8 de agosto de 2012
cadê a aventurice?
Hoje li uma frase que dizia: "cadê a aventurice?". Comecei a pensar sobre isso. Eu achava que se eu dissesse: VEM VAM'BORA! Receberia uma resposta do tipo: PARTIU, SIM'BORA! A VIDA É CURTA POR ISSO CURTA A VIDA! (tinha isso escrito com errorex no banheiro do meu colégio e eu achava incrível). Só que não é assim. Eu esqueci que o tempo passou e que agora as respostas demoram horas pra chegar. Esqueci que agora eu sou "Lanna". Será que a gente virou bunda? Careta? Que medo. Era o meu maior medo. Sempre foi, eu acho. Virar bunda. Vou ficar com isso na cabeça. Vou olhar um casal bunda e pensar que preferiria morrer a olhar assim pra gente. Vou olhar pra eles e pensar: se ele quisesse pular daquela cachoeira de novo, dessa vez eu deixaria, pularia junto, sei lá, não brigaria com ele porque ele pulou de uma ponte só com uma corda na cintura. Porque ele sempre foi meio maluco e se a gente virou bunda a culpa foi toda minha. A culpa foi toda minha. De tudo. Mas, põe aí na mochila grande toda nossa aventurice e vam'bora.
26 de julho de 2012
25 de julho de 2012
24 de julho de 2012
café pra um
Tem uma música da Nina Becker que fala de saudade e que diz "meu café tem gosto horrível". Eu também descobri que o meu café é horrível e eu não consigo lembrar qual era a marca que tu comprava, nem quantas colheres tu colocava, nem quanto tempo tu deixava passando. Eu não sei no que eu tava prestando atenção em todas as vezes que tu passou café, mas devia ser alguma bobagem. Acho que pro resto da vida eu vou tomar "café do padre" (vou seguir levando todos os ingredientes à mesa nos almoços de domingo lá na mãe) e a minha casa não vai ter cheirinho de café passado. Ou, pode ser que um dia eu, simplesmente, consiga. Vai ser um grito de independência. Vou te mandar uma mensagem: "hoje tenho certeza que tô sabendo me virar sozinha". Mas, ainda não sei se vai ser um dia bom ou um dia ruim.
23 de julho de 2012
18 de julho de 2012
take it easy my brother
Quando eu cheguei aqui não pensei muito sobre a logística de certas coisas. O plano era o seguinte: eu acordaria atrasada, colocaria meus fones, me despencaria pro trabalho, no caminho amaria a cidade mais um pouco, na volta passaria no super, iria pra casa, colocaria água nas plantas, escreveria umas bobagens, faria umas comidinhas e viveria a minha vidinha. Tava tudo feito, tava tudo perto e não tinha muita chance de erro (porque se tiver que dar errado vai dar errado comigo, é meu estilo de vida). Só que domingo ocorreu o choque da desordem. Eu fiquei doente. Em seis meses eu tive a minha primeira grande crise de gastrite. Daquelas. Pra acabar comigo. Pra dar um tapa na cara da ordem da desordem da minha vida. Fazia tempo que isso não acontecia. Acho que eu aprendi a viver com a gastrite e ela aprendeu a viver comigo. Eu fumava, eu tomava café e coca-cola. Ela me dava um alô quando eu ultrapassava no nervosismo. E, "assim íamos vivendo em paz". Desde domingo ela rompeu comigo como uma Amélia enfurecida. E agora... eu não sabia o que fazer. O Omeprazol não bastou, a Magnésia não bastou, comer de hora em hora não bastou, dormir igual um caracol não bastou, deitar no chão da sala e acender incensos não bastou. Fui pro google procurar por "hospitais", perguntei aos amigos, fiz o auê necessário. "Onde tem pronto atendimento nessa porra?". A essa hora eu já odiava tudo que fugia do meu controle e, em transe, me imaginava arrancando a cabeça do segurança da Unimed que me avisava: "aqui fecha às 19h, moça". Daí, eu chorei. Chorei porque "queria a minha mãe", chorei porque eu, em sonho, podia sentir o Omeprazol+Buscopan entrando na minha veia com sorinho e cama de hospital e chorei porque o ônibus tava demorando pra cacete. Passei no super, comprei pão, voltei pra casa, coloquei água nas plantas e em forma de caracol escrevi umas bobagens. No meio disso tudo eu dormi. Acordei hoje sem dor. Atrasada. Mas, sem dor. No meio disso tudo... passou. Acho que era um aviso. "Take it easy my brother". Eu prometi que passaria a semana sem café e não fumo há exatos 13 dias. Voltamos a nos dar bem. Voltamos a viver em paz. E, hoje no caminho pro trabalho voltamos a amar a cidade.
9 de julho de 2012
hay que llorar y jamás perder la ternura
Quando tô cansada eu choro. Não brigo com ninguém, não xingo ninguém, não reclamo pro vizinho que ele não tranca a porta do prédio e, de olhar marejado, sigo batendo papo com a caixa do supermercado que ouve meus problemas amorosos. Entro no banho e choro. Sento na cama e choro. Dobro algumas roupas e choro. Mas, passa rápido. É um choro só pra extravasar mesmo, só pra sensação de "dor do mundo" (que eu inventei) ir embora de mim. Daí a dor vai embora e fica só o sono mesmo. Durmo, acordo e nem lembro porque tô com a maquiagem borrada. Acho que se as pessoas aderissem a essa terapia nós teríamos um mundo com menos acidentes de carro e atendentes de loja de mal com a vida. Taí, vou lutar por um mundo em que as pessoas chorem mais.
6 de julho de 2012
2 de julho de 2012
sobre poesia e sorte
"Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi"
O Oswaldo de Andrade disse isso e eu fico pensando: o que será que ensinei pra vocês? Porque eu poderia ficar só ouvindo e aprendendo. Tenho vontade de ficar invisível pra ver como vocês tão levando a vida sem a gente, numa casa sem grito, sem bagunça, sem cabelo no chão e com um neto. Queria ficar olhando e aprendendo durante um tempão. Queria olhar e aprender como é levar essa vida torta e sem projeto que, entre tangos e barrancos, rega a felicidade há tanto tempo. Porque alguém que nasceu do maior amor do mundo deveria ser só aprendizado. Tenho vontade de sair de fininho e deixar um bilhete: "Aprendi com vocês que a poesia é a descoberta de todas as coisas que vi aqui". E, com uma nota de rodapé: "Espero que os meus filhos tenham a mesma sorte".
29 de junho de 2012
28 de junho de 2012
27 de junho de 2012
26 de junho de 2012
pra não esquecer que tive uma ideia
Coloquei meu colchão na "sala" e resolvi dormir no chão. Não sei, talvez pra ver a casa por uma outra perspectiva. De visita, talvez, sei lá. Espalhei todas as coisinhas que peguei no final de semana, jornais, folhetos, flyers (que a gente põe na bolsa e nunca mais vê) e li, anotei os cursos legais que queria fazer, as oficinas, os shows, coisa e tal (mas acho que vou esquecer de tudo). Li as revistas que comprei. E, no chão, acho que tive uma ideia. Acho que tive uma ideia e acho que vou convencer as minhas amigas a entrarem nessa comigo. Um projeto mulherzinha, nosso e debochado (sintoma ex-bbb que precisa sempre de um "novo projeto"). Se elas perguntarem o porquê dessa coisa toda eu vou começar assim: coloquem seus colchões na sala pra me ouvir...
a trilha do chão:
a trilha do chão:
25 de junho de 2012
21 de junho de 2012
das notícias
(ouvi essa música umas 876 vezes hoje)
Tô me "amarrando" no livro que tô lendo. Era pra ser uma revolução na praia, mas foi em mim mesmo. Tô com uma nova que são as gírias desse livro, do tipo "fundir a cuca", tô curtindo "pacas". Tô escrevendo muito num caderno que ganhei. Era pra ser um presente normal, mas virou um porta-desabafos que levo na bolsa (antes eu escrevia em um monte de caderninhos que sempre acabava perdendo, lembra? Um dia eu vou colocar vários desses pensamentos no blog, eu gosto do blog, curto ler algumas coisas que eu escrevia em outros tempos). E, ah, eu vou falar muito sobre esse livro ainda. Tô querendo começar um curso de arte. Era pra voltar a desenhar, sinto saudade das aulas de modelo vivo, eu achava a maior "onda". Tô ansiosa e quero pintar a minha casa de "azul ideal", eu vou pintar um metro quadrado de parede e vou ficar com preguiça. Era pra dar uma mudada no clima, um alto astral, cansei do cheiro de incenso, mas não sei se vai dar certo. Tô muito feliz que as malucas tão chegando por aí, tá rolando um monte de exposição "maneira" e a Laurinha quer fazer uma sessão de fotos, a Erika vem tirar o visto pra "dar no pé" e ir pra Portugal e a Paula já trouxe mala e cuia. Todo mundo tá sempre um pouco "indo", né? "Bicho, que maluquice isso". Tô aí. Não sei por onde tu anda, mas achei que deveria mandar notícias. Um beijo
14 de junho de 2012
22 + todo o resto
Fiz aniversário e não ganhei nenhuma ruga, não fiquei com dor nos joelhos e (infelizmente) não me tornei uma pessoa mais tranquila. Recebi um bocado de abraços, muitas mensagens, uma penca de ligações, vários presentes, algumas festas, um bolo em formato de coração e muito carinho. Vinte e dois. Os vinte, daquela comemoração que encasquetei que não tinha roupa pra ir e fui vestindo uma camiseta velha do Strokes, que a gente tomou um porre e bebeu água da torneira de um posto de gasolina e que cheguei com a camiseta toda suja, mais dois. Os dezoito, mais quatro. Os dez, mais doze. Os dois, mais vinte. Vinte e dois. Fiz aniversário e não cresci. Mas, me senti como quando a gente tá indo pro Uruguai e em determinado momento a estrada vira uma pista de vôo. Acho que é isso. Vinte e dois mais uma pista de vôo. Vinte e dois mais uma vida inteira pela frente.
11 de junho de 2012
9 de junho de 2012
Reflexões de uma gripe
“Tá tocando Jota Quest,
fica tranquila e vê se melhora”. Recebi essa mensagem a uma da manhã, de uma
amiga que sabia que eu só queria estar bem e ouvindo música boa. Sai do
trabalho saltitante, coloquei meus fones, voei em casa, peguei minha mala e fui
direto ao encontro dos meus amigos. Só que deu tudo errado. Foram três horas e
meia de muito sofrimento. O moço que sentou do meu lado já não sabia se me
acudia, se me oferecia uma água ou se só me garantia que ia ficar tudo bem
mesmo. Levanta, senta, caminha pelo ônibus, dói aqui, dói ali e um mal estar
que nunca ia embora. Nisso, baixinho, eu já recitava: “descansem o meu leito
solitário, na floresta dos homens esquecida, à sombra de uma cruz e escrevam
nela: foi poeta, sonhou e amou na vida”. Tá, não foi dessa vez que eu morri e
eu nunca fui poeta. Era só gripe mesmo ou o tal “rotavírus”, seja lá o que isso
for. Ou, de acordo com o Seu Jeco: “isso é o frio que tu tens passado, nunca vi
sair de casa pra passar frio”. Perdi o samba, mas ganhei a história sobre o
junho mais gelado que meus pais já vivenciaram: o tal de 1990. Perdi o samba, mas
ganhei a possibilidade de ver o documentário do Woody Allen no Telecine Cult (saudoso
Telecine Cult) e seguir com o meu preconceito. Perdi o samba, mas meu drama
acarretou um belo fogo na lareira e muito mimo. Fiquei tranquila, e ó, desse
jeito vai ser facinho melhorar.
Acordei sem força nem pra caminhar, mas tinha compromissos a
serem compridos. Bobagem. O compromisso era comigo mesmo e poderia facilmente
ser adiado. Mas, não. “Levanta, bamboleia, sacode a poeira e vai pro dia de
beleza que tu tinhas marcado”, foi o que minha consciência me disse, e eu, em
um ato difícil de ser visto, escutei. Lá estava a doente, sentada em frente ao
espelho, ouvindo que o Maicon não valoriza a fulana, que o Kléber só sabe olhar
pro seu próprio umbigo e pensando: gente, que tal uma marcha pelos novos
assuntos no salão? Peguei minha revista e parei de dar pitacos nos
relacionamentos alheios. Eu assino a Lola há um tempão, só que leio sempre com
um delay porque chega na casa da minha mãe e tenho preguiça de pedir pra mudar
o endereço. Resolvi assinar porque talvez seja uma das poucas revistas femininas
que fale da grandeza do universo feminino e não seja um passo a passo de como
dominar seu homem na cama. A edição desse mês foi como a primeira vez que vi Ipanema.
Não tem nada a ver, eu sei. Mas, é uma sensação de que tudo aquilo poderia ser
escrito pra mim, pra eu ler em um salão com alguém falando sobre seus problemas
com o marido ao fundo. Ipanema foi mais ou menos isso, eu mais ou menos já me
sentia parte de tudo aquilo quando cheguei lá. Uma das matérias mais legais
(difícil escolher) chamava “Tudo muito demais” e quis xerocar e deixar embaixo
da porta de cada amiga minha. Era simples e falava sobre nossa visceralidade,
sobre o nosso dilema em ser tantas ao mesmo tempo e sobre como a gente se autocrítica
facilmente. Mas, uma coisa me chamou a atenção “Fazer drama, inclusive através do
nosso vestuário, é a nossa vingança! Quando ocorre o drama é que soltamos os
nossos fantasmas, os bichos, as inconsciências”. Achei isso tão verdadeiro e
tão lindo que, além de me tornar uma leitora mais fiel, de bandeja ainda disse
a moça: veste um vestido bem bonito e dá logo um pé na bunda do Maicon.
Perdi meu celular na rua. Cheguei em casa recitando o mantra “Lanna
fazendo Lannices” e me culpando, muito, por ser assim tão desastrada. Uma
pessoa em uma parada de ônibus achou e me devolveu. Se o meu mundo não é feito
de cetim, eu não sei do que é.
5 de junho de 2012
mirando
Liniers Animado - Bonjour: Un Ósculo Suyo from GAZZ.TV on Vimeo.
Liniers Animado - La Vaca Cinéfila from GAZZ.TV on Vimeo.
O Liniers só não mora no coração de quem não deixa.
“Pois é, não deu.”
Toda pessoa que faz a pergunta “e vocês?” não sabe que toda
vez que escuto essa frase tenho vontade de arremessar uma garrafa na parede. Não
porque a pergunta não faça sentido, mas porque existe uma aura de descrença, de
“modernidade líquida”, de história de relacionamento raso que a gente comenta
sem se aprofundar, porque eu teria que explicar muita coisa antes de ousar
falar qualquer coisa sobre a gente. Toda pessoa que me faz essa pergunta não
para pra pensar nas noites sem dormir, nos filmes que deixei de ver, nas
músicas que deixei de ouvir, nos bares que deixei de me sentir feliz, nas ruas
que não consigo passar, nos emails que escrevi aos amigos, nos porres que tomei
pra esquecer. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que não existiu a
cena de ir buscar as minhas coisas na casa dele porque já não existia mais o
espaço que era só dele e que não era meu também. Toda pessoa que me faz essa
pergunta não sabe que a gente dividia uma vida e o mesmo teto e que, como de praxe, era
tempo dele fazer a mala e ir embora e ele foi e tudo mudou. Acho que perdi as
contas das vezes que vi ele fazendo a mala e até hoje não gosto de malas, nem
de aeroportos, nem de despedidas. Eu odeio todas as despedidas e acho que é por
isso que não consigo dormir cedo. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe
que um dia fiz uma mala também, que fui embora, que por algum tempo esperei que
ele viesse atrás de mim e ele não veio. Toda pessoa que me faz essa pergunta
não sabe que ele só tinha uma mania chata e que essa mania era apertar a minha
costela e aí eu estipulei que a quinta-feira era o único dia da semana que ele
podia fazer isso. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que a gente se
abraçou e comemorou quando chegamos ao final do Mario Bross 3 como se fosse
final de copa do mundo. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que todo
dia nós sentávamos no mesmo café ao lado da faculdade e que ele sacava um
bloquinho e ficava desenhando e não me dava bola, mas que eu achava aquilo tudo
tão bom e familiar que meu coração ficava tranquilo por saber que no dia
seguinte nós estaríamos lá de novo, só que acabou a faculdade e ele deve continuar indo no mesmo café e eu não. Toda pessoa que me faz essa pergunta não
sabe que as vezes ele só queria dormir, mas eu queria muito, muito, ir pra
praia e ele ia e dormia e ficava com o nariz vermelho. Toda pessoa que me faz
essa pergunta não sabe que ele foi a pessoa mais calma que já conheci e que ele
não tentaria me convencer de nada, não por preguiça, mas porque “logo tudo se
ajeita”, só que não se ajeitou. Toda pessoa que me faz essa pergunta simplesmente
não sabe a estranheza que o olhar dele trazia quando apareceu aqui com um
quadro nas mãos, quando eu chorei e quando ele disse que eu tinha que viver e
que ele daria um jeito. Toda pessoa que me
faz essa pergunta não sabe que minha mãe diz nascemos com um problema e que
esse problema se chama “imediatismo”, ela diz que um dos motivos do meu pai
ser o amor da vida dela é que ele sempre correspondeu ao sentimento “imediato”
das vontades dela, e realmente aceito que tenho esse problema e que ele é
genético, mas apostava que ele também poderia ser o amor da minha vida porque ele
sentia quando eu ia ter uma crise e que as soluções saiam da minha alçada e,
tranquilamente, em silêncio, levantava, pegava a bicicleta e milagrosamente
resolvia os meus problemas. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que ele
sentiria vergonha de mim porque tento ser uma pessoa boa, mas sou uma fraude, e
porque mesmo sabendo que erro, sigo errando e ele nunca concordaria com os meus
erros porque nem carne ele come porque alguém sofreu e ele não deixaria ninguém
sofrer por uma vontade dele. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que
dele cobrei tanto, fui tanto, senti tanto, ciúme, felicidade, amor e dor, que
ele me odiaria se soubesse que sei ser diferente dessa intensidade toda. Toda pessoa que me faz essa pergunta não sabe que tudo que vier daqui pra frente parece tão pequeno perto da grandeza do coração dele, que inflava e se tornava um balão, que me levava e me oferecia um mundo, mesmo que o mundo fosse um quarto todo bagunçado e cheio de desenhos pelo chão que eu reclamava porque ele não cuidava, mas que não importava porque era nosso.
Toda
pessoa que me faz essa pergunta não sabe, nem nunca vai se interessar por
saber, que nenhuma resposta seria simples. Toda pessoa que me pergunta “e
vocês?” recebe um sorriso amarelo que vem sempre acompanhado da frase “pois é,
não deu” e o pensamento: uma garrafa se explodindo na parede.
Uma vez ouvi que o tempo pra hemorragia de uma dor de amor é
cerca de seis meses. Hoje li isso em um livro. Parei pra pensar e faz seis
meses da última mala que vi ele fazer. Acho que chegou a hora. “Avisa que é de
se entregar pro viver” e vamos lá.
4 de junho de 2012
TÁ TUDO BEM EU TO TRANquila...
Passei e no corredor estavam duas amigas vendo um vídeo e eu parei pra olhar. Era o vídeo do Mil Casmurros e, mesmo sendo antigo, a gente se emocionou porque quem faz uma coisa dessas já pode morrer - e, olha, eu preciso comer muito arroz e feijão pra fazer uma coisa dessas e poder morrer. Daí voltei à problemática de fazer vinte e dois anos. Vinte e dois. Não é nem vinte, que me marcou porque eu mudava de década, nem vinte e cinco, que é mais poético. É uma idade que as pessoas geralmente não dão bola: "Ahhhh os meus vinte e dois". Daí, por ser uma idade meia boca comecei a pensar o que eu poderia fazer até a chegada do dia de completar vinte e dois anos. Pensei em coisas bobas que serviriam só pra sentir a idade passando mesmo. Vinte e dois. Pensei em ler as coisas que li quando adolescente pra ter aquela sensação de que eu não sabia nada (e que certamente vou ler com quarenta e dois e sentirei de novo), mas pra dar alguma importância aos vinte e dois, mesmo que seja só uma maturidade de mentira. Pensei em Dom Casmurro, por amor (e tanto que sempre disse que meu filho chamaria Bento, mas que não seria lunático, só exageradamente romântico porque o nome permitia) porque a gente se emocionou hoje, porque talvez me dê uma luz pra criar alguma coisa legal pra que pessoas legais parem no corredor e se emocionem. Os dias que antecedem meus vinte e dois anos (vinte e dois) serão assim: de amar o que já foi amado (pra amar diferente e sempre mais), de Bentinho e de ideias. Tá resolvido. Tô mais calma.
Lembrei:
(a música que fechou com chave de ouro a série mais bonita que a televisão já produziu: Capitu)
30 de maio de 2012
lembrete
Dormi rindo e tentando lembrar que raio de música dizia que a felicidade era cheia de sono. Lembrei no caminho para o trabalho. Lembrei que gosto muito do Tom Zé e que deveria dar mais bola pra ele. Lembrei que desde que eu vi o Pignatari falar pertinho de mim sempre quis saber mais sobre o concretismo, mas sempre tive preguiça. Quando eu comprar um som pra colocar na "sala" vai tocar Tom Zé. Vai ter felicidade, vai ter poesia concreta... E vai ter sono.
28 de maio de 2012
que seja em Satolep
A primeira vez que minha mãe viu meu pai, cabeludo, entrando na porta da Boate do Direito. Um amigo que em meio a um longo relacionamento confessava já não saber onde o amor tinha ido parar. Uma avó que depois de muito velhinha recebeu um telefonema do grande amor da adolescência abandonado em Montevideo. A amiga encantada com o novo amor que tem jeito de "homem da vida", mas que apareceu em uma hora inoportuna. A outra amiga de coração partido que dramatiza e se diz metade morta. O outro que se diz "agora completo". A outra que voltou pra ouvir "Peito Vazio" porque "é bom sofrer um pouquinho". O outro que defende que pra amar tem hora e que de preferência seja tarde. O outro que sabe que é "só uma fase".
Eu que falo muito, nesse final de semana parei pra ouvir. Ouvi e vi o amor multifacetado. Cheguei a conclusão que Satolep se propõe ao amor mais que as outras cidades. Satolep se propõe mais aos mil modos de sofrer porque é tão bonito e combina muito com o art nouveau. Cheguei a conclusão que a piada com Paris não tem tanta graça porque seria melhor se fosse "se for pra sofrer, que seja em Satolep".
É, se for pra sofrer... que seja em Satolep.
22 de maio de 2012
"sem nome"
O Xico escreveu hoje e lembrei de uma coisa que tinha escrito meio embriagada pra uma amiga:
Uma vez em um avião me apaixonei por um cara. Mentira, não foi no avião. Foi naquele ônibus que leva a gente pra pegar o vôo. Senti, por cerca de quinze minutos, muita vontade de ter ele por perto. Engraçado porque essa história deve fazer uns três anos e o nosso papo foi sobre “cidade”, assunto que virou minha pauta nos últimos tempos. Eu ia pra um congresso em São Paulo e ele só iria até lá pra buscar algumas coisas e trazer para Porto Alegre, ele era gaúcho e ia voltar de “mala e cuia” para cá. Eu não lembro o nome dele, mas lembro que ele sentou do meu lado assobiando “A Rosa” do Chico e isso meio que bastou. Já respeito quem assobia. Agora... Assobiar uma das minhas músicas preferidas em um ônibus de aeroporto (“amor no não-lugar” daria um bom título) pedia que a gente conversasse. Ele puxou papo comigo perguntando se eu era arquiteta e um xalála engraçadinho. Mas aí dividiu comigo um pensamento que eu achei interessante. Ele disse que as pessoas ficam com cara de vácuo no aeroporto e eu só tive que concordar. Respondi que alguém no aeroporto não tá nem no lugar de onde veio, nem no lugar pra onde vai, devia ser por isso o vácuo que ele sentia (raciocínio meio lógico, me senti meio burra depois). Falamos sobre as diferenças entre São Paulo e Porto Alegre (como se eu soubesse alguma coisa demais de qualquer uma delas), porque ele tinha decidido voltar e sobre o espaço do amor nessas cidades. Ele desceu do ônibus assobiando. E, eu pensei que nunca daria mais de quinze minutos para que alguém me conquistasse. Burlei essa regra muitas vezes, mas pensei.
Mas, isso é só uma introdução pro acontecimento de hoje. Em uma roda de conversa feminina a reclamação era uma só: “O que está acontecendo com os homens?”. “A coisa tá difícil”, “Meu ex virou gay”, “Ele pedia para usar os meus cremes”, foram frases recorrentes na conversa e eu "dele" a concordar. Enquanto as reclamações surgiam e a minha gastrite começava a dar sinais de pânico, pensei: “Xi, não é a primeira vez que eu escuto isso aqui em Porto Alegre, a coisa deve estar feia mesmo”.
Mas, deduzi: É TUDO CULPA NOSSA. É verdade. É tudo culpa nossa. Que me perdoem as feministas, nós transformamos os homens em um porre. Bem vestidos e desinteressantes.
Foram tantas reclamações das peladas de domingo, do jogo de futebol na TV, da tampa da privada levantada, da calça de moletom rasgada, do violão na madrugada, dos amigos malas que só falam de mulher, das noitadas... Que de “Amélia”, nós passamos a ser “As malas”. Nós transformamos esse tipo de cara comum (e bom, na minha humilde opinião) em uma ameaça ao nosso novo padrão de vida: mulher linda e independente que chega em casa e não quer tampinhas de cerveja pelo chão. A gente reclamou tanto... Mas tanto... Que de tanto reclamar os homens, como bons homens, atenderam. Ficaram modernos, alinhados, antenados, vaidosos... E chatos.
O homem comum está em extinção. O homem que não sabe que grife nós estamos vestindo (me inclui no time que usa grife), que tem vergonha de tirar fotos de si, que usa um tênis velho até alguém obrigá-lo a comprar outro, que bebe bebida alcoólica durante a semana, aquele que nosso amigo gay não fica em dúvida, minha cara, está em extinção. E, isso é nossa culpa. Entre tanta caretice da vida pós-moderna a caça ao homem comum começou a já está desenfreada.
Lembro que uma vez ri muito daquele programa em que a personagem dizia "eu só quero um cara mais ou menos pra chamar de meu". Eu tô achando isso mais genial ainda porque esse homem "mais ou menos" vai ser o mais disputado nos novos tempos. Vão exister músicas sobre ele. Programas de televisão "QUERO QUE MEU HOMEM VOLTE A ASSISTIR FUTEBOL". E muito mais.
O outro tal, o novo tipo de homem que ainda não tem nome (o que os amigos ficam em dúvida) transformam suas mulheres em espelhos (porque Narciso acha feio o que não é espelho) e aí vai ficando todo mundo meio sem cara. E, tem babaquice maior que essa? Só que essa babaquice só tende a emputecer mais mulheres a cada dia.
O que isso tudo tem a ver? Tem a ver que eu raciocinei uma teoria que pode valer milhões. Se uma mulher vê um cara fazendo alguma coisa legal sem ser pra se exibir pra ela... Existe grande probabilidade desse cara ser um tão desejado "mais ou menos". Nada de xeretar redes sociais, nada de quebrar a cabeça para descobrir quem são os amigos em comum, nada disso. O homem "mais ou menos" não dá bandeira, não precisa de um espelho ou foto do restaurante onde foi. E aí entra o cara do aeroporto. Ele nunca podia desconfiar que sentada ao lado dele tinha uma fã do Chico e que repararia nele só pelo fato de assobiar "A Rosa". Mas, ele fez. Porque era ele de verdade. Sorte, né? Eu podia ter tido esse raciocínio antes, teria acalmado algumas mulheres estéricas.
Rezemos para que existam muitos dos tais espalhados por aí.
21 de maio de 2012
futuro
Nunca imaginei que chegaria o dia em que teria coragem de pendurar o quadro que ganhei de ti na parede de uma casa que fosse minha e não nossa. E em cada martelada na minha parede exorcizei a necessidade de que toda parede fosse nossa e não minha. E, sentei na sala e fiquei olhando aquele quadro olhando pra mim e chorei. Chorei por mim, por "você", por nós, por acreditar que amor abandonado é o mais triste dos amores. Nunca imaginei que chegaria o dia em que não conseguiria falar contigo só pra dizer que tinha, enfim, pendurado o quadro que ganhei de ti e que nunca imaginei que ficaria em uma parede que fosse só minha e não nossa. Mas, os tais dias chegaram. Resta saber como lidar com eles.
17 de maio de 2012
lição de vida em 1 minuto
- Eu tinha ligado só pra dizer que te amo.
- Tá, valeu, agora te aqueta e vai dormir.
16 de maio de 2012
juntos
Pensei muito tem ti Principito e escolhi a dedo um cd
pra gente ouvir quando eu chegar. O teu vovô, que é o meu papai, falava muito
desse disco. Chama “Os Saltimbancos” e é de uma peça de teatro que conta a
história de amigos que são muito amigos (se alguém apresentar ela de novo eu
prometo te levar). Tudo isso, peça e
disco, é de um cara que eu espero que tu goste quando crescer. O teu vovô canta
todo dia alguma música dele, mas quando eu tinha o teu tamanho morria de medo
de uma que chamava “Geni” e ele insistia em cantar (acho que até hoje eu fico
meio angustiada quando escuto). Bem que na época tu já podia tá entre a gente
pra dizer “Ei, para vovô”.
Nesse tal disco sobre os amigos tem uma música que chama “Todos juntos”, assim como te ensinei um dia e tu aprendeu rapidinho:
- Principito, como a gente tem que andar na rua?
- Juntos.
É... Na música diz que juntos nós somos mais fortes. E eu me sinto assim quando tu fica do meu lado ou quando vem correndo puxando a minha mão e dizendo sem parar:
- Tia, tia, tia, tia, tia...
Eu acho que tu ainda é muito “ito” pra entender a diferença que fez nas nossas vidas e do quanto a gente ficou forte depois que tu apareceu. Deve ser porque todo o nosso amor se ilumina e cresce a cada chegada tua. Até o vovô que é de muito carinho, mas pouco abraço, fica logo abraçando todo mundo. Todos juntos somos mais fortes agora porque, no fundo, a gente já tava te esperando há um tempão e não sabia mais onde colocar tanto amor. Ainda tem um montão de gente por vir aí, mas aí é tu quem vai mostrar os discos legais pra eles e o amor vai se multiplicar cada vez mais.
-Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, não há nada pra temer, ao meu lado há um amigo que é preciso proteger.
E não vejo a hora de chegar, não vejo a hora de te proteger, não vejo a hora da gente fazer a coisa que mais sabe: ficar junto.
Nesse tal disco sobre os amigos tem uma música que chama “Todos juntos”, assim como te ensinei um dia e tu aprendeu rapidinho:
- Principito, como a gente tem que andar na rua?
- Juntos.
É... Na música diz que juntos nós somos mais fortes. E eu me sinto assim quando tu fica do meu lado ou quando vem correndo puxando a minha mão e dizendo sem parar:
- Tia, tia, tia, tia, tia...
Eu acho que tu ainda é muito “ito” pra entender a diferença que fez nas nossas vidas e do quanto a gente ficou forte depois que tu apareceu. Deve ser porque todo o nosso amor se ilumina e cresce a cada chegada tua. Até o vovô que é de muito carinho, mas pouco abraço, fica logo abraçando todo mundo. Todos juntos somos mais fortes agora porque, no fundo, a gente já tava te esperando há um tempão e não sabia mais onde colocar tanto amor. Ainda tem um montão de gente por vir aí, mas aí é tu quem vai mostrar os discos legais pra eles e o amor vai se multiplicar cada vez mais.
-Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, não há nada pra temer, ao meu lado há um amigo que é preciso proteger.
E não vejo a hora de chegar, não vejo a hora de te proteger, não vejo a hora da gente fazer a coisa que mais sabe: ficar junto.
"da janela de copacabana"
(o possível motivo da desistência)
Ando com a ideia fixa de parquet claro e sol entrando, uma parede branca, uma cortina transparente que voa e deixa ver um monte de planta, aquele quadro com um pedaço do Inutensílio do Leminski e o Baden Powell correndo. Tenho vergonha de ter parado de desenhar porque meu pai se orgulhava de mim, me dava coisas pra desenhar, me pagava cursos de desenho, mostrava um pierrot que eu tinha desenhado com uns 5 anos pra todo mundo. Um dia eu parei. Hoje eu queria desenhar essa ideia fixa pra poder comparar depois com as vontades que eu vou ter daqui a muito tempo, porque antes tinha ele cochilando com a camiseta suja de tinta no sofá vermelho de pé palito e eu nervosa porque ia sujar e aí ele sumiu. Devia dar pra tirar foto de ideia. Assim a gente arquivava tudo e não tinha medo de se perder. Como agora.
15 de maio de 2012
pra amar e guardar
"A cada dia me convenço mais do quanto eu sou abençoada pela vida. Eu tenho amigos - dos melhores. Daqueles que regam com amor, atenção, bom humor, carinho e sinceridade (mesmo que não seja tão doce) tudo o que plantamos juntos. É um laço sublime, límpido e puro. Ouço dizer que é difícil ter um amigo, "nos dias de hoje". Mas, pra contrariar essa teoria, eu tenho vários. Não digo que são muitos, mas diversos. Em forma, espírito e tempero. E, mesmo tão distintos, todos tem em comum um par de braços sempre abertos pra mim. Amém! Se hoje faço falta é porque eu trouxe um pouquinho de cada um de vocês comigo. Ei, Neneca, eu tô quase. Enquanto isso, coloca uma música bem brega pra me esperar."
Tive o prazer de ler isso hoje cedo. Em tempos de "Amor Líquido" somos do grupo que adora acordar de ressaca.
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