Teu contrário me agrada, me transborda de contentamento, luxúria, avareza. Despertas em mim os pecados impuros de uma alma arrebatada de sentimentos melancolicamente alegres. Tu és o pretexto da minha felicidade e do meu orgulho.
Dizer que és direita e eu esquerda, que és o silêncio e eu o esparro, és a noite e eu amanhecer, enche-me de interesse sobre como desta tua figura tão avessa formas um desenho tão propicio. Encontras em mim o espaço para tuas histórias ocultas e me ofereço em branco para fazer parte dos teus pensamentos extra-normais.
És o negro reflexo dos meus olhos, abarrotados de benignidade por ti, o avesso do que sempre quis, e no entanto, o que sempre fará de mim o oposto imprescindível.
8 de maio de 2007
Ying-Yang
2 de maio de 2007
Sobre o cansaço

Tenho vontade de tirar férias. Férias de meus trejeitos, trajetos, minhas manias, cobranças, idéias formadas, reclamações, espelhos. De meu quadrado, minha alcova, minha vida. Arremessar tudo para o alto, dormir até doer a base, rir até a barriga dizer chega.
Férias de tudo que me desgasta, me atormenta, me desassossega. Comer chocolate, tomar café, não me preocupar com a saúde. Férias desta imagem, de tudo que ditame lógico, estético.
Férias de mim mesma.
“Tá difícil ser eu sem reclamar de tudo. Passa nuvem negra, larga o dia, e vê se leva o mal que me arrasou pra que não faça sofrer mais ninguém. Esse amor que é raro e é preciso pra nos levantar me derrubou, e não sabe parar de crescer e dor. Não adianta me ver sorrir, espelho meu, meu riso é seu, eu estou ilhada."
Nana Cayme
24 de abril de 2007
Avante Cavalaria

Não pode ser. Pois é.
Com tantas bandas de repertório pobre, que não passam mensagem alguma para seus admiradores podendo ter seu fim, por quê logo minha favorita? São tantos anos, tantas letras, tantos sentimentos. Até mesmo em uma conversa de botas batidas podemos perceber a magnitude e inteligência dos homens que fazem, dessa, a melhor de todas. O despojamento, a sagacidade e a humildade recheada de malícia.
Porém ainda é cedo para despedidas, o adeus você fica para mais tarde, na esperança do adiamento desta tristeza para mim, e com certeza, para música popular brasileira.
É morena. É brabo.
10 de abril de 2007
Cena final

É hora de localizar minhas pernas e seguir. Acoplado a este ar que ausenta-se de meus pulmões sinto esvair-se o mundo que transportava nas costas, aquele idealizado com exércitos e fortificação. A sensação de avaria, por espantoso que possa parecer, não me atenua, e sim, mostra-me horizontes abrangentes distantes destes bosques.
Chegada a hora de fechar-se as cortinas agradeço ao público que conservou-se até o final do espetáculo e vou-me embora com o coração abandonado e um sorriso nos lábios.
Imediatamente, ao dar início a minhas percepções sobre o amor, escrevo com os olhos acesos, a esperança de uma nova história. Em novo parágrafo, novo filme.
9 de abril de 2007
Uma rua chamada pecado

Definiu-se bem como o labirinto das emoções outra vez ocultas, seu coração, ao final desse, assemelha-se a um troféu. A batalha vencida contra sua inteligência, os milhões de caminhos vagos que o faz distante de nós.
8 de abril de 2007
Depois faz frio

É nestas horas que me descompasso, que me desfaço, me arrebento. Entro em desavença, desafino, mudo de vontades, perco o rumo. Minhas idéias tornam-se ponto de encontro aos pensamentos desesperados jogados na sarjeta.
Estar só à mim significa os gritos de uma mente em parafusos, um coração as avessas. Não podendo fugir, preso a certeza de que é baldio estar entre almas penadas, abarrotadas de vento e magnificência inútil. Solidão, qualquer que seja, é a guerra entre coração e cérebro.
7 de abril de 2007
Sobre Amelie
6 de abril de 2007
Sobre José

5 de abril de 2007
Lixo Limpo

4 de abril de 2007
O médio amor do mundo
Fica a dica “O maior amor do mundo”, vale a locação. Repito: A locação.
27 de março de 2007
A face do que vejo
Há quem duvide. Há quem diga que esta não esta correta. Há quem escreva sobre a mulher de sua vida. Há quem a tem em pensamento.
No entanto, há quem apenas a crie em personagem, quem prende-se somente na intenção poética, no papel. E o que acontece com a mulher real?
Aquela que não é culta o bastante, mas que o faz sorrir, que o alegra, que entende como ele possa estar estressado com os problemas do dia-dia (e de alguma forma mágica os extermina). Aquela que não é bela o bastante, porém sabe como agradá-lo, além disso possui um jeito excepcional de tira-lo do sério de uma forma tão linda que encanta.
Onde há espaço para a mulher real? Que cozinha de avental vermelho, suja as mãos de farinha e sabe passar roupas?
Há eu – lírico que conheça?
26 de março de 2007
Brancalhone
Odeio dias cinza. Senti-me impotente, estúpida e irresponsável. O fato de o vestibular estar ali, no final deste ano, faz-me tremer, sabendo que todo o esforço não é válido diante das contas e fórmulas.
Pergunto-me então se é falta de QI ou/e nervosismo, não entendo como pode alguém ser tão estúpido em relação a algo tão imbecil.
No entanto, como, pergunto (á primeira alma de interesse) faz-se para passar em Medicina e mesmo assim, saber que esta não é a escolha que me faz ter certeza. A certeza de que eu estou no caminho certo, à opção correta para uma vida inteira. Se para esta existem fórmulas, fórmulas para não decepcionar meus pais e não seguir sendo como quem não tem “capacidade”. Senti-me limitada, menosprezada e além de tudo, sozinha.
E agora José?
Eu quero um abraço...
Aos livros!
22 de março de 2007
Arrepio
Por um momento sinto vontade de explicar o inexplicável, como quando sentimos os olhos de alguém aspirando os nossos, como quando a mão torna-se a pluma.
São estes, os pequenos detalhes, que me tornam um tanto quanto observadora.
Há quem repare em coisas banais, há quem importe-se com beijos. Já a mim interessa o jeito de sorrir, o magnetismo que existe entre as pessoas, se ele esta olhando, ou não. E então, o que importa são apenas os arrepios que estão por vir, e são estas pessoas que nos fazem penar, são estas que tiram-nos o chão. Das formas mais simples.
Peço atenção ás ocasiões deixadas para trás, e ao movimentos dos pêlos, todos, agradecendo por existir naquele momento.
No fone, o volume no máximo Coldplay
11 de março de 2007
Maria
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
Agente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim"
Chico - João e Maria
Sobre o acaso
Vou ouvir apenas com as mãos e reparar em qualquer tom do silêncio;
Faço um pacto de sangue – com o medo. Desejo que este me acompanhe até o final dos dias, na juventude e na velhice, para que assim ressalte toda e qualquer glândula sudorípara e me faça penar.
E se for por descaso do tempo que o faça parar - renego. E volto a fita.
Volto-o.
10 de março de 2007
E tira o som dessa tv, pra gente conversar...
Leitura obrigatória para o vestibular fez-me pensar além. Fiquei preocupada com a vida dos meus futuros filhos, e confesso que também com a minha. Como serão as coisas daqui a um certo tempo? Onde, entre mundo cibernético e fast-food, terão espaço os amores, as flores e as dores?
(Meu chá esta esfriando)
Restará lugar para as conversas de boteco, chimarrão no pôr-do-sol e desenho animado? Assim como eu, meus filhos trocarão a tv pela bicicleta? Brincarão de playmobil ao invés de Barbie? E como será a Barbie daqui a um tempo? Terá peito de silicone?
Complicado, tudo agora é tão banal, que talvez nem existirão brinquedos. Todos virão com cérebro já de opinião formada e com botões.
Bom, vou voltar ao chá enquanto ainda posso não enferrujar.
“Os beijos não são importantes.
No teu tempo nem haverá beijos.
Os lábios serão metálicos,
Civil, e mais nada, será o amor
Dos indivíduos perdidos na massa
E só uma estrela
Guardará o reflexo
Do mundo esvaído
(aliás sem importância).”
Drummond
7 de março de 2007
Não precisa ser Moraes, nem Camelo...
Onde encontrar, então, um homo que cozinhe, não abuse da inteligência, nem queira se sobre sair? Necessitaria apenas fazer “leite com Nescau”, conversar sobre livros (de preferência os meus), ver futebol no domingo e ser machista quanto ao tamanho do vestido. Necessitaria ser ciumento, fazer cara de bravo e acabar cedendo a todas as vontades, desejos repentinos e agüentar a tpm.
Onde encontrar aquele que não grite em público, goste de maquiagem borrada e arrisque uma surpresa todo final de tarde? Fazer dos dias todos recreação, dar risada, dizer que estou linda (mesmo de pijama e cara de sono), sentar na grama, rabiscar um bilhete. Não exijo explicações científicas, rosas, telefonemas exagerados. Não exijo cartas, compromisso e Niestchz.. Exijo que entenda todo não que vale por sim, todo dengo, toda saudade, todo carinho. Exijo carinho, muito carinho.
Há aqui muita vontade de saber onde encontrar quem vá rir de minhas besteiras e ter coragem de enfrentar todas as brigas.
Não seria apenas “um homem diferente”, teria que ser o melhor de todos, mesmo sendo o pior. Teria jogo de cintura, saberia a hora de fazer planos, de adia-los, e principalmente de fazer-me irritar. Pois, acredite, as mulheres mais interessantes pertencem aos homens mais atrevidos (e me desculpe as feministas de plantão).
23 de fevereiro de 2007
Goodmorning Sunshine

Nascer do sol, Praia da Ferrugem
Verão 2007
Eu já deveria ter me acostumado a isso: O ano só começa após o carnaval. Principalmente quando nasce-se brasileiro. Antes disso tudo ainda esta legendado como “verão”, “descanso”, “tempo”, até mesmo “ano novo”. E é então chegada quarta feira de cinzas, toma-se conhecimento de todas as responsabilidades e atos que farão deste “ano novo” velho e é então que espera-se outro “ano novo”, e outro, e outro...
Não ter preocupações as vezes é chato, o habito de férias torna-nos um tanto quanto fúteis e sedentários, avantaja-nos o sono e diminui-nos o cérebro. Porém faz bem. Todos voltamos diferentes. Mais maduros, menos maduros, há até quem arrisque um novo corte de cabelo, uma dieta, novas amizades.
O carnaval faz de nós foliões sem noção de tempo, lugar, todos viram amigos e os amigos viram irmãos do peito, temos dinheiro para pagar bebidas a todos. E fim, terminada a moleza.
Começamos o ano com a sensação do dever comprido, cabeça “limpa” e na minha parte, muita sede de rotina, a mudança faz de nós brasileiros. Afinal, precisamos de uma boa sacudida para colocarmos em nossos devidos lugares.
8 de fevereiro de 2007
The Horizon
"Ela é linda com dor de barriga, ela é linda dormindo e até quando acorda cheia de remela. Ela é linda chorando e mais ainda sorrindo. Ela é linda passeando e linda quando pára diante do espelho. Linda penteando o cabelo e linda fazendo batata frita. Ela é linda nas palavras, nas idéias, nas mãos (sempre quentinhas), nas roupas bagunçadas no armário. Linda nos livros que ficaram na estante, linda nas músicas que gosta de ouvir. Linda na escova de dentes que ficou perdida. Linda de salto alto e linda de pés descalços. Linda quando briga comigo, quando dá gargalhadas e linda quando fica de beicinho. Linda nas fotos que não paro de olhar. Ela é linda quando me faz sentir uma saudade deste tamanho. Simplesmente, linda."
Lara Collares.
Minha autora favorita. Também estou com saudades mana, do tamanho da via láctea, já volto!
1 de fevereiro de 2007
Acredito
“Eu ouvi dizer que o melhor de nós são clichês. E logicamente eu assinei embaixo.Por mais que a gente costume criticar os clichês, sempre vamos de encontro a eles.Seja o amor, seja a arte, seja até a própria imaginação. Ou tu consegues pensar em algo que seja exatamente novo?Na intenção de impressionar quem gostamos utilizamos velhas poesias, canções já ouvidas, batidas e que fazem parte do repertório de consquista há muitos anos. "Eu sei que vou te amar, por toda minha vida..." Imitamos cenas de filmes, nos inspiramos em contos, nos livros.Praticamente tudo já foi pensado. A moda, por exemplo. Observe as vitrines hoje. São bolinhas, listras, nada que não nos arremese direto aos anos 60. Ou que seja, ao maleiro da tua mãe.E eu aposto minhas moedas, que nem por isso tu não irás dizer: "Nossa, a coleção dessa estação está linda. " E tu vais desejar aquele vestido vermelho com branco rodadinho e as pulseiras plásticas coloridas. Vai achar que a "nova" moda está toda criativa, bloqueando assim aquela parte do teu subconsciente que diz que as prateleiras das lojas hoje são cópias perfeitas do seu armário de ontem.A mesma coisa a música. Você não levará um susto se perceber um CD da Jovem Guarda em meio aos "Psy Trance" (independete de tu saberes que diabo seja esse cidadão de nome estranho, mas supõe que seja um bom músico devido a quantidade de discos que "ele" já lançou) do teu filho.Menos ainda pensará que voltou no tempo ao flagrar o mesmo fazendo uns passinho ridículos no meio da sala no ritmo de um yeah, yeah, yeah.Tu já te acostumou com essas retomadas. E particularmente acha tudo isso uma delícia.A moda é velha e conservou seu glamour. A jovem guarda fez sucesso e continua sendo apreciada.Para EU TE AMO a mesma conclusão. A frase aí não vai sair de moda. Ninguém dirá que amor hoje está mais que demodê. Seja ela em, francês, italiano ou inglês. O fato é inegável. Entra ano e sai ano, o amor está ali. Nas menores causas. No recado brega de batom escrito no espelho. Vestindo, despindo, soando, arrepiando, fazendo arte, história, dramas, sendo o único imortal e até matando.Não é mesmo uma questão de banalização. É combustível. É necessidade. Simplesmente não existe viver sem.O amor sem dúvida é o que há de melhor em nós. Em todos nós, acredite.”
Fernanda Gava
Saudade de amor...
Santa Catarina, Praia de Garopaba
Verão 2007
31 de dezembro de 2006
Junte cinco sorrisos e leve grátis
Tenho guardado para mim minhas controvérsias, minhas divagações, minhas baboseiras. Não deixo, simplesmente, de falar sobre amor. Tudo tem virado tão banal que me assusta.
Tento me encaixar a modernidade das coisas, deixar de lado esse peso que carrego nas costas, essa preocupação.
Por que quem se importa? Nós tropeçamos no amor. Quando menos esperamos recebemos uma flor, um convite, um presente. Quando nem sequer lembramos de sua existência, quando damos gargalhadas, quando estamos leves.
O amor não procura tristeza, lágrimas e pessimismo. Amor não se encontra, pois não se esconde de nós, ele existe para quem quiser ver. Ele é um plus da felicidade.
30 de dezembro de 2006
Terceira pessoa do singular
Com cinco anos brincava de Playmobil, tinha os cabelos escorridos pelas costas e as bochechas escondiam seu nariz. O irmão teimava em dizer que por isso só respirava pela boca.
Cresceu ouvindo as músicas do pai, suas histórias, suas brincadeiras. Lendo seus livros, procurando ser algo semelhante, ter um pinguinho de sua cultura, sua sabedoria sobre mapas.
Fez-se jovem e já sabia o que queria da vida. Mandar-se daqui para longe, ser livre.
Passou por diversas “fases”, por diferentes amores, difíceis momentos. Aprendeu com o pouco de experiência que tinha que pessoas mentem, pessoas são boas, pessoas vão embora e pessoas ficam, aprendeu que feridas cicatrizam e que delas só tiramos bom proveito (há quem goste de comer as casquinhas, não é mesmo?).
Aprendeu tarde a arriscar, a largar tudo, soltar as mãos, fechar a porta. Aprendeu que tudo isso era necessário, tanto para ela quanto para os que delam careciam. Aprendeu a desconexar tudo, misturar os sentimentos em uma salada de frutas, com muito chantilly.
Mesmo que tardio aprendeu a não voltar aos velhos tempos de si, aprendeu apenas a reconhecer novas Lannas dentre as que a formam. Suas fases se abastecem destas, cada qual com seu momento: Lanna sensível, Lanna forte, Lanna sentimental, Lanna sem vergonha, Lanna braba e tantas outras.
Aos dezesseis anos de idade ouviu o pai cantarolar uma canção, parou por um momento. Jogou os argumentos e princípios no lixo e mudou mais uma vez. Seu bom senso de estética a fez observar melhor ao seu redor, rever a situação, calcula-la como uma boa jogadora de truco.
Sempre foi apaixonada por Reveillon, este a traz em sua mais nova versão, em mais novo estilo e forma, novo conhecimento de mundo e estatísticas. Esta permite ousar e colocar para fora de seus pensamentos o que sempre quis para si. O inigualável.
2007 vem de puro roxo, vermelho, zebra, onça, dourado e o escambal. Vem repleto do estrago, eles têm razão, vem sem medo e sem tempo.
Boa sorte
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
(Seu Collares cantando Chico – Bom conselho)
Bom conselho mesmo Sábio
10 de dezembro de 2006
Sorvete de pistache
Em seu mundo todo dia é dia de sol, toda noite é noite de ver estrelas e todo o sorriso é feito de amor. A menina não vê maldade nas pessoas, não tem medo de palhaços e sabe cozinhar. Ela é feita de fita mimosa, flores nos cabelos e seus olhos são tão verdes quanto sorvete de pistache. Neste mundo poderíamos comer apenas algodão-doce e beber suco, neste mundo não haveria regras de trânsito, nem mesmo livros de direito.
E quando a ela chamam a atenção fica triste. Não entende como podem não aceitar sua vida, suas regras e o modo em seu mundo não permite realidade.
É difícil te ver fazer aniversário minha irmã, pois a cada ano que tu completas mais menina tu te tornas, esta luz cresce, a luz que todos nós deveríamos ter. Tu vais ser a eterna criança que um dia conheci, mesmo quando estivermos velhinhas fazendo tricô e 5 Marias. Continuemos para sempre com a alegria envolvente de nosso lustre, nossa casa, nosso porto seguro.
Minha fada, minha irmã, minha melhor amiga, parabéns por estes 23 anos sendo a estrela dos palcos da tua vida, todo e qualquer lugar onde fazes da tua presença um espetáculo. Eu te amo.
“Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem” (Chico)
(09/12/2006)
5 de dezembro de 2006
coerente
Ela ficara na ponta dos pés, o segurara para que não partisse. Ele e seu coração. Fechara os olhos, respirara fundo e afastara-se.
Ele então de braços ao vento a deixa ir. Como quem também não sabe o que faz. Como quem soubera momentos antes e após.
“Coerente sua imaginação. Pretensioso o gesto que pratica ao rezar piedade. É cúmplice do outro em você, e sabe disso...” (Heitor Pires)
4 de dezembro de 2006
Achados e Perdidos
“Essa aula tem me deixado confusa. Estas parábolas para cima, parábolas para baixo. Bolinha pintada, bolinha sem cor. E que me importa? O que fariam estas se sentimentos tivessem? Não iriam embora?
Quem me dera não encontrar letras em Matemática. Porém, para tudo há uma boa interpretação.
Que graça há de ter em se seguir um Plano Cartesiano? Que graça há de se seguir qualquer plano?
Bom mesmo é saber para onde se quer ir, ter em mente objetivo traçado e mesmo assim mudar de idéia a cada passo, alternar a rota de chegada quando for necessário. Planos tornam o caminho sem cor, é como ter uma parábola traçada para cada um de nós, nossos sinais de positivo e negativo, nossos futuros certos.
É como ser uma bolinha. Talvez, pintada, talvez, não. Mas assim, dominadas pela matemática exata dos homens e deles suas passagens sem riscos. Os eternos covardes com explicações para tudo”.
(Risos)
19 de Abril de 2005
3 de dezembro de 2006
Sobre Maria e Ginkobiloba
O sonhar a faria conhecer a estrada para casa, mesmo tendo encontrado o habitat da Bruxa, mesmo em perigo.
Porém, quando estas memórias da menina são roubadas não existe mais caminho de volta, não existe mais saber, não existe mais casa. Tudo então vira passagem, tudo então fica perdido. Acuada, criará seu novo ponto de partida, criará sua nova avenida e quando decidir voltará a sua casa. E qual das tantas será?
“Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar”
(Los Hermanos)
28 de novembro de 2006
E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância

Tempos destes encontrei entre caixas empoeiradas e traças livros da minha infância. Uma porção deles. Só a pouco voltei a abri-los e o escolhido foi Antoine de Saint-Exupéry em sua inesquecível fábula sobre o menino em seu planeta desabitado.
Era como voltar a ser criança, ter novamente medo de ser comida por uma Jibóia e convencer-me de que sim, flores falam.
Tenho vontade de passear por esta Via Láctea, o desconhecido chama-me atenção. Seria assim como flutuar, ir de par em par, fazer novos amigos – todos diferentes. Seria como fugir ao inatingível.
“Se tu vens, por exemplo, ás quatro da tarde, desde as três horas eu começarei a ser feliz” (O Pequeno Príncipe)
Silêncio
Estes mistérios nunca são compartilhados com meros mortais; eles não entenderão. Ficarão perdidos em seu mundo comum e suas vidas medíocres - repletas de orações compostas e marmotas. Chamarão de tolos e loucos, marionetes do sentimento, para pior. Eis os que raciocinam demais. Acabam por perder o melhor de tudo.
O homem desde sua criação sonha com máquinas supermotoras e alta tecnologia para descobrir o que exatamente o outro pensa. Há quem arrisque feitiçaria, há quem olhe fixamente para os olhos. Bobagem. É preciso apaixonar-se para saber, deixar-se levar, ficar bem quietinho, ir sentindo devagarzinho e então ouvir o coraçãozinho da menina sussurrar: Morrerei em sua nuca.
Mesmo que o menino esteja adormecido.
“E só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificar” (Cazuza)
Dos olhos d'água

Tão somente menina, adornada de laços nos cabelos e sapatilhas apertadas nos pés. Aladas, com jeito de voar para onde fosse, mesmo que somente em seus sonhos. Seus olhos negros contrastavam com as águas calmas daquele velho lugarejo, a pequena praia escondida entre as montanhas de seu pensamento. Acompanhavam as ondas como sinfonia dos silêncios, poderia até mesmo escutar a voz de seu amor. E este sussurrava no coração da pobre menina:
-Terra a vista Marujos!
Todos o dias traçava o mesmo caminho pela areia branca, repleta de bichinhos que a menina faziam companhia, todos os dias ficava a olhar o mar e esperar. Dia este que nunca chegava. Desvanecida de amor não perdia suas esperanças, fitava as ondas, fitava o céu, olhava para dentro de si e nada avistava.
Cansada da longa espera resolveu mudar seu rumo e caiu. Um abismo tão profundo e intenso. Lá não havia ar, nem cor, nem bichinhos para se conversar. Tudo era cinza, feito de concreto e aço, como um grande e feio monstro.
Acordou assustada, olhou imediatamente para seus pequenos pés e neles não encontrou suas asas, olhou em sua volta, fechou os olhos almejando voltar a adormecer, abriu-os novamente e deparou-se com uma vida inteira a esperar por seu amor, não mais em sua nuvem, mas em seu mundo real.
“Morena dos olhos d'água, tire os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho
pra lhe dar". (Chico)
27 de novembro de 2006
Blogs"popular"
- Lanninha és tu quem escreve teu blog mesmo?
(Deparei-me uma porção de vezes com textos meus publicados em orkut e etc, engraçado, penso. Fico um tanto lisonjeada por fazer com que alguém se identifique com minhas besteiras e sentimentos mal expressados. Ao mesmo tempo fico chateada por ver se tornar algo tão banal, “perfis” de pessoas desconhecidas. Minhas mil vírgulas, minhas características, tão bobas e tão minhas. Como tudo, seus dois lados.
É legal. Mundo cibernético, sabe como é...)
- Sim Pampers, sou eu quem escreve tudinho.
