18 de julho de 2012

take it easy my brother

Quando eu cheguei aqui não pensei muito sobre a logística de certas coisas. O plano era o seguinte: eu acordaria atrasada, colocaria meus fones, me despencaria pro trabalho, no caminho amaria a cidade mais um pouco, na volta passaria no super, iria pra casa, colocaria água nas plantas, escreveria umas bobagens, faria umas comidinhas e viveria a minha vidinha. Tava tudo feito, tava tudo perto e não tinha muita chance de erro (porque se tiver que dar errado vai dar errado comigo, é meu estilo de vida). Só que domingo ocorreu o choque da desordem. Eu fiquei doente. Em seis meses eu tive a minha primeira grande crise de gastrite. Daquelas. Pra acabar comigo. Pra dar um tapa na cara da ordem da desordem da minha vida. Fazia tempo que isso não acontecia. Acho que eu aprendi a viver com a gastrite e ela aprendeu a viver comigo. Eu fumava, eu tomava café e coca-cola. Ela me dava um alô quando eu ultrapassava no nervosismo. E, "assim íamos vivendo em paz". Desde domingo ela rompeu comigo como uma Amélia enfurecida. E agora... eu não sabia o que fazer. O Omeprazol não bastou, a Magnésia não bastou, comer de hora em hora não bastou, dormir igual um caracol não bastou, deitar no chão da sala e acender incensos não bastou. Fui pro google procurar por "hospitais", perguntei aos amigos, fiz o auê necessário. "Onde tem pronto atendimento nessa porra?". A essa hora eu já odiava tudo que fugia do meu controle e, em transe, me imaginava arrancando a cabeça do segurança da Unimed que me avisava: "aqui fecha às 19h, moça". Daí, eu chorei. Chorei porque "queria a minha mãe", chorei porque eu, em sonho, podia sentir o Omeprazol+Buscopan entrando na minha veia com sorinho e cama de hospital e chorei porque o ônibus tava demorando pra cacete. Passei no super, comprei pão, voltei pra casa, coloquei água nas plantas e em forma de caracol escrevi umas bobagens. No meio disso tudo eu dormi. Acordei hoje sem dor. Atrasada. Mas, sem dor. No meio disso tudo... passou. Acho que era um aviso. "Take it easy my brother". Eu prometi que passaria a semana sem café e não fumo há exatos 13 dias. Voltamos a nos dar bem. Voltamos a viver em paz. E, hoje no caminho pro trabalho voltamos a amar a cidade.