mais bonita
"Não solidão, hoje não..."

4 de abril de 2007

O médio amor do mundo

Mesmo tendo como opinião inalterável de que o filme que vi não tenha um roteiro capacitado para o nível dos atores que o encenam, esse me fez pensar um pouco além. Em mim, o que permaneceu destas cenas, foram exclusivamente perguntas a desígnio do destino. Resta em mim, a só, inútil certeza de que por mais ousados que sejamos, tudo sempre vira poeira.
Fica a dica “O maior amor do mundo”, vale a locação. Repito: A locação.

27 de março de 2007

A face do que vejo


“Há a conclusão de que se não existisse quem escrevesse, ninguém conheceria as mulheres, por mais belas que tivessem sido.”

Há quem duvide. Há quem diga que esta não esta correta. Há quem escreva sobre a mulher de sua vida. Há quem a tem em pensamento.
No entanto, há quem apenas a crie em personagem, quem prende-se somente na intenção poética, no papel. E o que acontece com a mulher real?
Aquela que não é culta o bastante, mas que o faz sorrir, que o alegra, que entende como ele possa estar estressado com os problemas do dia-dia (e de alguma forma mágica os extermina). Aquela que não é bela o bastante, porém sabe como agradá-lo, além disso possui um jeito excepcional de tira-lo do sério de uma forma tão linda que encanta.
Onde há espaço para a mulher real? Que cozinha de avental vermelho, suja as mãos de farinha e sabe passar roupas?
eu – lírico que conheça?

26 de março de 2007

Brancalhone

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu....”
Odeio dias cinza. Senti-me impotente, estúpida e irresponsável. O fato de o vestibular estar ali, no final deste ano, faz-me tremer, sabendo que todo o esforço não é válido diante das contas e fórmulas.
Pergunto-me então se é falta de QI ou/e nervosismo, não entendo como pode alguém ser tão estúpido em relação a algo tão imbecil.
No entanto, como, pergunto (á primeira alma de interesse) faz-se para passar em Medicina e mesmo assim, saber que esta não é a escolha que me faz ter certeza. A certeza de que eu estou no caminho certo, à opção correta para uma vida inteira. Se para esta existem fórmulas, fórmulas para não decepcionar meus pais e não seguir sendo como quem não tem “capacidade”. Senti-me limitada, menosprezada e além de tudo, sozinha.

E agora José?
Eu quero um abraço...

Aos livros!

22 de março de 2007

Arrepio

Eu que tantas vezes falei de amor, hoje mudo o repertório.
Por um momento sinto vontade de explicar o inexplicável, como quando sentimos os olhos de alguém aspirando os nossos, como quando a mão torna-se a pluma.
São estes, os pequenos detalhes, que me tornam um tanto quanto observadora.
Há quem repare em coisas banais, há quem importe-se com beijos. Já a mim interessa o jeito de sorrir, o magnetismo que existe entre as pessoas, se ele esta olhando, ou não. E então, o que importa são apenas os arrepios que estão por vir, e são estas pessoas que nos fazem penar, são estas que tiram-nos o chão. Das formas mais simples.
Peço atenção ás ocasiões deixadas para trás, e ao movimentos dos pêlos, todos, agradecendo por existir naquele momento.

No fone, o volume no máximo Coldplay

11 de março de 2007

Maria


"Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz

E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
Agente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
"


Chico - João e Maria

Sobre o acaso



Assumo total responsabilidade
Vou ouvir apenas com as mãos e reparar em qualquer tom do silêncio;
Faço um pacto de sangue – com o medo. Desejo que este me acompanhe até o final dos dias, na juventude e na velhice, para que assim ressalte toda e qualquer glândula sudorípara e me faça penar.
E se for por descaso do tempo que o faça parar - renego. E volto a fita.
Volto-o.
Ou me escondo.

10 de março de 2007

E tira o som dessa tv, pra gente conversar...

Logo após ter entrado em estado de liquidificação com o calor acordo com um certo “friozinho”. Estes dias foram feitos por livros, plano para que passemos a tarde os acompanhando. Neste momento encontro-me com Drummond, fazendo de meu sábado um tanto quanto cheio de vida. Cheio de poesia.
Leitura obrigatória para o vestibular fez-me pensar além. Fiquei preocupada com a vida dos meus futuros filhos, e confesso que também com a minha. Como serão as coisas daqui a um certo tempo? Onde, entre mundo cibernético e fast-food, terão espaço os amores, as flores e as dores?
(Meu chá esta esfriando)
Restará lugar para as conversas de boteco, chimarrão no pôr-do-sol e desenho animado? Assim como eu, meus filhos trocarão a tv pela bicicleta? Brincarão de playmobil ao invés de Barbie? E como será a Barbie daqui a um tempo? Terá peito de silicone?
Complicado, tudo agora é tão banal, que talvez nem existirão brinquedos. Todos virão com cérebro já de opinião formada e com botões.
Bom, vou voltar ao chá enquanto ainda posso não enferrujar.

“Os beijos não são importantes.
No teu tempo nem haverá beijos.
Os lábios serão metálicos,
Civil, e mais nada, será o amor
Dos indivíduos perdidos na massa
E só uma estrela
Guardará o reflexo
Do mundo esvaído
(aliás sem importância).”

Drummond

7 de março de 2007

Não precisa ser Moraes, nem Camelo...

É quase “necessário” encontrar um homem diferente. Não seria, assim, a agulha do palheiro, no entanto deveria se destacar entre os demais do “grupo”. E não apenas por atitudes dramáticas, romantismo excessivo, matrimônio imaginário, mas sim por me fazer estremecer.
Onde encontrar, então, um homo que cozinhe, não abuse da inteligência, nem queira se sobre sair? Necessitaria apenas fazer “leite com Nescau”, conversar sobre livros (de preferência os meus), ver futebol no domingo e ser machista quanto ao tamanho do vestido. Necessitaria ser ciumento, fazer cara de bravo e acabar cedendo a todas as vontades, desejos repentinos e agüentar a tpm.
Onde encontrar aquele que não grite em público, goste de maquiagem borrada e arrisque uma surpresa todo final de tarde? Fazer dos dias todos recreação, dar risada, dizer que estou linda (mesmo de pijama e cara de sono), sentar na grama, rabiscar um bilhete. Não exijo explicações científicas, rosas, telefonemas exagerados. Não exijo cartas, compromisso e Niestchz.. Exijo que entenda todo não que vale por sim, todo dengo, toda saudade, todo carinho. Exijo carinho, muito carinho.
Há aqui muita vontade de saber onde encontrar quem vá rir de minhas besteiras e ter coragem de enfrentar todas as brigas.
Não seria apenas “um homem diferente”, teria que ser o melhor de todos, mesmo sendo o pior. Teria jogo de cintura, saberia a hora de fazer planos, de adia-los, e principalmente de fazer-me irritar. Pois, acredite, as mulheres mais interessantes pertencem aos homens mais atrevidos (e me desculpe as feministas de plantão).

23 de fevereiro de 2007

Goodmorning Sunshine


Nascer do sol, Praia da Ferrugem
Verão 2007

Eu já deveria ter me acostumado a isso: O ano só começa após o carnaval. Principalmente quando nasce-se brasileiro. Antes disso tudo ainda esta legendado como “verão”, “descanso”, “tempo”, até mesmo “ano novo”. E é então chegada quarta feira de cinzas, toma-se conhecimento de todas as responsabilidades e atos que farão deste “ano novo” velho e é então que espera-se outro “ano novo”, e outro, e outro...
Não ter preocupações as vezes é chato, o habito de férias torna-nos um tanto quanto fúteis e sedentários, avantaja-nos o sono e diminui-nos o cérebro. Porém faz bem. Todos voltamos diferentes. Mais maduros, menos maduros, há até quem arrisque um novo corte de cabelo, uma dieta, novas amizades.
O carnaval faz de nós foliões sem noção de tempo, lugar, todos viram amigos e os amigos viram irmãos do peito, temos dinheiro para pagar bebidas a todos. E fim, terminada a moleza.
Começamos o ano com a sensação do dever comprido, cabeça “limpa” e na minha parte, muita sede de rotina, a mudança faz de nós brasileiros. Afinal, precisamos de uma boa sacudida para colocarmos em nossos devidos lugares.

8 de fevereiro de 2007

The Horizon

São três e meia da madrugada. Entre amigos e shampoo espero amanhecer para ir ver o sol nascendo no morro, até mesmo arriscar um surf. Falta pouco para o trabalho acabar, o dinheiro também, até mesmo os dias de sol rainte, a mochila volta mais cheia, o coração mais vazio e tudo volta ao seu "normal", seja ele qual for. Todos tem uma casa, não é mesmo?

"Ela é linda com dor de barriga, ela é linda dormindo e até quando acorda cheia de remela. Ela é linda chorando e mais ainda sorrindo. Ela é linda passeando e linda quando pára diante do espelho. Linda penteando o cabelo e linda fazendo batata frita. Ela é linda nas palavras, nas idéias, nas mãos (sempre quentinhas), nas roupas bagunçadas no armário. Linda nos livros que ficaram na estante, linda nas músicas que gosta de ouvir. Linda na escova de dentes que ficou perdida. Linda de salto alto e linda de pés descalços. Linda quando briga comigo, quando dá gargalhadas e linda quando fica de beicinho. Linda nas fotos que não paro de olhar. Ela é linda quando me faz sentir uma saudade deste tamanho. Simplesmente, linda."
Lara Collares.

Minha autora favorita. Também estou com saudades mana, do tamanho da via láctea, já volto!

1 de fevereiro de 2007

Acredito

Mesmo estando entre as mais bonitas paisagens sinto-me arrepiada toda vez que ouço falar sobre amor. Sentei-me aqui por alguns minutos voltando um pouco á civilização, revendo meus e-mails, colocando a conversa em dia com os amigos, deparei-me com um texto especial. Uma das melhores definições sobre tal:

“Eu ouvi dizer que o melhor de nós são clichês. E logicamente eu assinei embaixo.Por mais que a gente costume criticar os clichês, sempre vamos de encontro a eles.Seja o amor, seja a arte, seja até a própria imaginação. Ou tu consegues pensar em algo que seja exatamente novo?Na intenção de impressionar quem gostamos utilizamos velhas poesias, canções já ouvidas, batidas e que fazem parte do repertório de consquista há muitos anos. "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." Imitamos cenas de filmes, nos inspiramos em contos, nos livros.Praticamente tudo já foi pensado. A moda, por exemplo. Observe as vitrines hoje. São bolinhas, listras, nada que não nos arremese direto aos anos 60. Ou que seja, ao maleiro da tua mãe.E eu aposto minhas moedas, que nem por isso tu não irás dizer: "Nossa, a coleção dessa estação está linda. " E tu vais desejar aquele vestido vermelho com branco rodadinho e as pulseiras plásticas coloridas. Vai achar que a "nova" moda está toda criativa, bloqueando assim aquela parte do teu subconsciente que diz que as prateleiras das lojas hoje são cópias perfeitas do seu armário de ontem.A mesma coisa a música. Você não levará um susto se perceber um CD da Jovem Guarda em meio aos "Psy Trance" (independete de tu saberes que diabo seja esse cidadão de nome estranho, mas supõe que seja um bom músico devido a quantidade de discos que "ele" já lançou) do teu filho.Menos ainda pensará que voltou no tempo ao flagrar o mesmo fazendo uns passinho ridículos no meio da sala no ritmo de um yeah, yeah, yeah.Tu já te acostumou com essas retomadas. E particularmente acha tudo isso uma delícia.A moda é velha e conservou seu glamour. A jovem guarda fez sucesso e continua sendo apreciada.Para EU TE AMO a mesma conclusão. A frase aí não vai sair de moda. Ninguém dirá que amor hoje está mais que demodê. Seja ela em, francês, italiano ou inglês. O fato é inegável. Entra ano e sai ano, o amor está ali. Nas menores causas. No recado brega de batom escrito no espelho. Vestindo, despindo, soando, arrepiando, fazendo arte, história, dramas, sendo o único imortal e até matando.Não é mesmo uma questão de banalização. É combustível. É necessidade. Simplesmente não existe viver sem.O amor sem dúvida é o que há de melhor em nós. Em todos nós, acredite.”
Fernanda Gava

Saudade de amor...

Santa Catarina, Praia de Garopaba
Verão 2007

31 de dezembro de 2006

Junte cinco sorrisos e leve grátis

Não deixei de falar sobre amor. Que bobagem.
Tenho guardado para mim minhas controvérsias, minhas divagações, minhas baboseiras. Não deixo, simplesmente, de falar sobre amor. Tudo tem virado tão banal que me assusta.
Tento me encaixar a modernidade das coisas, deixar de lado esse peso que carrego nas costas, essa preocupação.
Por que quem se importa? Nós tropeçamos no amor. Quando menos esperamos recebemos uma flor, um convite, um presente. Quando nem sequer lembramos de sua existência, quando damos gargalhadas, quando estamos leves.
O amor não procura tristeza, lágrimas e pessimismo. Amor não se encontra, pois não se esconde de nós, ele existe para quem quiser ver. Ele é um plus da felicidade.

30 de dezembro de 2006

Terceira pessoa do singular

Antes de Lanna nascer tudo já era programado. A mãe pediu uma “pretinha”, pós dois filhos claros de olhos verdes. Alguém escutou.
Com cinco anos brincava de Playmobil, tinha os cabelos escorridos pelas costas e as bochechas escondiam seu nariz. O irmão teimava em dizer que por isso só respirava pela boca.
Cresceu ouvindo as músicas do pai, suas histórias, suas brincadeiras. Lendo seus livros, procurando ser algo semelhante, ter um pinguinho de sua cultura, sua sabedoria sobre mapas.
Fez-se jovem e já sabia o que queria da vida. Mandar-se daqui para longe, ser livre.
Passou por diversas “fases”, por diferentes amores, difíceis momentos. Aprendeu com o pouco de experiência que tinha que pessoas mentem, pessoas são boas, pessoas vão embora e pessoas ficam, aprendeu que feridas cicatrizam e que delas só tiramos bom proveito (há quem goste de comer as casquinhas, não é mesmo?).
Aprendeu tarde a arriscar, a largar tudo, soltar as mãos, fechar a porta. Aprendeu que tudo isso era necessário, tanto para ela quanto para os que delam careciam. Aprendeu a desconexar tudo, misturar os sentimentos em uma salada de frutas, com muito chantilly.
Mesmo que tardio aprendeu a não voltar aos velhos tempos de si, aprendeu apenas a reconhecer novas Lannas dentre as que a formam. Suas fases se abastecem destas, cada qual com seu momento: Lanna sensível, Lanna forte, Lanna sentimental, Lanna sem vergonha, Lanna braba e tantas outras.
Aos dezesseis anos de idade ouviu o pai cantarolar uma canção, parou por um momento. Jogou os argumentos e princípios no lixo e mudou mais uma vez. Seu bom senso de estética a fez observar melhor ao seu redor, rever a situação, calcula-la como uma boa jogadora de truco.

Sempre foi apaixonada por Reveillon, este a traz em sua mais nova versão, em mais novo estilo e forma, novo conhecimento de mundo e estatísticas. Esta permite ousar e colocar para fora de seus pensamentos o que sempre quis para si. O inigualável.
2007 vem de puro roxo, vermelho, zebra, onça, dourado e o escambal. Vem repleto do estrago, eles têm razão, vem sem medo e sem tempo.

Boa sorte

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

(Seu Collares cantando Chico – Bom conselho)
Bom conselho mesmo Sábio

10 de dezembro de 2006

Sorvete de pistache

Por onde andaram os pensamentos desta menina? Ninguém entende porque é tão perdida e atrapalhada, ela não vive entre nós. Sobrevoando a cada passo com suas pernas aladas, ela não deixa brecha para preto, cinza e mau humor.
Em seu mundo todo dia é dia de sol, toda noite é noite de ver estrelas e todo o sorriso é feito de amor. A menina não vê maldade nas pessoas, não tem medo de palhaços e sabe cozinhar. Ela é feita de fita mimosa, flores nos cabelos e seus olhos são tão verdes quanto sorvete de pistache. Neste mundo poderíamos comer apenas algodão-doce e beber suco, neste mundo não haveria regras de trânsito, nem mesmo livros de direito.
E quando a ela chamam a atenção fica triste. Não entende como podem não aceitar sua vida, suas regras e o modo em seu mundo não permite realidade.

É difícil te ver fazer aniversário minha irmã, pois a cada ano que tu completas mais menina tu te tornas, esta luz cresce, a luz que todos nós deveríamos ter. Tu vais ser a eterna criança que um dia conheci, mesmo quando estivermos velhinhas fazendo tricô e 5 Marias. Continuemos para sempre com a alegria envolvente de nosso lustre, nossa casa, nosso porto seguro.
Minha fada, minha irmã, minha melhor amiga, parabéns por estes 23 anos sendo a estrela dos palcos da tua vida, todo e qualquer lugar onde fazes da tua presença um espetáculo. Eu te amo.

“Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem” (Chico)

(09/12/2006)