25 de janeiro de 2012

E logo tudo fica bem

Deixa pra depois
O que já não precisa esperar
E tudo que não deu pra consertar
Por culpa do depois
Não tem jeito não
A gente sempre espera piorar
a gente sempre deixa de cuidar
do que já tem na mão
Mas é sem querer
Sem querer
Então, taí
nosso refrão
Taí
Deixa pra depois
O que já não precisa mais deixar
Mudando as mesmas coisas de lugar
A certa coisa certa a se fazer
E diz que só queria descansar
De quem a gente mesmo escolheu ser
sem querer
É sempre sem querer
Então, taí
nosso refrão
Taí
(Cicero)

Vinte e cinco folhas escritas, cinco dias de lágrimas ininterruptas, quinze maços de cigarro, dez músicas que deixam de tocar, um analista.
E logo tudo fica bem.

22 de janeiro de 2012

Olha só

Ela acordou antes, olhou a fresta da janela que lhe parecia a única entrada de ar e se perguntou se a idade lhe fizera deixar de sentir tanto sono pela manhã. Buscou um papel, uma caneta e uma explicação. O lençol amassado cobria parte da âncora que ele traz na pele, que em meio a um único fio de sol, brilhara. Ela respirara pouco nos últimos dias, com certo medo de que o ar acabasse. Uma precaução vestida de medo, uma dúvida do que passa pela cabeça dele. Ninguém sabe, pois dormindo fica manso, feito uma criança sem preocupações. Parece que ele nunca teve medo de respirar. Parece que o ar dali foi feito para ele e eles teriam que aprender a dividi-lo. No silêncio da manhã foi escrito no papelzinho: E agora? Tudo permaneceu em silêncio. E ela voltou a dormir.

20 de janeiro de 2012

Um jornalista pra se confiar

(Para lembrar da nossa formatura... Quando a gente já se achava muito adulta...)

Um dia ela sentou no pátio da escola, me olhou e disse: ''Tô afim de fazer Jornalismo''. Eu achei muito bonito poque imaginei ela em uma casa cheia de livros e cinzeiros, de óculos e meio esquerdista. No momento após a frase eu idealizei a vida dela: trabalharia em um jornal, casaria com um cara barbudo e intelectual, teria filhos inteligentes que seriam melhores amigos dos meus. Tava tudo feito. Combinaria com o jeito torto dela, canhoto e complicado. Admirei tanto aquela vontade que me senti pequena por ter tantas certezas e não ter certeza de nada.
Hoje ela se torna jornalista, e como diz: ''diplomada''. Eu não vou conseguir chegar em tempo de ver ela apontar o diploma em nossa direção ao som de um tango (aposto que foi pra emocionar) falando ''Vocês são foda!''. Mas se existe alguém orgulhoso no dia de hoje, esse alguém sou eu.
O Jornalismo hoje fica mais sincero, mais bonito, mais charmoso, mais enfumaçado, e claro, muito... mas, muito mais engraçado.

Feliz de quem te tem por perto, feliz de quem pode compartilhar a tua felicidade hoje.

18 de janeiro de 2012

Perdida

E hoje andei em direção a um lado da rua que parecia o errado. Não era.
Não faz muito que a rua é minha e eu já estou perdendo ela.

10 de janeiro de 2012

“No fundo, isso tudo é apenas o que o meu olho inventa: Satolep.”

E eu coloquei algumas coisas em caixas e resolvi mudar de cidade. É engraçado porque fui embora para perto e o perto é de um ponto de referência que nunca muda. Pelotas. Pelotas deixou de ser o lugar onde moro para ser o lugar para onde volto. Pelotas passa a ser Satolep, que é mais de quem sente saudade. Engraçado porque o cara aquele disse que Paris não seria Paris se não fosse o imaginário envolto a ela. Eu vim para Porto Alegre porque o imaginário que tenho dela talvez seja mais legal que o resto todo. Acho que to feliz. Meio perto, meio longe. Meio imaginário, meio vida, meio tudo que o meu olho inventa... E eu vou atrás.