29 de junho de 2012

28 de junho de 2012

do intervalo


Entre uma espera de aprovação e outra, um cartazinho da trilha sonora do dia.

26 de junho de 2012

pra não esquecer que tive uma ideia

Coloquei meu colchão na "sala" e resolvi dormir no chão. Não sei, talvez pra ver a casa por uma outra perspectiva. De visita, talvez, sei lá. Espalhei todas as coisinhas que peguei no final de semana, jornais, folhetos, flyers (que a gente põe na bolsa e nunca mais vê) e li, anotei os cursos legais que queria fazer, as oficinas, os shows, coisa e tal (mas acho que vou esquecer de tudo). Li as revistas que comprei. E, no chão, acho que tive uma ideia. Acho que tive uma ideia e acho que vou convencer as minhas amigas a entrarem nessa comigo. Um projeto mulherzinha, nosso e debochado (sintoma ex-bbb que precisa sempre de um "novo projeto"). Se elas perguntarem o porquê dessa coisa toda eu vou começar assim: coloquem seus colchões na sala pra me ouvir... 


a trilha do chão:









25 de junho de 2012

mergulho








  














Final de semana pra mergulhar na cidade que agora é a minha. E olhar. E amar, cada vez mais.

21 de junho de 2012

das notícias


(ouvi essa música umas 876 vezes hoje) 

Tô me "amarrando" no livro que tô lendo. Era pra ser uma revolução na praia, mas foi em mim mesmo.      Tô com uma nova que são as gírias desse livro, do tipo "fundir a cuca", tô curtindo "pacas". Tô escrevendo muito num caderno que ganhei. Era pra ser um presente normal, mas virou um porta-desabafos que levo na bolsa (antes eu escrevia em um monte de caderninhos que sempre acabava perdendo, lembra? Um dia eu vou colocar vários desses pensamentos no blog, eu gosto do blog, curto ler algumas coisas que eu escrevia em outros tempos). E, ah, eu vou falar muito sobre esse livro ainda. Tô querendo começar um curso de arte. Era pra voltar a desenhar, sinto saudade das aulas de modelo vivo, eu achava a maior "onda". Tô ansiosa e quero pintar a minha casa de "azul ideal", eu vou pintar um metro quadrado de parede e vou ficar com preguiça. Era pra dar uma mudada no clima, um alto astral, cansei do cheiro de incenso, mas não sei se vai dar certo. Tô muito feliz que as malucas tão chegando por aí, tá rolando um monte de exposição "maneira" e a Laurinha quer fazer uma sessão de fotos, a Erika vem tirar o visto pra "dar no pé" e ir pra Portugal e a Paula já trouxe mala e cuia. Todo mundo tá sempre um pouco "indo", né? "Bicho, que maluquice isso". Tô aí. Não sei por onde tu anda, mas achei que deveria mandar notícias. Um beijo

14 de junho de 2012

22 + todo o resto

Fiz aniversário e não ganhei nenhuma ruga, não fiquei com dor nos joelhos e (infelizmente) não me tornei uma pessoa mais tranquila. Recebi um bocado de abraços, muitas mensagens, uma penca de ligações, vários presentes, algumas festas, um bolo em formato de coração e muito carinho. Vinte e dois. Os vinte, daquela comemoração que encasquetei que não tinha roupa pra ir e fui vestindo uma camiseta velha do Strokes, que a gente tomou um porre e bebeu água da torneira de um posto de gasolina e que cheguei com a camiseta toda suja, mais dois. Os dezoito, mais quatro. Os dez, mais doze. Os dois, mais vinte. Vinte e dois. Fiz aniversário e não cresci. Mas, me senti como quando a gente tá indo pro Uruguai e em determinado momento a estrada vira uma pista de vôo. Acho que é isso. Vinte e dois mais uma pista de vôo. Vinte e dois mais uma vida inteira pela frente. 

11 de junho de 2012

9 de junho de 2012

Reflexões de uma gripe


 “Tá tocando Jota Quest, fica tranquila e vê se melhora”. Recebi essa mensagem a uma da manhã, de uma amiga que sabia que eu só queria estar bem e ouvindo música boa. Sai do trabalho saltitante, coloquei meus fones, voei em casa, peguei minha mala e fui direto ao encontro dos meus amigos. Só que deu tudo errado. Foram três horas e meia de muito sofrimento. O moço que sentou do meu lado já não sabia se me acudia, se me oferecia uma água ou se só me garantia que ia ficar tudo bem mesmo. Levanta, senta, caminha pelo ônibus, dói aqui, dói ali e um mal estar que nunca ia embora. Nisso, baixinho, eu já recitava: “descansem o meu leito solitário, na floresta dos homens esquecida, à sombra de uma cruz e escrevam nela: foi poeta, sonhou e amou na vida”. Tá, não foi dessa vez que eu morri e eu nunca fui poeta. Era só gripe mesmo ou o tal “rotavírus”, seja lá o que isso for. Ou, de acordo com o Seu Jeco: “isso é o frio que tu tens passado, nunca vi sair de casa pra passar frio”. Perdi o samba, mas ganhei a história sobre o junho mais gelado que meus pais já vivenciaram: o tal de 1990. Perdi o samba, mas ganhei a possibilidade de ver o documentário do Woody Allen no Telecine Cult (saudoso Telecine Cult) e seguir com o meu preconceito. Perdi o samba, mas meu drama acarretou um belo fogo na lareira e muito mimo. Fiquei tranquila, e ó, desse jeito vai ser facinho melhorar.

Acordei sem força nem pra caminhar, mas tinha compromissos a serem compridos. Bobagem. O compromisso era comigo mesmo e poderia facilmente ser adiado. Mas, não. “Levanta, bamboleia, sacode a poeira e vai pro dia de beleza que tu tinhas marcado”, foi o que minha consciência me disse, e eu, em um ato difícil de ser visto, escutei. Lá estava a doente, sentada em frente ao espelho, ouvindo que o Maicon não valoriza a fulana, que o Kléber só sabe olhar pro seu próprio umbigo e pensando: gente, que tal uma marcha pelos novos assuntos no salão? Peguei minha revista e parei de dar pitacos nos relacionamentos alheios. Eu assino a Lola há um tempão, só que leio sempre com um delay porque chega na casa da minha mãe e tenho preguiça de pedir pra mudar o endereço. Resolvi assinar porque talvez seja uma das poucas revistas femininas que fale da grandeza do universo feminino e não seja um passo a passo de como dominar seu homem na cama. A edição desse mês foi como a primeira vez que vi Ipanema. Não tem nada a ver, eu sei. Mas, é uma sensação de que tudo aquilo poderia ser escrito pra mim, pra eu ler em um salão com alguém falando sobre seus problemas com o marido ao fundo. Ipanema foi mais ou menos isso, eu mais ou menos já me sentia parte de tudo aquilo quando cheguei lá. Uma das matérias mais legais (difícil escolher) chamava “Tudo muito demais” e quis xerocar e deixar embaixo da porta de cada amiga minha. Era simples e falava sobre nossa visceralidade, sobre o nosso dilema em ser tantas ao mesmo tempo e sobre como a gente se autocrítica facilmente. Mas, uma coisa me chamou a atenção “Fazer drama, inclusive através do nosso vestuário, é a nossa vingança! Quando ocorre o drama é que soltamos os nossos fantasmas, os bichos, as inconsciências”. Achei isso tão verdadeiro e tão lindo que, além de me tornar uma leitora mais fiel, de bandeja ainda disse a moça: veste um vestido bem bonito e dá logo um pé na bunda do Maicon.

Perdi meu celular na rua. Cheguei em casa recitando o mantra “Lanna fazendo Lannices” e me culpando, muito, por ser assim tão desastrada. Uma pessoa em uma parada de ônibus achou e me devolveu. Se o meu mundo não é feito de cetim, eu não sei do que é. 

5 de junho de 2012

mirando


Liniers Animado - Bonjour: Un Ósculo Suyo from GAZZ.TV on Vimeo.



Liniers Animado - La Vaca Cinéfila from GAZZ.TV on Vimeo.

O Liniers só não mora no coração de quem não deixa.

“Pois é, não deu.”


Toda pessoa que faz a pergunta “e vocês?” não sabe que toda vez que escuto essa frase tenho vontade de arremessar uma garrafa na parede. Não porque a pergunta não faça sentido, mas porque existe uma aura de descrença, de “modernidade líquida”, de história de relacionamento raso que a gente comenta sem se aprofundar, porque eu teria que explicar muita coisa antes de ousar falar qualquer coisa sobre a gente. Toda pessoa que me faz essa pergunta não para pra pensar nas noites sem dormir, nos filmes que deixei de ver, nas músicas que deixei de ouvir, nos bares que deixei de me sentir feliz, nas ruas que não consigo passar, nos emails que escrevi aos amigos, nos porres que tomei pra esquecer. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que não existiu a cena de ir buscar as minhas coisas na casa dele porque já não existia mais o espaço que era só dele e que não era meu também. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que a gente dividia uma vida e o mesmo teto e que, como de praxe, era tempo dele fazer a mala e ir embora e ele foi e tudo mudou. Acho que perdi as contas das vezes que vi ele fazendo a mala e até hoje não gosto de malas, nem de aeroportos, nem de despedidas. Eu odeio todas as despedidas e acho que é por isso que não consigo dormir cedo. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que um dia fiz uma mala também, que fui embora, que por algum tempo esperei que ele viesse atrás de mim e ele não veio. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que ele só tinha uma mania chata e que essa mania era apertar a minha costela e aí eu estipulei que a quinta-feira era o único dia da semana que ele podia fazer isso. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que a gente se abraçou e comemorou quando chegamos ao final do Mario Bross 3 como se fosse final de copa do mundo. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que todo dia nós sentávamos no mesmo café ao lado da faculdade e que ele sacava um bloquinho e ficava desenhando e não me dava bola, mas que eu achava aquilo tudo tão bom e familiar que meu coração ficava tranquilo por saber que no dia seguinte nós estaríamos lá de novo, só que acabou a faculdade e ele deve continuar indo no mesmo café e eu não. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que as vezes ele só queria dormir, mas eu queria muito, muito, ir pra praia e ele ia e dormia e ficava com o nariz vermelho. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que ele foi a pessoa mais calma que já conheci e que ele não tentaria me convencer de nada, não por preguiça, mas porque “logo tudo se ajeita”, só que não se ajeitou. Toda pessoa que me faz essa pergunta simplesmente não sabe a estranheza que o olhar dele trazia quando apareceu aqui com um quadro nas mãos, quando eu chorei e quando ele disse que eu tinha que viver e que ele daria um jeito.  Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que minha mãe diz nascemos com um problema e que esse problema se chama “imediatismo”, ela diz que um dos motivos do meu pai ser o amor da vida dela é que ele sempre correspondeu ao sentimento “imediato” das vontades dela, e realmente aceito que tenho esse problema e que ele é genético, mas apostava que ele também poderia ser o amor da minha vida porque ele sentia quando eu ia ter uma crise e que as soluções saiam da minha alçada e, tranquilamente, em silêncio, levantava, pegava a bicicleta e milagrosamente resolvia os meus problemas. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que ele sentiria vergonha de mim porque tento ser uma pessoa boa, mas sou uma fraude, e porque mesmo sabendo que erro, sigo errando e ele nunca concordaria com os meus erros porque nem carne ele come porque alguém sofreu e ele não deixaria ninguém sofrer por uma vontade dele. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que dele cobrei tanto, fui tanto, senti tanto, ciúme, felicidade, amor e dor, que ele me odiaria se soubesse que sei ser diferente dessa intensidade toda. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que tudo que vier daqui pra frente parece tão pequeno perto da grandeza do coração dele, que inflava e se tornava um balão, que me levava e me oferecia um mundo, mesmo que o mundo fosse um quarto todo bagunçado e cheio de desenhos pelo chão que eu reclamava porque ele não cuidava, mas que não importava porque era nosso. 
Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe, nem nunca vai se interessar por saber, que nenhuma resposta seria simples. Toda pessoa que me pergunta “e vocês?” recebe um sorriso amarelo que vem sempre acompanhado da frase “pois é, não deu” e o pensamento: uma garrafa se explodindo na parede.

Uma vez ouvi que o tempo pra hemorragia de uma dor de amor é cerca de seis meses. Hoje li isso em um livro. Parei pra pensar e faz seis meses da última mala que vi ele fazer. Acho que chegou a hora. “Avisa que é de se entregar pro viver” e vamos lá.  



4 de junho de 2012

TÁ TUDO BEM EU TO TRANquila...

Passei e no corredor estavam duas amigas vendo um vídeo e eu parei pra olhar. Era o vídeo do Mil Casmurros e, mesmo sendo antigo, a gente se emocionou porque quem faz uma coisa dessas já pode morrer - e, olha, eu preciso comer muito arroz e feijão pra fazer uma coisa dessas e poder morrer. Daí voltei à problemática de fazer vinte e dois anos. Vinte e dois. Não é nem vinte, que me marcou porque eu mudava de década, nem vinte e cinco, que é mais poético. É uma idade que as pessoas geralmente não dão bola: "Ahhhh os meus vinte e dois". Daí, por ser uma idade meia boca comecei a pensar o que eu poderia fazer até a chegada do dia de completar vinte e dois anos. Pensei em coisas bobas que serviriam só pra sentir a idade passando mesmo. Vinte e dois. Pensei em ler as coisas que li quando adolescente pra ter aquela sensação de que eu não sabia nada (e que certamente vou ler com quarenta e dois e sentirei de novo), mas pra dar alguma importância aos vinte e dois, mesmo que seja só uma maturidade de mentira. Pensei em Dom Casmurro, por amor (e tanto que sempre disse que meu filho chamaria Bento, mas que não seria lunático, só exageradamente romântico porque o nome permitia) porque a gente se emocionou hoje, porque talvez me dê uma luz pra criar alguma coisa legal pra que pessoas legais parem no corredor e se emocionem. Os dias que antecedem meus vinte e dois anos (vinte e dois) serão assim: de amar o que já foi amado (pra amar diferente e sempre mais), de Bentinho e de ideias. Tá resolvido. Tô mais calma. 

Lembrei:
(a música que fechou com chave de ouro a série mais bonita que a televisão já produziu: Capitu)